Saturday, 13 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

Folha Online

GLOBO & ELEIÇÕES

"Comunicado interno da Globo sobre participação nas eleições", copyright Folha Online (www.folha.com.br), 20/02/02

"A Rede Globo redigiu um comunicado interno normatizando a participação de seus funcionários nas campanhas eleitorais deste ano.

Pelas normas, aqueles funcionários que desejarem manifestar apoio a candidatos devem se pronunciar até o dia 5 de julho.

Leia abaixo a íntegra do comunicado interno:

?Eleições – Diretrizes

O período de campanha eleitoral exige cuidados específicos em relação ao que veiculamos, seja pela necessidade de cumprir o determinado pela legislação relativa ao assunto, seja pelos compromissos éticos de independência e isenção praticados pela Rede Globo.

O eficaz cumprimento desses princípios envolve o que vai ao ar através do jornalismo, da programação artística e das mensagens institucionais, bem como da observância dessas normas e princípios por todos os colaboradores da Rede Globo.

Para que tenhamos condições de atuar de forma objetiva e integrada e para que o quadro da emissora disponha de base clara sobre como proceder numa época em que solicitações eleitorais são sempre intensas, foram criadas diretrizes levando em consideração as características de cada uma das áreas.

Assim, a partir de fevereiro de 2002, solicitamos a todos a observância das diretrizes que se seguem.

Programas de entretenimento (novelas, minisséries, humorísticos e de auditório)

É proibida a participação de candidatos, pré-candidatos, políticos ou quaisquer profissionais envolvidos em campanha eleitoral

As pautas envolvendo integrantes dos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo (esferas Federal, Estadual e Municipal), bem como representantes de sindicatos (patronais ou de trabalhadores), partidos políticos, ONGs e entidades de representação em geral deverão ser previamente submetidas à aprovação da Central Globo de Jornalismo (CGJ)

Conforme a legislação eleitoral, os programas de entretenimento não poderão tratar de temas políticos durante o período que se inicia em 1 de julho e se encerrará ao final do processo de eleições. Essa proibição legal inclui temas que tratem de candidatos, partidos ou coligações

Profissionais da área artística

Para que a emissora possa programar a sua grade, escalar com a necessária antecedência o elenco e se adequar às leis que regulamentam a participação de candidatos em programas de televisão, fica estabelecido que:

Todos os profissionais candidatos a cargos eletivos, assim como os atores, atrizes e apresentadores que decidirem se engajar em campanha de candidatos ou partidos estarão impedidos de aparecer em vídeo durante o período eleitoral (que se inicia em 1 de julho), quer como apresentadores, entrevistadores, ou através de depoimentos

Assim, para nosso planejamento, cada profissional que decida se candidatar ou se engajar em campanha deve:

Comunicar essa decisão à direção da Rede Globo, tão logo seja tomada;

Informar, ao ser escalado para participar de um programa, se será candidato ou se participará ou não de campanha eleitoral, para fins de planejamento e escalação pela Rede Globo

Jornalismo

A cobertura das eleições deve ser pautada pela isenção e pelo equilíbrio editorial. Para que esses objetivos sejam cumpridos, é vedado:

Dispensar tratamento diferenciado a candidato, partido ou coligação;

Acompanhar a cobertura de eventos da campanha com comentários que possam influenciar a opinião pública;

Criar a figura do repórter setorista de candidato ou partido;

Veicular releases eletrônicos, material de campanha produzido pelas equipes contratadas por partidos ou candidatos;

Ceder, para candidatos ou partidos, material gravado pela Rede Globo

A divulgação de número de participantes em comícios e passeatas só poderá ser feita atribuindo-se a fonte. A fonte apartidária será considerada a melhor.

Em nenhum caso a Rede Globo ou suas Afiliadas poderão divulgar cálculos seus. Deve-se ter mais de um cálculo e apresentar todos.

Em qualquer das situações, os cinegrafistas destacados para a cobertura deverão registrar imagens do alto, planos gerais que ajudem o telespectador a avaliar o tamanho e a importância do evento.

Qualquer projeto de cobertura jornalística especial relativo às eleições deverá ser submetido à direção da CGJ.

Profissionais da CGJ

Nenhum profissional da CGJ poderá:

Viajar a convite de candidatos, partidos ou coligações. Quando escalado para cobertura jornalística, todas as despesas correrão por conta da empresa;

Participar de campanhas políticas (não será concedida licença por tempo determinado para que qualquer funcionário da CGJ preste serviços a candidatos ou partidos)

O funcionário da CGJ que se desligar para participar de campanhas só poderá voltar a trabalhar na empresa após prazo a ser estipulado pela direção

Profissionais da CGJ que aparecem no vídeo ou que ocupam cargos de confiança não poderão se envolver em qualquer tipo de evento relacionado a campanhas

Executivos

Profissionais com funções executivas (artísticas, jornalísticas, comerciais ou administrativas) na TV Globo que decidam se lançar candidatos devem comunicar essa decisão à direção tão logo ela seja tomada.

Não será permitido a profissionais com funções executivas o engajamento em campanhas.

Disposições Gerais

Não será permitido o uso ou exibição de propaganda eleitoral – buttons, camisetas, adesivos etc. – nas dependências da empresa por funcionários, colaboradores, prestadores de serviço e fornecedores.

Todas as dúvidas ou casos omissos a este documento serão esclarecidos pela direção da Rede Globo.

Central Globo de Pesquisa e Recursos Humanos?"

 

"Globo proíbe atores de atuar em campanhas", copyright Folha de S. Paulo, 20/02/02

"A Central Globo de Comunicação divulgou anteontem um comunicado interno proibindo atores e apresentadores que estiverem participando de algum produto da empresa que esteja no ar de participarem de campanhas políticas.

De acordo com a empresa, os artistas ou apresentadores que pretendem apoiar candidatos nas eleições de outubro têm de se afastar da programação da emissora até o dia 1? de julho.

A Globo afirma que essa medida é praxe há anos e nega que tenha havido alguma mudança de posição da empresa para esse pleito eleitoral.

A atriz Patrícia Pilar, por exemplo, teria de optar entre apoiar o namorado Ciro Gomes (PPS), candidato à Presidência, ou participar da próxima novela."

 

ELEIÇÕES & MARKETING

"Candidata virtual", copyright Folha de S. Paulo, 24/02/02

"A Roseana Sarney que passou a última semana no Rio de Janeiro não é a mesma Roseana decidida, ativa, vendida como a número 1 pelo marqueteiro Nizan Guanaes. Tímida, com a voz às vezes trêmula, superprotegida por assessores, ela foge dos jornalistas e de perguntas incômodas. Quando responde, cai em lugares-comuns, repete o que disse em entrevista antiga, não avança.

A Roseana que andou pelo Rio também não pode ser a mesma cuja candidatura cresce no Sudeste, que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, que venceria Lula em um eventual segundo turno. Se fosse, por que não teve coragem de se expor, curiosidade de sair um pouco à rua, ver materializado esse eleitor que supostamente enxergou nela uma alternativa?

A verdadeira Roseana, aquela que o eleitorado não conhece, nunca enfrentou uma platéia neutra fora do seu Estado, onde os meios de comunicação dominados pela família Sarney a apresentam como querem.

Já a candidata Roseana só existe se houver script. Virtual, imagem inventada para o PFL ?moderno?, a cada frase que ela pronuncia enxerga-se, para quem conhece, o raciocínio de Jorge Bornhausen ou Cesar Maia. É incômodo ver tanto papel, tanto debate político gasto com um fenômeno que talvez nunca cruze a fronteira da telinha para a realidade.

Será que o balão-de-ensaio pefelista subiu mais do que o partido planejava? Ou não passa, afinal, de um objeto de barganha? Não falta muito, como dizem, para que os esteios da coalizão governista voltem a se unificar, empurrados pelo poder econômico e financeiro? Tudo pode ser. Mas o problema é achar normal uma política de brincadeirinha, que invade o espaço público, pela TV, mas não se compromete com ele.

Eleição deveria ser coisa séria, uma decisão pela qual pagaremos pelo menos por quatro anos. Os que se dizem candidatos a governar têm de mostrar que são mais do que um slogan ou uma cara. O contrário do debate aberto é um eleitorado infantilizado, alheio, indiferente -uma democracia virtual como a candidata."