Sunday, 21 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

Eleições e adultério

CASO CHANDRA

Carolyn Condit, mulher de Gary Condit, o congressista democrata californiano que teve um caso com a estagiária Chandra Levy, desaparecida desde o fim de abril, recorreu à Justiça contra o tablóide National Enquirer, que publicou matéria dizendo que Carolyn teria "atacado" a estagiária e "teria algo a ver com seu sumiço". Carolyn exige retratação pública do jornal e indenização de US$ 10 milhões por danos emocionais.

Datada de 7/8/01, a matéria teve a manchete "Polícia: mulher de Condit atacou Chandra". No corpo da matéria o Enquirer explica que, segundo investigadores que teriam tudo gravado em fitas, alguns dias antes do desaparecimento de Chandra ela teria participado de uma "gritaria" ao telefone com a "amarga" Carolyn.

Para Robert Salladay [San Francisco Chronicle, 21/2/02], uma questão importante neste caso é se Carolyn é uma pessoa pública ou não, pois, pela lei, provar difamação de pessoa comum é muito mais fácil. Seu advogado afirma que nos 30 anos de vida pública de seu marido ela nunca concedeu entrevista a jornal, o que já lhe daria o status de "pessoa comum". No entanto, o advogado Gary Bostwick, não-ligado ao processo, acha que será difícil conseguir esta comprovação, e cita o caso da namorada de Eddie Murphy, que foi considerada figura pública, mesmo não aparecendo na mídia.

Embora o advogado de Carolyn, Neville Johnson, negue a motivação política do processo, a ação foi impetrada duas semanas antes da eleição mais complicada da carreira de Gary Condit, que tem pedido em debates, propagandas de rádio e no corpo-a-corpo com os eleitores que seja deixada de lado a má impressão causada por sua relação extraconjugal.

FOTOGRAFIA

Mostrar uma África que o mundo não está acostumado a ver. Este é o objetivo do livro A Day in the Life of Africa (um dia na vida da África), com os trabalhos de 100 fotógrafos renomados de 20 países, que tiveram apenas o dia 28/2 para capturar imagens do cotidiano de um continente normalmente representado por sua natureza ou por sua miséria humana. Outro objetivo da obra é arrecadar fundos para o combate à Aids no continente. Se forem vendidos 100 mil exemplares do livro, que já é o 14? da coleção A day in the life, a contribuição será de US$ 1 milhão.

O criador do projeto, David Cohen, diz que se inspirou na cobertura do premiado fotógrafo James Nachtwey da epidemia de Aids na África. "Eu sempre disse que se houvesse um novo holocausto eu não ficaria sentado sem fazer nada. E efetivamente este é um holocausto em grande escala, um holocausto ligado à negligência", discursou em Paris para os 100 profissionais que se reuniram na capital francesa antes de partir para a empreitada. "Pedimos aos fotógrafos que passassem uma idéia de esperança, porque eles tendem normalmente a não fazê-lo. Dissemos que capturassem imagens do cotidiano, que geralmente não cobrem. E que esquecessem os clichês relacionados à África", contou Cohen à Reuters [24/2/02].

Espalhados por 53 países, os fotógrafos, muitos ganhadores de prêmios Pulitzer e World Press Photo, tiveram de usar, alguns pela primeira vez, a tecnologia das câmeras digitais. Além do livro, que deve chegar ao mercado americano por US$ 50, será também possível ver as fotos em exposição circulante e num sítio <www.ditlafrica.com>.