Tuesday, 05 de March de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1277

Publicidade oficial, carros e apartamentos

Victor Gentilli

 

V

itor Buaiz termina melancolicamente seu governo no Espírito Santo. Não apenas evitou disputar a reeleição, como viu todos os candidatos evitarem vinculações com seu governo. Afinal, manteve permanentemente o salário do funcionalismo em atraso, aumentou seus próprios vencimentos e de seus auxiliares, envolveu-se em diversos episódios nebulosos.

Vitor Buaiz abandonou o PT e fez da esquerda e da centro-esquerda seus alvos preferenciais. Durante quase todo o governo, a imprensa comportou-se corretamente. Não houve perseguições, nem omissões.

Agora os jornais preferem sortear carros e apartamentos. E veicular um volume surpreendentemente alto de publicidade oficial. O cidadão capixaba assiste perplexo a este desperdício de recursos. E não encontra nenhuma informação na mídia. Os jornais estão devendo à sociedade informação sobre o volume de publicidade oficial neste fim de governo.

 


V. G.

 

É verdade: um ex-comunista chefiando um governo é uma novidade e tanto. Mas isso não significa que os jornais devam falsear a verdade para reforçar o tom sensacional da cobertura. Massimo D’Alema tornou-se chefe de governo na Itália devido à queda do governo Romano Prodi. Prodi não era ex-comunista, mas seu governo era de centro- esquerda e muito mais puxado para a esquerda que o novo governo de D’Alema. Romano Prodi foi derrubado porque o Partido da Refundação Comunista, que apoiava o governo, decidiu romper com ele, contrariado com os cortes nos programas sociais do orçamento para 1999. No ano passado, o mesmo quase ocorreu.

Fausto Bertinotti, líder do PRC, ameaçou tirar o voto de confiança no governo devido ao orçamento 1998. Depois de longas negociações, o governo Prodi continuou com apoio no Parlamento por mais um ano. Esse ano, o PRC levou a sério a ameaça, mas terminou rachado. Armando Cossuta, fundador do partido, liderou um bloco de oposição que rachou o PRC e criou o Partido dos Comunistas Italianos. Tem dois ministros no novo governo D’Alema.

Mas o governo D’Alema, para conseguir aprovação no parlamento, teve que buscar apoio em mais partidos de centro. O primeiro governo de esquerda com maioria de ex-comunistas foi o governo Prodi, aliás um dos mais duradouros na Itália.

Os democráticos de esquerda (o grupo majoritário oriundo do velho PCI) tem hoje o chefe do governo, mas tem menos participação no governo do que no governo de Romano Prodi.

É verdade: não foi apenas a mídia. O papa escandalizou-se com um ex-comunista no poder. Romano Prodi, que dava poder aos ex-comunistas, é católico.

Os jornais fizeram bem em registrar o incômodo da Igreja Católica, mas era desnecessário ignorar que os ex-comunistas diminuíram seu poder com a chegada de um ex-comunista ao poder. Coisa de italianos.

 


V. G.

 

<

U

ma imagem chocante e constrangedora aparece cada vez com mais freqüência nos jornais e telejornais. Um acusado, um criminoso, uma vítima, um parente, sempre sem rosto: a blusa, a camisa, alguma peça de roupa é usada para cobrir o rosto dos holofotes e das câmaras de TV. A imagem é a expressão mais evidente do desconforto com o comportamento invasivo da mídia em questões privadas.

A quem servem essas imagens? Se alguém esconde o rosto é porque não deseja aparecer. Que direito os jornalistas têm de tornar público este constrangimento?

Quando se trata de acusado, vítima ou parente, a exposição pública é simplesmente injustificável.

Quando se trata de um criminoso, também: afinal, se ele já está preso e dominado pelas autoridades, a exposição de sua imagem no mínimo é um convite ao linchamento.

Alguns poderão argumentar que o chamado “maníaco do parque” só pode ser localizado e preso (evitando novos crimes) porque a imagem do então suspeito em retrato falado e fotos foi exaustivamente exposta, permitindo sua identificação.

É provável. Talvez nestas circunstâncias se justifique.

Talvez. Nas demais, não.

 


V. G.

 

O

s sistemas de premiação da TAM e da Varig estão em guerra publicitária há mais de um mês. Anúncios de uma e outra companhia se revezam nos espaços publicitários, ostentando suas vantagens sobre o concorrente.

Algum jornal vai se dignar a fazer uma matéria de serviço esclarecendo os usuários sobre os sistemas de milhagem ou de passagens?