Saturday, 20 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

EUA (sempre) contra Saddam

A VOZ DO IRAQUE

O governo Bush vai financiar um transmissor de rádio para o Congresso Nacional Iraquiano (CNI), grupo de oposição do Iraque, em território curdo ou iraniano. Michael R. Gordon [The New York Times, 28/2/02] observa que o governo americano vem planejando um confronto político ? e potencialmente militar ? com o Iraque em resposta aos esforços do líder Saddam Hussein de desenvolver armas de destruição em massa. A decisão de construir a rádio representa um outro nível de apoio ao CNI e maior flexibilidade em lidar com o Irã, país recentemente incluído por Bush no "eixo do mal".

No ano passado, sem alarde, o governo deu dinheiro ao grupo oposicionista para abrir um escritório em Teerã. Seu fundador, Ahmad Chalabi, acredita que os iranianos aprovariam a construção do transmissor em seu território, mas por razões simbólicas e práticas tenta convencer o Departamento de Estado de que tem apoio suficiente para instalar a rádio na região iraquiana controlada pelos curdos. O problema é que a população local está dividida em diversos grupos.

Mas americanos e oposicionistas do Iraque concordam em uma coisa: a rádio pode preencher uma lacuna na propaganda contra Saddam Hussein. Atualmente, os EUA gastam US$ 400 mil mensais para sustentar as transmissões via satélite produzidas pela oposição; a programação de quatro horas, repetida seis vezes por dia, só pode ser vista por iraquianos que tenham antenas parabólicas. O governo também transmite programas de rádio em onda curta para tentar influenciar a opinião pública, mas a nova transmissora FM poderia alcançar Bagdá e outras cidades no centro do país.

O plano da oposição estima um custo de US$ 1 milhão para instalar o transmissor e emitir programas por um ano. A programação seria produzida em Londres, mas sensível à política americana, já que o CNI propõe uma rádio "manufactured in the USA".

CHINA

O pedido do presidente Bush por tolerância religiosa na China foi censurado pela agência estatal de notícias. Falando a estudantes da Universidade Qingua, em Pequim, Bush teve seu discurso transmitido ao vivo pelo principal canal de TV nacional sem cortes, mas a transcrição feita pela agência foi editada.

Para Henry Chu [Los Angeles Times, 23/2/02], a atitude demonstra a ambivalência do regime comunista em relação aos Estados Unidos. Embora seus líderes defendam publicamente laços mais fortes com Washington e tenham aceitado o pedido de transmitir o discurso ao vivo, permanecem sensíveis a qualquer crítica. Nas partes cortadas, Bush louvou o espírito cívico americano, criticou a maneira como livros escolares chineses retratam os EUA e pediu o fim da perseguição religiosa no país. Seu elogio à coragem dos bombeiros e policiais que morreram nos atentados de 11 de setembro também foi editado. O que sobrou do discurso foi uma breve lição cívica sobre a separação dos poderes nos EUA e sobre o "voto livre do povo"; foi eliminada a parte em que disse desejar que os chineses possam um dia escolher seus próprios líderes.

A mídia impressa estatal, no entanto, tratou Bush de forma cordial, falando da importância de sua visita nas relações sino-americanas. As conversas entre Bush e o presidente Jiang Zemin foram descritas como "positivas, construtivas e proveitosas" pelo Ministério de Relações Exteriores, embora não tenham resultado em acordos.