Domingo, 12 de abril de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1383

Pesquisa vai mapear laboratórios de produção jornalística em universidades brasileiras

(Foto: Startup Stock Photos/Pexels)

O Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e o Farol Jornalismo estão lançando uma iniciativa para fortalecer o jornalismo universitário brasileiro ao mapear os laboratórios de produção jornalística em atividade nos cursos de Jornalismo do Brasil. A ideia é dar visibilidade aos trabalhos produzidos por estudantes de graduação e criar uma rede entre as instituições, estimulando trocas de experiências e parcerias.

A primeira fase do projeto Laboratórios de Jornalismo tem três eixos, segundo o coordenador do projeto, Moreno Osório. O primeiro é o mapeamento. “O levantamento vai nos dar uma ideia de quantos cursos possuem laboratórios, que tipo de jornalismo produzem, quais as características das equipes responsáveis e qual o impacto nas comunidades em que estão inseridos”, explica o jornalista.

A partir do levantamento, o presidente do Projor, Sérgio Lüdtke, espera ampliar o horizonte dos profissionais em formação. “O projeto dá espaço para futuros jornalistas exercerem sua criatividade e proporem novos formatos narrativos e ainda incentiva os estudantes a experimentarem e exporem seus trabalhos”, afirma.

Os outros dois eixos são a edição de uma newsletter semanal com uma curadoria de trabalhos jornalísticos produzidos nos laboratórios e a publicação de reportagens sobre esses espaços de experimentação no site Observatório da Imprensa. O boletim vai dar visibilidade aos trabalhos dos estudantes e oferecer um canal de distribuição para conteúdos produzidos em diferentes instituições.

Já as reportagens vão contar as histórias de laboratórios e das equipes de professores e estudantes que os utilizam como complemento à formação jornalística obtida em sala de aula. “Nos laboratórios, estudantes têm condições próximas do ideal para produzir jornalismo de interesse público – não raro ocupando um espaço que não interessa aos veículos comerciais. Mas a pouca visibilidade desses trabalhos restringe a relevância dentro de suas comunidades”, comenta Osório.

O mapeamento também almeja salvaguardar o futuro dos estudantes e da própria profissão, segundo Lüdtke. “É um modo de a academia se aproximar do mercado e vice-versa. Num momento como o atual, esse diálogo é fundamental para a construção de um futuro em que o jornalismo terá que ser mais sustentável e atrativo, sem perder a relevância.” A equipe de produção do projeto conta ainda com os jornalistas João Neto e Marcela Donini.

O Brasil conta com 353 cursos de graduação em Jornalismo, dos quais 283 estão em universidades privadas, 46 em federais e 19 em instituições sob gerência dos estados, conforme dados do Censo da Educação Superior de 2024.

Caso coordene ou participe de algum laboratório experimental em uma instituição de ensino superior brasileira, participe do mapeamento por meio do formulário.