Sunday, 21 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

Julgamento aberto

MICROSOFT

A mídia poderá ter acesso a transcrições e fitas editadas dos depoimentos de até cinco altos executivos que participam do julgamento antitruste da Microsoft. A juíza Colleen Kollar-Kotelly decidiu que os relatos do diretor-executivo e do vice-presidente sênior da Microsoft, Steve Ballmer e James Allchin, deverão ser entregues à imprensa. Os meios de comunicação terão também fitas e transcrições das falas de James Barksdale, diretor-executivo da Netscape, e Mitchell Kertzman, diretor-executivo da Liberate Executives, que depuseram como testemunhas de acusação. De acordo com o sítio Newsbytes.com [25/2/02], o quinto executivo, cujo caso ainda não foi definido, é Scott McNealy, diretor-executivo do arquiinimigo da Microsoft, Sun Microsystems.

"Estamos muito contentes por a juíza ter reconhecido que o público tem o direito de ver o relato destas importantes testemunhas", afirma Jay Ward Brown, advogado dos meios de comunicação. "Mas lamentamos que ela não considere tão amplo quanto nós o direito de acesso do público", reclama. Foi recusado o pedido de que se tornassem públicos todos os depoimentos a serem feitos na audiência do dia 11/3, na qual serão propostas as sanções que querem aplicar à Microsoft os estados que não fizeram acordo com a empresa.

CLASSIFICADOS

Cresce nos Estados Unidos um movimento que pede o fim da venda de armas pelos classificados de jornal. Seria um sinal de que a sociedade americana está mudando a postura com relação a seu gigantesco arsenal doméstico? Não. "A venda em classificados permite o anonimato e a possibilidade de evasão ao controle legal, tornando-a potencial fonte de armas para terroristas", diz John Johnson, líder de um grupo de Iowa contra a violência com armas. Foi necessária uma catástrofe como a de 11 de setembro para que se desse maior atenção à venda indiscriminada de armamentos em anúncios, como se fossem carros usados ou apartamentos.

Coalizão de grupos como o de Iowa publicou manifesto no qual pede a suspensão dessa atividade que, segundo pesquisa, é praticada por 77% dos jornais. "Esta é uma contribuição patriótica que os jornais podem fazer para a guerra ao terrorismo", diz o documento. Um exemplo citado é o do supremacista da raça branca Ben Smith, de Illinois, que comprou duas armas por anúncio de jornal depois de não conseguir o negócio numa loja licenciada. Em 4 de julho de 1999, Smith matou duas pessoas e feriu nove ao sair atirando, antes de cometer suicídio. O movimento não faz qualquer objeção aos anúncios de armas de lojas registradas, pois elas só vendem depois de verificar os antecedentes do comprador.

Segundo a Reuters [21/2/02], a National Rifle Association, poderosa instituição que tradicionalmente defende o direito dos americanos a armas, não comentou o caso. A Newspaper Association of America, que representa cerca de dois mil jornais nos EUA, também não opinou, mas afirmou que cada jornal deveria assumir sua própria postura.