Terça-feira, 2 de junho de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1390

Não só para inglês ver

BBC

Com a queda de 3 milhões de ouvintes na rádio do World Service da BBC, após anos de crescimento, a estatal britânica planeja investir em seu canal de TV de notícias global BBC World, expandindo a presença da Grã-Bretanha no mundo. Em termos de agilidade e impacto, a reputação do canal está aquém da rival CNN.

Segundo The Guardian [22/7/02], o canal BBC World não tem apresentado bom desempenho financeiro. Do segundo semestre de 2001 para cá foram registrados mais de R$ 70 milhões de prejuízo (? 15,3 milhões). A solução que o subsecretário de Relações Exteriores, Dennis MacShane, responsável pela verba do World Service, está buscando é unificar o canal com o noticioso doméstico, BBC News 24. "É absurdo que o News 24 seja financiado com impostos, enquanto o BBC World tem de se manter com publicidade. Precisamos ver como eles poderiam se juntar." Pelas leis atuais, a união não é permitida. O Ministério de Relações Exteriores cederá ? 180 milhões ao World Service nos próximos três anos, um adicional de ? 48 milhões. Destes, ? 8 milhões estão reservados para transmissões em países árabes e no Afeganistão, além da expansão na África, onde a emissora tem verificado aumento de audiência.

Se os planos da BBC se realizarem, o canal será incluído em nova divisão de "jornalismo global" comandada pelo atual diretor do World Service, Mark Byford. Ele disse que sua maior prioridade é fazer a TV mundial britânica parar de dar prejuízo até 2006. Sobre a possibilidade de se criar programação em vários idiomas, Byford acenou negativamente: "No passado, tivemos serviços de TV em árabe e hindi, mas não funcionaram. Tudo é possível, mas custa dinheiro."

WALL STREET JOURNAL

A luta do Wall Street Journal para conseguir fatia maior do mercado europeu está cada vez mais difícil. Em 1999, o diário financeiro americano, então com 70 mil assinantes no Velho Continente, contratou 10 novos repórteres, para se somarem aos 70 da equipe européia, e aumentou para 40 o número de páginas, na esperança de fazer frente às 300 mil assinaturas do britânico Financial Times. Como a Alemanha era o principal mercado a ser atingido, fechou acordo com o grupo von Holtzbrinck, dono do Handelsblatt, maior diário de negócios alemão. O WSJ ficou sendo proprietário de 22% do von Holtzbrinck, que, em contrapartida, passou a controlar 49% da edição européia do Journal. Enquanto isso, o FT negociava com outra grande editora germânica, a Gruner + Jahr.

Hoje, o Wall Street Journal conta com cerca de 100 mil assinantes na Europa, o que representa bom crescimento, mas ainda longe da meta de 140 mil fixada para 2005. Para piorar, o volume de anúncios caiu 33,4%, e o FT conseguiu ampliar sua base de assinaturas, que já era muito maior, em 9%. A versão em alemão do diário britânico, que saiu do zero há poucos anos, já tem circulação de 82 mil.

Em maio, o FT.com, sítio do Financial Times, passou a cobrar pelo acesso a determinadas páginas. Até agora, somente 17 mil pessoas assinaram o serviço. O total de usuários do sítio é de 2,8 milhões, segundo The Guardian [29/7/02]. Uma promoção permite acesso gratuito às partes restritas por 15 dias ? 78% dos que fazem o teste acabam assinando. Por enquanto, as principais notícias seguem gratuitas. As taxas são somente para o usuário que quer pesquisar informações para fazer negócios.