Sunday, 21 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

Na mira de Hollywood

CORÉIA DO SUL

Com a ajuda da lei de reserva de mercado, a indústria cinematográfica da Coréia do Sul está conseguindo resultados surpreendentes. No país, é obrigatório que as salas reservem 146 dias por ano para a exibição de produções nacionais. Isso fez aumentar sua fatia do mercado de 27% para 46% em 2001, permitindo uma concorrência em pé de igualdade com os filmes hollywoodianos, que detêm 47%.

Os cinco mais assistidos no ano passado são nacionais. Quatro deles contam histórias de gângsteres. Segundo Song Jun-a [Reuters, 9/3/02], o campeão de bilheteria de 2001, Amigo, foi assistido por 2,6 milhões de pessoas, enquanto o líder estrangeiro, o desenho Shrek, atingiu a marca de 1,1 milhão. Uma nova safra de diretores jovens e cosmopolitas está atraindo o público adolescente e da faixa dos 20 anos. As exportações do produto cultural cresceram de US$ 7 milhões em 2000 para US$ 11,3 milhões no ano passado. Além dos arrasa-quarteirões, têm surgido também obras aclamadas pela crítica internacional, como Bad Guy, um dos filmes de maior repercussão no Festival de Berlim.

Este ano, o governo da Coréia pretende assinar tratado de livre-comércio com os americanos para atrair mais investimentos diretos para sua economia, a terceira maior da Ásia. Isso pode pôr tudo a perder para os estúdios locais. Produtores e atores protestaram nas ruas de Seul no começo de fevereiro e exigiram posição clara do governo. A Miramax, estúdio da Walt Disney Company, já comprou os direitos de refilmagem de Minha mulher é uma gângster, comédia de ação que levou 1,5 milhão de pessoas aos cinemas da capital coreana.

TAILÂNDIA

Matéria detalhando as diferenças entre o rei tailandês, Bhumibol Adulyadej, e o primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, criou tensão entre o governo e a revista Far Eastern Economic Review, da Dow Jones Co. Em 22 de fevereiro, os correspondentes americanos Shawn Crispin e Rodney Tasker tiveram os vistos revogados.

O impasse só foi resolvido após Michael Vatikiotis, editor da revista, enviar carta ao presidente da Assembléia Nacional expressando seu "sincero arrependimento pelo mal-entendido e a controvérsia gerada pelo artigo"."Nunca foi intenção da Review escrever ou gerar qualquer comentário adverso com respeito à maior instituição da Tailândia, e se nossa edição de 10 de janeiro foi assim interpretada nós pedimos desculpas."

Segundo Sridhar Pappu [The New York Observer, 18/3/02], até a página editorial do Wall Street Journal ? também da Dow Jones ? teve que lidar com o caso com cuidado. No dia 4, afirmou que a reportagem "não desrespeitava a família real da Tailândia". Paul Gigot, editor da página, explica: "É preciso estar ciente das sensibilidades locais. Existe o tabu de atacar o rei. E, de qualquer forma, não o faríamos. Ele é muito esclarecido. Por isso dirigimos nossa resposta ao primeiro-ministro."