Thursday, 18 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

O enigma Xuxa

Enquanto se aguardava uma definição sobre o seu futuro na televisão, Xuxa Meneghel esteve em Brasília esta semana. A sua agenda no Distrito Federal envolveu negócios públicos e privados.

O ministro da Educação, Cid Gomes, seguido por cerca de 94 mil pessoas no Facebook, usou a rede social para divulgar uma foto em que aparece de rosto colado ao dela: “Estive com a Xuxa hoje”, informou, sorridente.

Segundo Gomes, Xuxa “tem produzido excelentes materiais para o ensino infantil e se dispôs a colaborar com dois importantes projetos do governo federal: o Mais Creches e o Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa”.

Xuxa não falou deste encontro com os seus mais de 4 milhões de fãs no Facebook. Em compensação, ela postou um vídeo em que aparece ao lado do namorado, Junno Andrade, e da ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos, cantando uma versão da marchinha “Mamãe Eu Quero” destinada a promover o Disque 100, um serviço telefônico gratuito para atender denúncias.

Ainda em Brasília, Xuxa divulgou fotos e um vídeo da inauguração de uma franquia da Casa X, espaço para festas infantis e eventos. “A gente pretende abrir 50 franquias. Essa é a nossa quinta casa”, informou ao site da Record, que cobriu o evento.

Como já fez em outras ocasiões, na inauguração do espaço de festas, Xuxa saiu de dentro de uma nave colocada no palco.

Uma encenação que os fãs do “Xou da Xuxa” reconhecem de imediato expõe da forma mais explícita possível a estratégia de marketing do empreendimento. Xuxa está se dirigindo não às crianças, mas aos pais, potenciais clientes do seu negócio.

Questão menor

Apresentadora de programas infantis a partir de 1983, primeiro na Manchete e, a partir de junho de 1986, na Globo, Xuxa fez por merecer o epíteto que colou a seu nome –”rainha dos baixinhos”.

O tempo passou, os “baixinhos” cresceram, as novas gerações já não se encantaram tanto pela apresentadora infantil e Xuxa, a partir do final dos anos 1990, começou a se preocupar em atender também o público adolescente e adulto.

A transição não foi tão bem-sucedida. Reformado e rebatizado inúmeras vezes nos últimos 15 anos, o programa de Xuxa na Globo foi perdendo público e interesse. No final de 2012, suprema humilhação, foi superado no Ibope pelo desenho animado “Pica-Pau”, exibido pela Record.

Foi justamente esta emissora que, na terça-feira, 3 de fevereiro, vazou para a imprensa a informação de que havia acertado a contratação de Xuxa. No momento em que escrevo este texto, na quinta-feira (12), o negócio ainda não havia se concretizado.

Xuxa, evidentemente, quer continuar dispondo de um programa de TV, essencial para manter a sua agenda em movimento. Há dúvidas, porém, sobre o que a hoje empresária e ativista tem a oferecer no comando de uma atração.

Para a Record, esta é uma questão menor. Para os dirigentes da emissora importa mais o prestígio que imaginam vir junto com Xuxa.

A Record, nos últimos anos, tem apostado em colocar pessoas famosas e supostamente carismáticas no comando de programas de auditório que se parecem uns com os outros. Xuxa parece destinada a ser a cereja neste bolo.

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Mauricio Stycer, da Folha de S.Paulo