Friday, 19 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

NYT

PROPRIEDADE CRUZADA

No dia seguinte à sentença da Corte de Apelação, Arthur Sulzberger Jr., publisher do New York Times, mostrou-se preocupado com a possibilidade de expansão dos conglomerados de mídia e entretenimento. Embora não sejam exclusivamente noticiosas, essas companhias passarão a ter mais controle sobre a informação, alertou Sulzberger.

Discursando no Seybold Seminars 2002, reunião de designers gráficos em Nova York, o veterano jornalista revelou que os verdadeiros rivais de seu jornal não são Washington Post ou Wall Street Journal, mas Microsoft e AOL Time Warner. "Nossa concorrência são pessoas que terão controle não apenas sobre certos graus de informação, mas controle real sobre os sistemas e aplicações que a direcionam", disse. Para enfrentar a competição, Sulzberger enfatizou a necessidade de o jornal tornar-se provedor e distribuidor multimídia de notícias: "Temos que garantir que o New York Times disponha de tecnologia de ponta suficiente e profissionais de qualidade para traduzir [a informação] para novas mídias".

A versão eletrônica do Times (reprodução fiel da edição impressa) é comercializada pela empresa NewsStand.com desde outubro; o serviço já tem 3 mil assinantes e espera atrair 20 mil até o fim deste ano. Mas o acesso ao conteúdo do sítio de internet, com exceção de certas áreas, permanecerá livre: a propaganda ainda será responsável pelo lucro, afirmou o publisher. Paul D. Colford [The New York Daily News, 21/2/02] informa que a divisão digital do jornal apresentou lucro no terceiro e no quarto trimestre de 2001.

"Não queremos apenas que nossa equipe adquira novas habilidades, queremos que ela se torne, de certa forma, pioneira de mídia, que descubra maneiras inovadoras de usar os novos meios", declarou Sulzberger. Mas Barry Lipton, presidente da Newspaper Guild of New York ? que representa os funcionários da empresa ? lembrou que os contratos trabalhistas permitem que o conteúdo editorial do Times apareça online, mas proíbe a Times Digital de produzir conteúdo para o jornal.

The New York Times publicou editorial [23/2/02] reconhecendo que a sentença foi uma vitória para as grandes corporações como AOL Time Warner e News Corp. "O tribunal, no entanto, rejeitou o argumento das companhias de que as regras eram inconstitucionais", o que deve ser motivo de reflexão: o jornal defende que o Congresso deve assumir papel importante na necessária reestruturação do sistema legal.

O Ato de Telecomunicações de 1996 exige que a FCC revise e defenda suas leis de propriedade de estações de TV a cada dois anos. A medida é importante porque a desregulamentação é uma reação a mudanças políticas e tecnológicas, muitas vezes imprevisíveis. "Esta página já defendeu no passado a preservação da maioria dos limites de propriedade, mas reconhecemos que este recuo agora parece irreversível", diz o editorial. No entanto, lembra que "é importante para a democracia que poucos interesses econômicos não monopolizem veículos de comunicação". Michael Powell, presidente da Comissão, teria portanto a responsabilidade de proteger o interesse público ao gerenciar a desregulamentação de maneira a preservar a diversidade de notícias, opinião e entretenimento. O Times defende que as fusões entre gigantes de mídia deveriam continuar sob escrutínio especial, além da tradicional revisão antitruste.

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