Monday, 15 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

Ivan Angelo

RUMO À COPA 2002

"Um treino que foi uma inutilidade, ou quase", copyright Jornal da Tarde, 9/03/02

"Antes do treino da Seleção contra a Islândia, a Globo dava chamadas empolgadas convocando a torcida para a transmissão do jogo, vendia o seu peixe como mais um teste na preparação para a Copa do Mundo, que o torcedor tinha a obrigação de conferir. Já aos 30 minutos de jogo, o narrador Galvão Bueno malhava duramente a decisão da CBF de treinar contra um time de amadores, esbravejando que ?nós estamos brincando de testar?. Ora, eles, da equipe esportiva da Globo, sabiam que o sparring era um fraco time de amadores, venderam comercialmente a atração, e no meio da brincadeira começam a esculhambar?

Esperavam uma boa exibição, que ajudasse a vender as cotas comerciais das transmissões da Copa. Os discursos eram otimistas no começo. No primeiro gol, aos quatro minutos, Galvão já antegozava a lavada de bola, dizendo todo gabola para o telespectador: ?Vai marcando aí, heim? A coisa vai longe.? A tal coisa, no entanto, não andava conforme esperavam ele e os comerciantes da emissora. Aos 19 minutos, ele já estava decepcionado: ?Na verdade, a Seleção fez um gol aos quatro minutos e não fez mais nada.? Queimou a língua: segundos depois, Kleberson marcou. Aos 30 minutos, a torcida pedia Romário, com o habitual apoio do narrador. O armador avançado Kaká era visto com frieza pela equipe de cobertura e virou herói de repente, esperança, depois de fazer um bonito gol. Aí, Galvão saiu galopando no seu entusiasmo juvenil, já prevendo grande atuação do jogador na Copa e, por ele ser jovem, ?nas quatro copas vindouras?. A 20 minutos do final, metade do público já abandonava o estádio em Cuiabá, e o de casa deveria estar fazendo o mesmo.

Os comentários de especialistas nos telejornais que vieram depois e ontem destacavam a inutilidade do ?teste?. Tudo bem que a emissora quisesse vender seu peixe, mas pelo menos não ficasse anunciando na frente da tendinha que era peixe fresco e depois seus funcionários agirem como se tivessem sido enganados. Enganados fomos nós.

Notas em estilo de clipe

Quando é que a torcida e a Globo vão desistir de querer Romário na Seleção? Quando ele jogar.

O menino acordou no sofá de onde os pais assistiam a ?O Quinto dos Infernos? e quando viu aquele homem ser chamado de rei teve um estalo: ?O rei está nu.?

Mais cedo do que se esperava, os reality shows já estão cansando o público. Os sinais de desgaste aparecem nas conversas na frente da telinha.

Agradável o programa de Luciana Gimenez com Popó, na quinta-feira. Ele fica baixinho ao lado dela. Simpática a vibração dela aprendendo alguns golpes com ele. Agradáveis a família e as histórias do lutador. Foi opção melhor do que o jogo da Seleção.

Roseana e o telejornalismo

Algumas das qualidades do jornalista são a capacidade de levantar questões pertinentes, de descobrir pontos obscuros em um assunto e tentar jogar neles alguma luz, de se colocar numa posição objetiva, de não se deixar confundir pelos discursos que visam a jogar fumaça. Dentre os e-mails que me enviaram, destaco pontos que os leitores gostariam de ver nas perguntas e respostas sobre o caso Roseana Sarney:

1) A governadora queria que a empresa dela, suspeita de corrupção, fosse avisada de que seria feita uma diligência de busca no curso normal de uma investigação? 2) Não seria o mesmo que avisar qualquer suspeito de que seria feita uma batida na casa dele, como, por exemplo, avisar aos moradores da favela Pantanal que haveria uma blitz policial no local?

3) Nesse caso, a maconha e as armas apreendidas não teriam desaparecido antes da apreensão?

4) Que teria acontecido se o governo do Maranhão fosse avisado de que haveria uma diligência no escritório da Lunus? Os inexplicáveis R$ 1.340.000 estariam lá? Os documentos comprometedores – se houver – estariam entre os apreendidos?

5) Por que os políticos de todos os partidos se indignam com a ação de busca autorizada, se ela foi feita no curso de uma investigação legítima, como acentuou o presidente? Estão pondo as barbas de molho? Corporativismo? Não querem que governantes possam ser pegos com as mãos em dinheiros suspeitos?"

 

ESTADO DE MINAS

"Estado de Minas e Diário da Tarde: corte e sinergia", copyright Comunique-se, 6/03/02

"Os Diários Associados em Minas Gerais devem passar por uma razoável turbulência nas próximas semanas, em decorrência do plano de sinergia que começa a ser implantado e que visa promover a integração entre os seus vários veículos (mídia impressa e eletrônica) e uma maior geração de negócios para o grupo. Ou, como diria um experiente editor da casa, dar uma chacoalhada em todos os níveis da organização, para aumentar a competitividade e rentabilidade dos vários negócios. O lado perverso do projeto foi o corte de 12 colegas nas redações do Estado de Minas e Diário da Tarde, seis em cada jornal, anunciada na última 6?.feira (1?/3). O que ainda não foi oficialmente anunciado e que é um pequeno consolo para os colegas de Minas é a decisão do Estado de Minas de repor pelo menos quatro das seis vagas cortadas, possivelmente este mês. A informação foi obtida por Jornalistas&Cia com fonte de absoluta confiança dentro do jornal.

Feito o enxugamento, toda a atenção do grupo a partir de agora volta-se para a implementação da chamada sinergia entre seus vários núcleos editoriais. Desse modo, o Estado de Minas terá de conversar mais com o Diário da Tarde – e vice-versa – e ambos com a tevê Alterosa. Sempre preservando as características de cada veículo, mas aproveitando para promover entre eles intercâmbio tanto de informação, quanto de prestígio e audiência. Desse modo, o Diário da Tarde, que tem uma forte cobertura em Cidades, Polícia e Esportes vai subsidiar o Estado de Minas com matérias e informações desses setores, ganhando, em contrapartida, subsídios para as editorias de Política e Economia, áreas onde o Estado de Minas é muito forte.

A primeira ação concreta e visível dessa sinergia envolve o início dos flashes da equipe do Estado de Minas e Diário da Tarde nos telejornais da TV Alterosa, ancorados por oito repórteres que foram treinados para esse trabalho no vídeo e que farão suas entradas diretamente dos estúdios dos jornais, construídos especialmente para esta finalidade.

O comando deste processo foi entregue pelo diretor executivo dos Diários, Álvaro Teixeira da Costa, ao diretor de Redação do Estado de Minas, Josemar Gimenez, cujas credenciais passam não só pelo trabalho que tem feito à frente do jornal mas pela experiência obtida em dez anos de São Paulo, quando teve a oportunidade de dirigir inicialmente a sucursal de O Globo e, depois, o Diário Popular (hoje Diário de S. Paulo).

Esse processo, sobretudo no que diz respeito ao Diário da Tarde, não terá qualquer interferência na condução editorial do jornal (o segundo maior de Minas Gerais, atrás apenas do próprio Estado de Minas, e ainda o mais vendido em bancas), que manterá suas atuais características e o comando de Fábio Doyle.

Resta saber se esse ?diálogo? entre os veículos do grupo dará os frutos desejados, uma vez que experiências do gênero, sobretudo a famosa sinergia tentada pelo grupo Estado, anos atrás, com Estadão e Jornal da Tarde, não foi o que se poderia chamar de êxito de bilheteria. Muito ao contrário."