Friday, 23 de February de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1276

Leitor de mal com o JB

Edição de Marinilda Carvalho

O leitor-herói é o destaque neste dia seguinte à eleição mais fria da história do Brasil, que não empolgou nem mãe de candidato, mesmo com o FMI hospedado no quarto principal da casa, a alta dos preços da comida refestelada na cozinha (deflação, parece, só na dita cesta básica), a ameaça de demissões sentada no sofá da sala e os descontos do novo pacote fiscal desembarcando na calçada.

O leitor-herói está zangado. De mal com o mundo, o país, a mídia, até com o OBSERVATÓRIO. E ele tem mais é que se manifestar.

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Clique sobre o texto sublinhado para ler a íntegra da mensagem

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Não é bem mensagem. É um desabafo e um pedido: leiam o editorial de hoje, 29 de setembro, do Jornal do Brasil [ver remissão abaixo]. Aquilo é editorial ou um release enviado pelo Planalto? Se os jornais têm o direito – e o dever – de manifestar sua opinião, há um limite entre o adesismo disfarçado já comum no Brasil e o indisfarçável sabujismo do JB, que premia todos os preconceitos oficiais e dominantes sobre os “desqualificados” que se atrevem a fazer oposição. Espero que leiam o editorial e comentem.

Júlio Nervo

Aí está a desgraça do final do século, a tal mediação da notícia. Antes, para saber se um jogador era bom, íamos ao campo e víamos com nossos olhos. Hoje, a TV é que nos diz quem é craque. E assim é na escolha de produtos como na escolha de candidatos. José Rosa Filho

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Sobre a TV animal, outro dia vi um desses “bichos-apresentadores” (Leão ou Ratinho) mostrando uma criança com hidrocefalia (acho que é isso). Triste. Mas pior ainda foi vê-la exposta como um animal raro num circo de horrores. Um ET dissecado ali, na frente de milhões de brasileiros, ávidos por uma baixaria.
Marcelo De Valécio, São Paulo

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Triste o final do JN de 29/9. Não custava nada o Bonner encerrar o JN como o Ronaldinho [recordista mundial da Maratona de Berlim] pediu. Foi uma demonstração de força e discriminação inaceitáveis num jornal que “pretende” ser imparcial.

Parece “coisa de Bial”!!!!!!!
Almir Guimarães, Rio de Janeiro

Nota do O.I.: Para quem não viu, o atleta deu entrevista ao JN e disse que para ser completamente feliz só faltava o apresentador William Bonner dedicar a ele o “boa noite” do final do programa. Mas foi Fátima Bernardes que fez a homenagem, com um tímido “Boa noite, Ronaldo”. No dia seguinte, pressionado por telefonemas de telespectadores e nota de jornal [ver remissão abaixo], Bonner pediu desculpas.

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Acredito serem necessárias mais atitudes como a de Laura [Malin] [ver remissão abaixo para Acidente em Roraima] para que a competência reine sobre a soberba da Rede Globo de Televisão.
Danielle Gomes, São Paulo

Meu comentário é sobre a entrevista que a megastar Madonna deu (vendeu, porque só assim foi suportável chegar ao fim) ao SBT, na pessoa da Sra. Marília Gabriela, e levada ao ar na madrugada do dia 21 de setembro de 1998. Foi uma entrevista ruim, mal escrita, mal apresentada e com questões mal elaboradas e tendenciosas e/ou capciosas. Afonso Sérgio de Sant’Anna Gomes

Tenho notado, no desempenho de Alberto Dines, um esquecimento tendencioso ao tratar do affair Globo/Time-Life, sem se referir às intervenções de Carlos Lacerda (amigo dos Mesquita paulistanos) neste caso tão rumoroso e polêmico.

Outra coisa, sobre os conjuntos habitacionais construídos por Maluf e implodidos na gestão Erundina: em vez de perguntar por que Antônio Carlos Magalhães chamou Maluf de corrupto no fim de 84 e agora o apóia, a imprensa prefere se deter apenas na análise da eficiência do marketing eleitoral dos candidatos.

A imprensa não ajuda o povo a reavivar a memória em tempos tão decisivos.
José Luiz Dutra de Toledo, Ribeirão Preto, SP

Alberto Dines responde: O historiador José Luiz parece fascinado pelos adjetivos. Chama de tendencioso quem não se enquadra em seus critérios, que, pelo visto, são bastante apressados.

Esta série de programas apresenta depoimentos, e não entrevistas. A intenção é deixar falar. O confronto resulta dos diversos depoimentos. Nossa intenção é diferente do Roda-Viva, onde o convidado mal consegue terminar um raciocínio.

Em segundo lugar, no campo propriamente da história contemporânea, nosso historiador também revela-se um pouco apressado. O então governador Carlos Lacerda já não tinha jornal (a Tribuna fora vendida), e naquela fase da vida era tudo, menos nacionalista. Ele estava brigando com Roberto Marinho por razões incidentais, e não conceituais. Nessas coincidiam plenamente. Os Mesquita também não eram nacionalistas e desprezavam o Chatô, cobriram a cruzada sem grande convicção. Deram espaço ao Lacerda porque eram e são lacerdistas. Aliás, a imprensa cobriu a cruzada dos Associados sabendo que era uma jogada oportunista, porque o Chatô sempre defendeu as teses ditas “entreguistas”. Suas outras observações dizem respeito a política. Nós tratamos exclusivamente do comportamento da mídia, sem entrar no mérito da matéria noticiada. Saudações, A. D.

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Foi absurdamente impressionante a conivência do programa com o discurso do manda- chuva da Rede Globo. Em momento algum o rapaz foi questionado sobre o lastro dado pela Globo à ditadura militar ou mesmo às eleições de Collor e Fernando Henrique. Para todos os presentes ao programa, sem exceção, a Globo aparece como a única capaz de uma programação de “alto nível” na TV brasileira. Uma pena. Eu achava que programas como o OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA poderiam fazer frente a programas como Xou da Xuxa ou Faustão. Sei que não publicarão minha mensagem. Não tem problema. Posso trocar pra Globo se vocês quiserem.
Messias Bandeira, 32 anos, jornalista, Salvador

Nota do O.I.: Ver acima o segundo parágrafo da resposta de Alberto Dines a José Luiz Dutra de Toledo.

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Antônio Siúves, colunista do Tempo, apóia em seu texto do dia 24/9 o cri-crítico Diogo Mainardi nos seguintes termos: “Diogo Mainardi diz ter dificuldade em se situar em termos de nação e cultura nacional, que a boa literatura deve ser destrutiva e que sua geração – a minha – não é particularmente brilhante.” Suponho que a falta de brilho se deva ao fascínio desses profissionais pelo jornalismo do Paulo Francis na fase em que posou de niilista pop. Esta gente se deixa seduzir pelo opinionismo fácil e superficial. É difícil para um iugoslavo ou um americano se situar em termos de nação, num tempo de globalização, e não será para vocês, caras-pálidas? Entre a estética da ruptura e as leituras mal digeridas é que se debate esta turma. Esta é a geração do contra, escancarando portas abertas. Vade retro!
Lúcio

Ah, não dá pra resistir: a Veja bem que poderia passar a se chamar Não veja!
Zeca Martins

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Em matéria publicada na edição de 30 de setembro, a Veja Rio elimina a Zona Norte do mapa dos cinemas da cidade. São citados cinemas de Copacabana, Ipanema, Barra, Botafogo, Leblon e outros bairros merecedores da atenção da revista. E o resto?? E os cinemas de Méier, Shopping Nova América (Del Castilho)? E a Tijuca e seus arredores, com sete salas no Iguatemi, três no Shopping Tijuca, quatro na Praça Saens Pena e uma série de novos projetos? Nada contra publicações dirigidas. Feliz ou infelizmente, é uma tendência e uma opção. Mas, por favor, se é para se prestar a esse papelão, mudem o nome para Veja Zona Sul/Barra.
Cláudio Gunk

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Uma primeira constatação, ou palpite, é que a Editora Abril decidiu “popularizar” a revista, abdicou das abordagens sérias (algum dia as teve como norma?) e passou a perseguir o formato televisivo nas páginas de cada semana. Noticias tendendo ao caderno de variedades, mesmo quando publicadas nas páginas dedicadas a economia, política, etc. Veja quer concorrer com Caras, com a TV, sente a concorrência da abordagem superficial de Época?
Igor Veltman

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É claro que não encho de virtudes a revista à toa. Ela tem inúmeras falhas, que deveriam ser vistas com mais seriedade e menos preciosismo, mas não podemos negar a importância que ela exerce como a quinta em circulação no mundo. Ricardo Sabbag Zipperer

O show de ilusões da realidade brasileira contaminou todos os meios de comunicação.
Gleydson Pinheiro Albano

Adorei a publicação [de minha carta] [ver remissão abaixo] e, mais ainda, a repercussão. Não houve quem não elogiasse. Mas o mais estimulante para mim foi justamente a observação de um leitor que, malgrado tivesse adorado o estilo, deu-me uma espinafrada (didática, reconheço sem problemas) por estar eu assim muito chapa branca, em meio a uma mídia tão lambe- botas, na qual Janio é uma reconhecida exceção?

Não foi essa a intenção, mesmo porque meus textos invariavelmente criticam o poder. Só que de uma maneira, digamos, mais bem-humorada. Mas gostei da colocação.
José Antonio Palhano

Nota do O.I.: Pena que esses leitores não tenham enviado cópias das mensagens a Palhano ao O.I….

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Parabéns a vocês. Só li dois textos, mas gostei muito. Vou passar a olhar sua página com freqüência.
Luiz Marcos Yoshioka

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Estou “em dobro” no O.I. Obrigado. Fico envaidecido. Mas, cuidado: vai que eu me entusiasmo e começo a mandar um montão de coisas…

Zeca Martins

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Conheci o OBSERVATÓRIO já há um bom tempo. Depois disso, andei vagueando por aí, desliguei-me um pouco do mundo (como Hermann Hesse dizia, fugi para o Cosmos) e, com alegria, reencontro o OBSERVATÓRIO NA TV!!! Que maravilha! Parabéns!

Cesar Rocha, pensador e programador

É totalmente patético ver a imprensa dando destaque aos satânicos especuladores, assim como é patético ver as cotações das bolsas dependerem de declarações desses mesmos especuladores, presidentes de bancos centrais e outros membros do chamado Sr. Mercado. É um absurdo admitir que a salvação da economia das nações dependa da vontade desses caras. Onde isso vai parar? Luciano José Gonçalves de Souza

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Magistral a coluna do Janio de Freitas Missão venenosa [ver remissão abaixo]. Ali ele mostra que muitos jornalistas-articulistas que passaram quatro anos do governo FHC elogiando as intervenções da equipe econômica agora, vestidos de sabedoria, apontam erros e omissões governamentais que provocaram a crise atual. José Rosa Filho

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Onde foi que as grandes revistas semanais do país esconderam a crise econômica?
Luis Hamilton

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O comportamento indecente da mídia brasileira é simples conseqüência de sua participação nas privatizações e outros trambiques que reduziram o patrimônio público federal em mais de US$ 400 bilhões. Entretanto, de nada adiantarão as pesquisas acadêmicas no tema mídia-eleições se divulgadas após as eleições. Quem se lembra dos abusos de 89 ou de 94? É verdade que a omissão do assunto eleições nos telejornais, restringindo-se a apresentar as pesquisas que lhes representam lucro, e a censura à simples apresentação da imagem dos candidatos são sem precedentes, inimagináveis, grosseiras e incompatíveis com a denominação de jornalismo para a atividade das empresas de comunicação hoje operando.
Cláudio Freitas

Ótimo o artigo de Alberto Dines. A paranóia no caso Clinton ganha mais adeptos – a editora Novel Writing, de Michigan, publicou uma edição para crianças do relatório do tal Starr (ainda bem que é com dois erres). A doença do furo está chegando a um ponto que muito breve jornal só vai servir para limpar…
José Rosa Filho

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Achei que vocês poderiam se interessar, para o Entre Aspas, pelos comentários do jornalista Sílio Boccanera em sua coluna de O Globo, em 20/9/98 [ver remissão abaixo].
Voxpop

Folha

“A nota Beliche, publicada na edição de ontem da coluna Joyce Pascowitch (pág. 4-2, Ilustrada) é, no todo, incorreta e desrespeitosa em relação à dra. Anna Peliano, ao ministro Clóvis Carvalho e à dra. Ruth Cardoso.

Esta assessoria está permanentemente à disposição de jornalistas e órgãos de imprensa para checar quaisquer informações, por mais absurdas que pareçam, referentes ao Comunidade Solidária. Lamento que essa respeitada coluna tenha sido veículo de difusão de uma versão absolutamente fantasiosa sobre a saúde da dra. Ruth.

Ilara Viotti, assessora de imprensa do Comunidade Solidária (Brasília, DF)”

“Comunidade Solidária”, Painel do leitor, copyright Folha de S. Paulo, 23/9/98

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“Sou um defensor intransigente da livre circulação de idéias e do direito de crítica. Até mesmo quando equivocada, ela nos ajuda a refletir: na pior das hipóteses, sobre a qualidade do trabalho do crítico. O que não posso admitir é a deturpação dos fatos, seja por má informação ou má consciência. Vamos aos fatos:

a) Nunca criei ou produzi comerciais contra Covas ou Rossi para o horário do PRTB. Até mesmo porque, se o fizesse, eles seriam de melhor qualidade.

b) Nunca ?Duda Mendonça atacou Duda Mendonça?, como Nelson de Sá insinuou na sua coluna ?No ar? (Eleições) de 22/9 e retificou, de forma velada, na coluna de ontem. O trabalho que faço por amizade para José Genoino restringe-se à criação de peças gráficas e slogan. Nunca fiz peça de TV para o deputado, o que desmente sua afirmação de que eu teria atacado meu cliente e futuro senador, Oscar Schmidt, em um comercial de Genoino.

c) Tampouco me vanglorio de ser marqueteiro de Genoino. Alegra-me, sim, ser amigo pessoal e colaborador desinteressado deste que considero um dos melhores deputados do país.

Quanto à sua idéia de criar um Conar para a propaganda política, acho da maior felicidade, me permitiria apenas acrescentar que ele poderia também estender a sua fiscalização a algumas colunas jornalísticas, que, mal informadas, divulgam informações erradas, prejudicando pessoas.

Duda Mendonça, publicitário (São Paulo, SP)

Nota da Redação – Leia a resposta do jornalista Nelson de Sá na coluna No ar, na pág. Especial 2 (Eleições).

Resposta

O marqueteiro malufista Duda Mendonça envia fax à coluna (já passado ao Painel do Leitor, a pedido dele mesmo) com questionamentos à ?qualidade do trabalho do crítico?, ou ainda, à ?má informação?. Por pontos:

a) O marqueteiro diz que não fez os comerciais que o PRTB veicula contra adversários de Maluf.

Como resposta, um exemplo: o comercial em que Rossi dizia votar em Lula surgiu, num sábado, assinado pela campanha de Maluf. Na segunda seguinte o comercial deixou de ser assinado por Maluf e surgiu assinado pelo PRTB.

Não seria de esperar, de todo modo, uma confissão pública.

b) O marqueteiro diz que não trabalha nas peças de TV de José Genoino -que atacou Oscar, cliente de Mendonça. Diz que trabalha nas ?peças gráficas?.

O que é certo é que Mendonça trabalha na campanha de Genoino. Se o marqueteiro não vê o conflito ético é por auto-engano ou interesse comercial, ou ambos.

c) O marqueteiro diz que é ?colaborador desinteressado? de Genoino, ou seja, trabalha sem cobrar. E diz que não se vangloria de ser marqueteiro de Genoino.

Na Band, um mês atrás, Mendonça alardeou que fazia a campanha de Genoino. Por outro lado, depois que trabalhou pela primeira vez com Genoino, na campanha passada, assumiu contas de candidatos a governador da oposição.

Não existe ?colaboração desinteressada?, em política e em propaganda.”

Painel do leitor e No ar, copyright Folha de S. Paulo, 24/9/98

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“Voltamos à velha forma de fazer jornalismo, de fazer críticas e de se autopromover nos jornais. A Folha de ontem foi deprimente. Ao contrário do editorial de capa, Janio de Freitas e mais outros tantos aproveitadores, incluindo o próprio Otavio Frias Filho, anunciaram a derrocada do governo como gostavam de fazer com os Sarneys da vida, emporcalhando as boas informações que tinham com catastrofismos inúteis e inverídicos. Tem dias, sinceramente, que a Folha não dá pra ler.”

Nando Pereira (Florianópolis, SC).”

Painel do Leitor, copyright Folha de S. Paulo, 25/9/98

 


Como seria noticiado o fim do mundo, segundo o estilo de cada veículo:

The New York Times
O mundo vai acabar

O Globo
Governo anuncia o fim do mundo

Jornal do Brasil
Fim do mundo espalha terror na Zona Sul

O Dia
Fim do mundo prejudica servidores

Folha de S. Paulo (ao lado de um imenso infográfico)
Saiba como será o fim do mundo

O Estado de S. Paulo
CUT e PT envolvidos no fim do mundo

Zero Hora
Rio Grande vai acabar

A Notícia
Psicopata mata a mãe, degola o pai, estupra a irmã e fuzila o irmão ao saber que o mundo vai acabar!

Tribuna de Alagoas
Delegado afirma que fim do mundo é crime passional

Estado de Minas
Será que o mundo acaba mesmo?

Jornal do Commercio
Juros finalmente caem!

Jornal dos Esportes
Nem o fim do mundo segura o Mengão!

Correio Braziliense
Congresso vota constitucionalidade do fim do mundo

Notícias Populares
O mundo sifu, acabou-se tudo!

Veja
Exclusivo:
– Entrevista com Deus
– Por que o apocalipse demorou tanto
– Especialistas indicam como encarar o fim do mundo
– Paulo Coelho: “O profeta viu o fim do mundo e chorou”

Nova
O melhor sexo do fim do mundo

Querida
Teste: seu namoro vai acabar antes do fim do mundo?

Playboy
Nova loira do Tchan: um apocalipse de sensualidade!

Info Exame
100 dicas de como aproveitar o Windows the end!

Época
Até o fim do mundo a sua revista Época estará custando R$ 2,80

Guia de Programação Net
Exclusivo: o fim do mundo no GNT

Forma e Beleza
Tenha um light end. Leia como nesta edição!

Microsoft News
Windows 99 for Ghosts

Ivan Fontes Garcia

Nota do O.I.: Como contribuição a esta piada, que tem circulado nas redações do país há alguns meses, acrescentamos o estilo OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA:

Circo da Notícia
Não valeu: Mídia distorce cobertura do fim do mundo

 

Não, ombudsman não é só marketing. Várias conquistas já foram feitas com a criação, nos jornais, da figura do ombudsman. Mas é preciso estar atento, porque os jornais, principalmente os grandes, em princípio não são confiáveis. José Rosa Filho

Certa vez li num jornal mineiro: “Ruralistas reivindicam toneladas de arame farpado para cercar gado”.

Florêncio Paim

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Muito interessante a questão dos títulos. Posso lhes apresentar dois para a coleção. A Crítica de Manaus: MST mata mais um. Quem lê apenas o título supõe que os sem-terra algum dia assassinaram pelo menos uma pessoa, e voltaram a cometer este crime hediondo. Quem lê o texto descobre que o “mais um” se refere na verdade a um boi, que eles mataram para jantar. O segundo vem da televisão. Certa vez, Cid Moreira ainda apresentava o Jornal Nacional, quando surpreendeu todos os manauenses. A chamada: “Manaus está afundando”. Afundando?? Na verdade, uma casa mal construída, perto de um rio, desabou com a cheia daquele ano. Era comum naquela época este tipo de matéria, sempre do jornalista, se é que podemos chamá-lo assim, Marcos Losekan. Sou estudante de Jornalismo da Universidade do Amazonas (UA), e espero que, ao trabalhar em redação, jamais cometa atitude tão anti-ética.
Adriana

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Uma dúvida para Carlos Knapp: é possível um telejornal ou jornal usar uma matéria sobre um assunto de interesse geral e sem conteúdo político ou econômico como anteface para informar, de forma subliminar, alguma decisão política ou econômica do governo que interesse a um grupo específico e que este facilmente reconheça o conteúdo da mensagem?

Como chamaríamos isto? Prática jornalística?

Obrigada pela atenção e aguardo um comentário para que, como estudante da área, eu possa compreender melhor onde estou me metendo.

Simone Golino

Carlos Knapp responde: Desde que surgiu, nos anos 60, a idéia da propaganda subliminar, ficamos entre alarmados e fascinados pela hipótese de sermos influenciados por mensagens imperceptivelmente embutidas em outras mensagens. No entanto, não existe informação de nenhuma campanha de propaganda que tenha usado essa técnica subliminar; se alguém tentou, certamente fracassou.

A sua hipótese de que matéria jornalística aparentemente inócua possa carregar outra informação oculta, como um cavalo de Tróia, é ainda mais improvável. O máximo de maquiavelismo que conheço é o de plantar notas com o objetivo de promover ou fritar pessoas ou instituições. Ou então publicar mensagens codificadas em anúncios classificados. Imagino que nem os interessados seriam tão argutos, nem os jornalistas tão bobos, para conseguir divulgar essa informação oculta. E, do outro lado, precisaríamos ter um leitor suficientemente atento para perceber a sutileza.

O que vemos, bem às claras, são as campanhas de imprensa em que instituições, pessoas, projetos e políticas são atacados ou defendidos explicitamente por meio de um concerto de editoriais, reportagens, comentários, notas, “cartas do leitor” etc. Aqui, o que fica muitas vezes oculto são o interesse e o patrocinador da campanha. C. K.

Seria legal citar, numa das próximas edições do OBSERVATÓRIO, os textos publicados pela coluna Âncora, da SuperTV, do bom e velho Jornal do Brasil, e pelo Rio Fanzine, de O Globo, a respeito do tema “tubarões dos CDs”.
Rodney Brocanelli

Nota do O.I.: Ver remissão abaixo para o Entre Aspas.

O estudante ou é explorado mas, bem ou mal, convive com as redações e põe algo a mais em seu currículo, ou se recusa a participar do esquema mas fica preso ao marasmo e ao atraso das escolas superiores. Ricardo Sabbag Zipperer

Sobre o artigo de Mônica Macedo na seção Ofjor Ciência 98, da mesma forma que nos Estados Unidos, também no Brasil a população, em pequeno número, se interessa pela novidade científica. Não existe uma “cultura científica” no Brasil. Os cientistas brasileiros, com medo de “popularizar” a ciência, não gostam de escrever livros e artigos em linguagem simples e entendível pela população. Fernando Zucoloto

Já tive oportunidade de manifestar minha opinião sobre o Conar, quando enviei e-mail comentando a proibição do 0900 para sorteios, telessexo e teleadivinhação. Aliás, a responsabilidade não é só do Conar, é da Justiça. Depende também do bom senso e do bom gosto das emissoras. Os comerciais em massa são uma chateação que tira todo o prazer de assistir à televisão. Até quando isso vai continuar?
Emerson Tinoco

Gostaria de expressar minhas homenagens ao OBSERVATÓRIO NA TV e agradecer pelo fato de poder ter ao meu alcance uma opção de qualidade como esse programa.

Após assistir a mais uma edição, coloco em questão um assunto dúbio, de caráter torpe sim, mas que sob o ponto de vista antropológico suscita incertezas. Foram comentados, no programa em que deu depoimento o diretor da Globo, o caráter de “entretenimento” e a exploração da miséria humana nos canais abertos de TV. Concordo com a opinião dos jornalistas e comentaristas do programa, mas questiono a eficiência de programas como Ratinho e Leão (adorei o comentário de Alberto Dines ao referir-se eles como “zoológico”).

É uma pena que se faça uso de um meio poderoso como a TV para exibir temas execráveis, muitas vezes jocosos.

Minha dúvida: 1. Por que os telespectadores apelam a tais programas? 2. Por que a Rede Globo perdeu o monopólio da audiência?

Gostaria de que minha resposta fosse poupada de falsos comentários e viesse na velocidade que a web pode proporcionar.

Juliano Varela Kahl, Florianópolis, SC

Nota do O.I.: ???

Parabéns à Veja de 23/9! O encarte sobre restaurantes foi uma excelente, útil e prazerosa idéia! Estela Regina Wonsik

Na qualidade de editor do jornal Página Central venho apresentar a pauta para o mês de outubro: como anda o nível do jornalismo televisivo como um todo. A qualidade caiu? Subiu? Quais os melhores jornais, jornalistas e âncoras. Jornalistas consagrados se submetendo a programas e pautas idiossincráticas (vide Marília Gabriela). Enfim, um e importante painel sobre o tema. Sugestões serão muito bem-vindas.

André Rosemberg

 

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O senhor mercado foi às compras e Missão venenosa


Continuação do Caderno do Leitor

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