Tuesday, 23 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

Gigante à beira do abismo

GRUPO KIRCH

O grupo Kirch, conglomerado de mídia alemão, afundado em dívidas e pressionado pelos credores, está vendendo diversas participações acionárias que tem em outras empresas para levantar dinheiro e honrar seus débitos. Recentemente, a empresa Mediaset, do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, recebeu da corporação alemã oferta de compra de sua participação de 25% no canal espanhol Telecinco. Houve interesse, mas um empecilho legal inviabilizou o negócio, de cerca de US$ 400 milhões: a lei espanhola não permite que estrangeiros detenham mais de 49% das ações de empresas de comunicação, e a Mediaset já tem 40 %.

Como relata Davi McHugh, [AP, 13/2/02], a difícil situação do grupo Kirch (só o canal de TV Kirch, o maior privado da Alemanha, deve US$ 4,9 bilhões), teve um certo alívio com a compra, pelo banco HVB, dos 40% das ações da editora Axel-Springer em poder da corporação, por US$ 963 milhões. Mas, considerando que o banco é sediado em Munique, esta operação aparenta ter mais motivação política do que econômica, pois a falência da bávara Kirch causaria constrangimentos ao governador da Baviera, Edmund Stoiber, que pretende usar o desenvolvimento econômico de seu estado como chamariz para ocupar o lugar do chanceler Gerhard Schroeder nas eleições nacionais de 22 de setembro. O maior credor da Kirch é o banco Bayerische Landesbank, controlado pelo governo bávaro.

O problema financeiro do grupo Kirch começou com seu mal-sucedido canal de TV a cabo, o Premiere, que estaria gerando US$ 870 milhões de prejuízo ao ano. A sócia British Sky Broadcasting, de Rupert Murdoch, ameaça fazer uso de uma cláusula contratual pela qual poderia vender seus 22% das ações de volta à Kirch, aumentando ainda mais sua dívida. Políticos alemães disseram-se preocupados com a possibilidade de Murdoch se aproveitar da situação para aumentar sua fatia nos negócios da Kirch, fazendo crescer sua presença na Alemanha. O empresário, no entanto, disse que não quer ter maior participação na empresa.

JORNAIS ESTUDANTIS

USA Today e outros jornais americanos têm uma estratégia de distribuição em universidades, para que os estudantes possam lê-lo de graça. Mas o programa está encontrando opositores inesperados: os alunos de Jornalismo. Eles afirmam que a distribuição gratuita de jornais convencionais nas escolas é uma concorrência predatória aos jornais universitários, que são um importante laboratório para os alunos. Pelo programa, as direções das faculdades compram grandes quantidades de jornais, e muitas repassam o gasto às mensalidades. Hoje, este tipo de venda corresponde a 20% da circulação de 2,2 milhões do USA Today.

Patricia Callahan [The Wall Street Journal, 21/2/02] conta que o USA Today não conseguiu, em duas tentativas, convencer da utilidade do programa a direção da Universidade Vanderbilt, em Nashville, preocupada em preservar a publicação quinzenal estudantil Hustler. "Não queremos fazer nada que possa prejudicá-los", afirma Larry Dowdy, administrador da universidade. Mas não é consenso em Vanderbilt que a circulação do USA Today afetaria o Hustler. "A pizzaria Obie?s não anuncia no USA Today", ironiza o estudante Dustin Callas, referindo-se ao anunciante da publicação.

Os grandes jornais apontam pesquisa feita na Universidade Estadual da Pensilvânia, que indica que naquela instituição 61% dos alunos afirmaram que continuam a ler o jornal do campus após a chegada de jornais externos. E mais: 19% disseram que agora lêem ainda mais o folhetim estudantil. Mas a equipe do jornal contraria a pesquisa, afirmando que sua circulação no ano acadêmico de 2000/2001 caiu 9% em relação a 1997/1998, quando a distribuição de jornais grandes estava apenas começando.