Friday, 23 de February de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1276

Mídia e drogas: atitudes, cultura e investigação

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OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, a Câmara Americana de Comércio de São Paulo, a Vila Serena – Centro de Tratamento de Dependência Química, o USIS (Serviço de Informações dos Estados Unidos) e o Consulado dos Estados Unidos em São Paulo realizam no dia 23 de setembro próximo um seminário internacional sobre as relações, hoje extremamente problemáticas, entre os meios de comunicação e o abuso de drogas. Quatro jornalistas dos Estados Unidos especializados no tema e quatro jornalistas brasileiros, além de autoridades e especialistas, participarão das rodadas de debate.

A sociedade, os governos e a mídia não sabem como lidar com as drogas. Todas as “batalhas” travadas têm resultado em derrotas. Nos Estados Unidos, o dinheiro dos narcotraficantes aprendido pela polícia não é mais contado: é pesado. Como disse recentemente o presidente Bill Clinton, a proporção de usuários de narcóticos nos Estados Unidos em relação aos usuários no mundo todo é muito maior do que a proporção da população americana em relação à população mundial. O presidente Fernando Henrique Cardoso declarou que o narcotráfico é problema de segurança nacional. Geralmente, a abordagem do problema das drogas é feita do ângulo moral, tanto pelas autoridades como pelos meios de comunicação. Quando não faz julgamento moral de uma questão que é sobretudo cultural – ou médica -, a mídia se mostra complacente com o uso de drogas por parte de celebridades, erigidas até em modelos de comportamento.Em entrevista ao OBSERVATÓRIO, John Burns, criador da Vila Serena, chamou a atenção para o fato de que não se fazem perguntas cruciais sobre os porquês. Por que estudantes recorrem a drogas? O consumo e a publicidade das chamadas drogas legais devem sofrer novas restrições? As drogas deveriam ser tratadas como questões de saúde pública? (Ver remissões abaixo.)

Não há política que possa ter êxito à margem dos meios de comunicação ou contra eles.O seminário Mídia e Drogas: atitudes, cultura e investigação reflete uma tomada de consciência coletiva de autoridades, jornalistas, educadores e empresários a respeito da gravidade da questão das drogas, que requer novos debates e novas soluções. Seu objetivo imediato é estimular a imprensa brasileira a elevar os padrões da cobertura jornalística no que diz respeito a drogas e suas relações com educação (em sentido específico e geral), problemas sociais, políticas de prevenção, tratamento e repressão. A mídia precisa encarar igualmente as conseqüências da divulgação de uma cultura da droga como algo “alternativo”, que gera complacência e confusão. O seminário se desenvolverá em quatro sessões, em 23 de setembro de 1998, na Câmara Americana de Comércio de São Paulo. Entre as autoridades brasileiras participantes estará Luiz Matias Flach, subsecretário da Secretaria de Prevenção e Tratamento da Secretaria Nacional Antidrogas da Casa Militar da Presidência da República. Os jornalistas Chico Pinheiro (Rede Globo de Televisão) e Gilberto Dimenstein (Folha de S. Paulo) já aceitaram convite para debater. Entre os participantes estarão igualmente Alberto Dines, John Burns, John Mein (presidente da Câmara Americana de Comércio de São Paulo) e Mauro Malin.

O desdobramento do seminário consistirá na criação de um fórum eletrônico de discussões sobre a questão das drogas reunindo instituições e pessoas de todo o continente americano, abrigado no OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, no AMCHAMNET (http://www.amcham.com.br) e demais instituições integrantes da parceria.

 

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