GREVE NAS FEDERAIS
O jornalismo cego às armadilhas do discurso oficial
Por Sylvia Debossan Moretzsohn em 17/07/2012 na edição 703
O que dizer de um noticiário que dá de manchete exatamente o contrário da informação correta?
Foi o que ocorreu na cobertura da coletiva convocada pelo governo, no fim da tarde de 13 de julho, para anunciar a proposta com a qual pretende pôr fim à greve nas universidades e institutos federais de ensino, que já dura quase dois meses. O noticiário revelou mais uma vez a submissão dos jornalistas às fontes oficiais e a absoluta ausência de apuração própria resultou em matérias que induzem a erro e anunciam o oposto do que a proposta significa. Pois, em vez do alardeado reajuste, os professores terão perda salarial, como se verá. E não apenas isso: o plano de carreira embute armadilhas que, se confirmadas, significarão um retrocesso aos tempos da ditadura.
Comecemos, porém, pelos aspectos mais evidentes da cobertura.
Uma primeira comparação entre as capas de dois dos principais jornais do país já levaria a algum arquear de sobrancelhas: enquanto O Globo alardeia em manchete “Governo cede e aumenta professores em até 48%”, a Folha de S.Paulo dá chamada de capa com um índice menor: “Governo propõe reajuste de até 40% a docentes das federais”. A discrepância se deve a opções diferentes entre os jornais – o maior índice se refere a professores de institutos federais, e não de universidades – e ao cuidado do jornal paulista em abater, do índice anunciado, o reajuste de 4% já pago aos docentes de universidades no contracheque de maio, retroativo a março, conforme acordo estabelecido no ano anterior.
Ainda assim, ambos os jornais associam os números exuberantes aos cargos de “maior titulação”, sem explicar que esse reajuste máximo atinge apenas o restrito grupo de professores titulares. Entre doutores com regime de dedicação exclusiva, tanto adjuntos quanto associados (e essa diferença é relevante, porque os associados ganham substancialmente mais), o índice fica na faixa dos 30%.
Fazendo contas
Os jornais informam corretamente que os reajustes serão concedidos parcialmente, ao longo dos próximos três anos. Porém, não alertam para o essencial: que se trata de um percentual bruto, do qual, obrigatoriamente, deveria ser descontada a previsão de inflação para o período. E é aí que fica clara a primeira armadilha da proposta: não se trata de oferta de reajuste, mas da imposição de uma redução salarial, na maioria dos casos.
Há muitos anos, um renomado colunista de economia, convidado a dar uma palestra para estudantes de jornalismo, surpreendeu – e provavelmente decepcionou – a plateia ao responder à pergunta inevitável sobre a preparação dos jovens para a profissão: não repetiu a ladainha de sempre sobre a necessidade de leitura dos clássicos; disse que um bom jornalista precisa saber fazer contas.
Essa tarefa, infelizmente, continua restrita aos especialistas, como o professor Wagner Ferreira Santos, do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Sergipe. Ele fez essas contas e disponibilizou o resultado num artigo em que demonstra o engodo de se comparar valores em períodos distintos sem considerar o índice de inflação correspondente, normalmente calculado pelo IGP-M. Com base nesse índice, ele projeta uma inflação de 20% até 2015, de modo que, assim (re)ajustada, a remuneração da grande maioria dos professores (mestres e doutores com dedicação exclusiva, que compõem a esmagadora maioria nas universidades públicas) sofreria, de fato, perda de 0,4% a 11,9%, conforme a titulação e o nível de carreira. Reajuste, a rigor, só para o professor titular (5,9%, nesse percentual corrigido) e para o doutor adjunto nível 4 (1%), como se pode conferir nas tabelas publicadas em seu artigo.
Para esclarecer, o professor argumenta, como se passasse uma tarefa a seus alunos: “Como exercício de fixação, façamos cálculos análogos com o salário mínimo, que é referência para a maioria da população brasileira. Primeiro, mostre que os atuais R$ 622 são realmente maiores que os R$ 510 de julho de 2010. Agora, a pergunta capciosa: se o governo anunciasse hoje que o salário mínimo sofreria aumentos consecutivos em três parcelas, chegando a R$ 700 em julho de 2015, você aceitaria?”.
Papagaios das fontes
Os jornalistas presentes à coletiva não apenas não fizeram essas contas como nem sequer indagaram por que a proposta anunciava percentuais brutos e ignorava a inflação projetada para o período. Seria o comportamento elementar de qualquer repórter minimamente qualificado e interessado em trabalhar com dados corretos para divulgar informações confiáveis. Ainda que se considere que o governo, espertamente, venha convocando suas coletivas mais problemáticas para o fim da tarde, quando já não sobra muito tempo para que os jornalistas analisem adequadamente os dados que precisam divulgar “em tempo real”, nos sites e no noticiário radiofônico e televisivo. Mesmo que não obtivessem a informação precisa, os repórteres poderiam relativizar o que receberam, e não agir como porta-vozes oficiosos. Entretanto, o máximo que fizeram foi ouvir “o outro lado”, o dos dirigentes sindicais, e publicar breves declarações contrárias à proposta, mas tampouco esclarecedoras.
À parte a questão do reajuste, que inevitavelmente ganharia destaque no noticiário, há pelo menos outras duas armadilhas embutidas na proposta do governo para o plano de carreira nas universidades federais, como se pode constatar aqui, e que sequer foram consideradas nas reportagens, como observou o professor Kleber Mendonça, chefe do Departamento de Estudos de Mídia da UFF. Uma delas, que já preocupava as entidades sindicais, é a de que todos os novos professores, independentemente de sua titulação, ingressarão no nível mais baixo da carreira, como auxiliares, e não poderão mudar de classe enquanto estiverem em estágio probatório (o período de três anos ao final do qual o profissional é confirmado ou desligado do cargo). Na prática, isso significa que aquele que já poderia estar recebendo como doutor ficará com remuneração inferior durante esses três anos. Note-se que os concursos, há muitos anos, vêm sendo abertos apenas para doutores, e só excepcionalmente para mestres. Ou seja, exige-se a titulação, mas a remuneração correspondente pode esperar.
É possível perder essa oportunidade tão clara de ironizar o discurso oficial de “valorização da carreira”?
Ironias da história
Além disso, a planilha comparativa divulgada pelo governo mostra apenas os salários atuais (antes e depois do reajuste de 4% já concedido no mês passado, e retroativo a março) e os salários de 2015. O hiato de três anos até lá é apagado, mais ou menos como em certos anúncios imobiliários em que algumas ruas são suprimidas do mapa para dar a impressão de que o belo imóvel fica a poucas quadras da praia ou de um maravilhoso bosque. Quem olha as planilhas fica com a sensação de que os professores que recebem hoje, digamos, R$ 7.600 (adjunto 1, doutor com dedicação exclusiva), passarão logo a ganhar R$ 10 mil, quando esta é a remuneração para daqui a três anos.
A outra armadilha é que o governo propõe uma mudança no sistema de promoção “nos termos das normas regulamentares a serem expedidas pelo Ministério da Educação”. Portanto, propõe que os professores aceitem normas que desconhecem.
É de fazer inveja a Maquiavel.
Mas essa armadilha representa algo ainda mais grave, como lembrou o jornalista João Batista de Abreu, professor no Departamento de Comunicação da UFF: significa um retorno aos tempos da ditadura militar, quando não havia concursos públicos e a cada renovação de contrato os professores tinham que apresentar o famigerado atestado ideológico, emitido pelo DOPS. Quem estava respondendo a processo político não conseguia o documento. Depois da Lei da Anistia, em 1979, essa exigência caiu, mas um chefe de Departamento que não gostasse de determinado professor poderia simplesmente não renovar seu contrato.
João Batista, na época em início de sua carreira docente, recorda da greve iniciada em fins de 1980, que resultou na conquista desse aspecto fundamental da autonomia universitária que é a definição do sistema de ascensão funcional, através da constituição de comissões de progressão docentes, responsáveis também pela regulamentação das atividades do professor na instituição. “Se os critérios de progressão passarem a ser definidos pelo MEC”, diz João Batista, “voltaremos 30 anos no tempo”.
Seria uma dessas ironias da história se isso acontecesse, tendo em vista o passado dos atuais governantes. Mas a tentação autoritária é um fantasma sempre à espreita.
“Proposta definitiva”
Apesar de todas essas considerações, houve quem, embora com vasta experiência profissional – como a colunista de política da Folha Eliane Cantanhêde –, optasse por simplesmente reverberar as informações oficiais, afirmando tratar-se de uma “proposta definitiva”, esse absurdo lógico que ignora que uma proposta, por definição, é passível de negociação. Do contrário, trata-se de decisão, deliberação, imposição ou qualquer outro substantivo que expresse uma resolução unilateral de quem tem, ou pensa que tem, poder para agir dessa forma.
Para concluir, as reportagens não deixaram de notar o “impacto” de R$ 3,9 bilhões que essa “proposta definitiva” causará aos cofres públicos, ignorando oportunamente o teor da Medida Provisória 559, já aprovada pelo Congresso e dependendo apenas da sanção presidencial, segundo a qual o governo concede às instituições particulares de ensino R$ 15 bilhões sob a forma de renúncia fiscal.
Assim se faz o jornalismo de hoje, esse jornalismo que certa vez chamei “de mãos limpas”, porque se contenta em ouvir um lado, ouvir outro e lavar as mãos, deixando supostamente a conclusão para o público. Não é difícil imaginar a que tipo de conclusão esse público poderá chegar, privado que está das informações elementares a partir das quais poderia elaborar algum raciocínio minimamente fundamentado. Não por acaso tantos colegas professores receberam congratulações de parentes e amigos diante da expectativa do magnífico reajuste. Precisaram pacientemente desfazer o equívoco, para espanto de quem acreditou nos jornais.
Leia também
A lamentável cobertura da greve nas federais – Sylvia Debossan Moretzsohn [Cadernos de Reportagem – UFF]
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[Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense]
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| luiz castro |
| Enviado em: 17/07/2012 12:45:45 |
| parabéns sylvia, relembra profissionais do porte de elio gaspari e outros |
| Aleksander Campos |
| Enviado em: 17/07/2012 12:53:11 |
| E para tornar a situação ainda mas absurda, o MEC obrigou as Universidades a colocarem em seus sites oficiais essa "generosidade" absurda da mesma maneira deturpada. Um exemplo é o site da UFABC. |
| Leonel Martins |
| Enviado em: 17/07/2012 14:13:24 |
| todo mundo sabe que a principal função da mídia hoje não é informar seus consumidores mas sim ecoar prapaganda dos governos, empresas e seja lá quem os pague. |
| Fernando Luis Luis |
| Enviado em: 17/07/2012 17:10:26 |
| O que esperar dessa imprensa mal-intencionada e anti-democrática para com os trabalhadores de qualquer setor, nesse país? |
| Juliana Rocha |
| Enviado em: 18/07/2012 07:46:46 |
| Parabéns à Prof. Sylvia e ao Observatório da Imprensa, por essa matéria que é uma "ilha" de bom senso na Imprensa! |
| Jacilene Santos |
| Enviado em: 18/07/2012 09:53:06 |
| Muito esclarecedor o texto. Agora é compartilhá-lo o máximo possível! Se uma função tão estratégica quanto a do docente é tratada dessa forma, o que podemos esperar, né? |
| Douglas Albuquerque |
| Enviado em: 18/07/2012 11:49:55 |
| Excelente texto. Aliás, também concordo com a Sylvia quando diz que a mídia tem o papel de, digamos, Pôncio Pilatos. O que é uma verdade absoluta. Tenho detestado essa mídia, no mínimo, nojenta. Atualmente tal mídia tem invertido papéis em seus valores os quais não preciso informar já que são muito evidentes e seria constrangedor. E, para fim de conversa, não é de se estranhar o caráter DITATORIAL desse governo dos [ ]. O atual veste, por demais, esse comportamento. Diria que se fizermos uma comparação com o regime militar seria até uma covardia (haja vista a propalada mania de dizer que vivemos em estado democrático). Os generais da caserna estão perplexos, certamente, com as atitudes desse governo que, repito, a mim não demonstra nada que não seja DITATORIAL. |
| Ibsen Marques |
| Enviado em: 18/07/2012 13:58:47 |
| A imprensa não sofre censura. Seu foco principal está em si mesma e em seus anunciantes, no caso descrito, o governo. Em terra de cego que tem um olho é rei. Assim, quanto menos se favorecer um ensino superior de qualidade, mas se poderá explorar. Quem é mesmo analfabeto? |
| Ana Dias |
| Enviado em: 18/07/2012 14:55:22 |
| É importante acrescentar que, além da falácia dos números, a proposta do governo não tocou em nossas reais reivindicaç?es, a saber: determinaçao de um piso salarial; implantação de uma data base para correção salarial; melhoria das condiçoes de trabalho; reestruturação da carreira. Ao invés disso, propôs que, para avançarmos na carreira, déssemos 50% a mais de aulas (em prejuízo da pesquisa e extensão ou, no mínimo, de nossa saüde), além dessa proposta ridícula de "aumento" e do início de carreira independente da titulação... Obrigada pelo artigo, precisamos mesmo de bons jornalistas, que ajudem a informar, ao inves de manipular a opinião pública... É, eu tb tive que ouvir minha mãe me dando os parabéns após a leitura de O Globo... |
| João Araujo |
| Enviado em: 18/07/2012 15:51:21 |
| A professora Silvia dá apenas uma versão dos fatos, a do ANDES-SN. Não é fácil para os meios de comunicação entender a atual greve dos professores federais. Alguns esclarecimentos. Em agosto de 2011, o governo e os dois sindicatos (ANDES, o mais representativo, e PRO-IFES) fizeram um acordo. Os professores mobilizaram-se para que fosse cumprido, o que ocorreu somente às vésperas da data indicada para a greve. Mesmo assim, decidiu-se entrar em greve. Era preciso construir uma pauta, que já não tinham. A greve, por parte do ANDES, transformou-se em greve contra o programa REUNI, que teve problemas de infraestrutura pois o governo preferira antes colocar nas universidades os homens (estudantes, professores e servidores), e depois as pedras (os edifícios, muitos já concluídos). No mesmo mês em que a greve teve início, aprovou-se lei que criou 77.000 novos cargos para professores e servidores. Agora, o governo fez uma proposta de reajuste salarial e uma nova de plano de carreira. Quanto à proposta de reajuste, os dois sindicatos concordam que ela beneficia alguns e nada dá a outros. Quanto à carreira, há muitas divergências. Reajuste PODE ser encaminhado por medida provisória, plano de carreira DEVE ser encaminhado por projeto de lei, que terá emendas e longa tramitação. O atual governo cedeu; os professores estão dispostos a ceder? O ANDES quer mesmo negoc |
| João Ribeiro |
| Enviado em: 18/07/2012 19:40:13 |
| O artigo da professora Silvia realmente exagera nas tintas. É preciso muita imaginação para comparar a "armadilha" do governo (seria antes, um bode na sala) - “nos termos das normas regulamentares a serem expedidas pelo Ministério da Educação” - com o atestado ideológico da ditadura militar. Se há algo em comum com o período citado, é o fato de que, desde a Reforma Universitária de 1969 ("mais vagas"), nunca tantos alunos e professores entraram (POR CONCURSO) nas universidades federais. Entre 2003 e 2010, o número de vagas anuais dobrou (de 100 para 200 mil). O número de professores cresceu em 40%, de 44 mil para 70 mil. Multiplicaram-se as escolas técnicas, foi criado o piso nacional para professores de ensino médio. Vivemos em uma democracia, o que o governo supostamente pretende, está em negociação. Mas enquanto governo e PRO-IFES (sem dúvida, um sindicato divisionista, mas já com certa representatividade) procuram dialogar, o ANDES "encaminha" a "radicalização da greve”. O governo cedeu reduzindo os passos para a progressão, embora tenha colocado outro bode, 12 horas em sala de aula como exigência para mudança de nível (em projeto anterior, as doze horas, ao invés das oito habituais, serviria para acelerar a progressão). O ANDES não modificou uma vírgula de seu projeto de carreira. Quem parece não entender as regras do jogo democrático |
| Tricia Zapula Rodrigues |
| Enviado em: 18/07/2012 22:31:06 |
| Ótimo texto! Representa muito bem a quê a "proposta" do governo nos leva. Afirmo que nós, professores, almejamos um Ensino Público de Qualidade, Gratuito e acessível a todas as classes sociais. |
| JOÃO ARAUJO |
| Enviado em: 19/07/2012 07:09:58 |
| Como não sou muito bom em cálculos aritméticos preciso de ajuda para entender a razão de o economista em chefe do ANDES, o professor de matemática da UFF - Wagner Ferreira Santos, ter feito sua análise da proposta de reajuste projetando uma inflação de 20,8% para os próximos três anos, enquanto que os economistas do governo, das oposições, e do Mercado - fundados na estabilidade econômica alcançada desde o Plano Real do grande Itamar Franco - projetam 15%. Com este última estimativa, todas as categorias de professores universitários federais ganharão com o reajuste proposto pelo governo * |
| Adriana Bruno |
| Enviado em: 19/07/2012 09:19:00 |
| Precisamos socializar tais informações em nossas redes sociais! As redes tem se mostrado potentes prá divulgar e desmascarar informações que a midia cisma em ocultar ou distorcer! Vamos às redes! |
| JOÃO RIIBEIRO |
| Enviado em: 19/07/2012 10:40:34 |
| Sobre a proposta salarial do governo é claramente notável que o governo mentiu sobre os números. O aumento de 45% não é verdadeiro. Ele só existe para o topo da carreira, lugar em que a maioria dos professores nunca chegará. A média dos aumentos propostos é de pouco menos de 29%, a ser paga, efetiva e integralmente, só em 2015. Ora, se o último aumento para os professores foi em junho de 2010 (os 4% deste ano já estão no cálculo do aumento), e a economia continuar da forma que está, teremos uma inflação de pelo menos 5% ao ano. E, com uma simples conta de juros compostos, podemos ver que o aumento REAL, médio, do professor, será de algo entre 6% e 7%.” Greve nas federais é resultado da expansão das universidades - Mateus Prado – IG – Último Segundo – 18-07-2012 Mateus Prado cursou Sociologia e Políticas Públicas na USP. É presidente nacional do Instituto Henfil e autor de livros didáticos. Presta assessoria em Enem |
| José Henrique Souza |
| Enviado em: 19/07/2012 11:39:06 |
| Excelente artigo. Me lembro de várias aulas nas quais tratei dos conceitos de crescimento nominal e crescimento real. Esse artigo vai me ajudar nas próximas aulas. |
| Luciana Cavalcanti de Melo |
| Enviado em: 19/07/2012 12:45:01 |
| Acredito que todos nós, ou em sua maioria, professores, técnicos, funcionários e alunos e, também a sociedade, em geral, já sabíamos que este seria o nosso destino: de lidarmos com as armadilhas do governo e as facilidades da mídia atual que o suporta. Precisamos, então, obviamente, de usarmos a internet, matéria paga e continuarmos nas ruas para viabilizarmos nossos intentos de melhoria das condições de trabalho. Contudo, aproveito para pedir a todos os brasileiros (ilustrados e não ilustrados) que deixemos de votar! Vamos anular nossos votos em todas as instâncias até que surjam NOVOS CANDIDATOS! Isto sim, é na minha opinião, um meio efetivo de mudar algo substancioso em nossas vidas! O que não dá é perdemos tanto tempo com o sonho de que vivemos em democracia e continuarmos fortalecendo essa realidade que vivemos, na qual só temos o direito de reclamar e chorar (somente em casa com amigos). Essa chamada "democracia que vivemos" é totalmente equivocada. Nela nós podemos votar nos ditos políticos e, depois, aconteça o que acontecer não podemos FAZER NADA para retirá-los do poder quando se mostram incapazes de nos representar. |
| Ibsen Marques |
| Enviado em: 19/07/2012 15:52:46 |
| João, diga-me uma coisa, se o PRO-IFES começa a ser representativo, porque a adesão a greve é de quase 100%. Por outro lado o que a professora diz procede com toda certeza. O governo divulga uma tabela de reajustes que é repassada integralmente pela imprensa à população sem qualquer avaliação de qualidade. Eu mesmo quase caí na armadilha. Por outro lado, o ministro Aloísio disse que os beneficiados seriam mais de 80% da categoria o que os cálculos claros indicados no site demonstram claramente ser uma informação , no mínimo , equivocada (isso porque ele é um economista). Eu acho que se o governo quisesse negociar ele não teria colocado as armadilhas, teria jogado às claras, sim, porque o que parece que ele fez foi tentar convencer a população de que negociava uma proposta factível à categoria ao mesmo tempo em que no seco dos números impingia-lhe como punição uma redução salarial de forma diluída. Esse governo é do PT e para que assim se configure é mandatório que negocie mais e mais abertamente para não ir de encontro (mais uma vez) aos princípios que regeram sua fundação. |
| Assunção Cristóvão |
| Enviado em: 19/07/2012 15:53:03 |
| Excelente e instrutivo artigo. Parabéns à autora. |
| Leonardo Goulart |
| Enviado em: 19/07/2012 16:02:17 |
| Fico curioso para saber como estas questões concernentes ao jornalismo são trabalhadas pelos professores dos cursos de comunicação social. Principalmente nas universidades públicas. Muitos desses repórteres que poluem e povoam esse templo chamado Grande Imprensa são egressos dessas instituições. Professores que agora estão a sofrer nas mãos daqueles que ajudaram a se formar. Não ficou nem um carinho? Ou o ensino de CS realmente não atenta para questões éticas e pela busca da verdade? Talvez seja pertinente a pergunta: Onde erramos como docentes? Uma grande parte de uma geração de jornalistas condenados a proclamar a voz de um só: seu empregador. E pior, silenciar as mais simples verdades, um trabalho por si só hediondo num metier que se diz atento e cioso do interesse de todos e da maioria nesse nosso contexto social. Senhores e Senhoras professores de CS, reflitam. |
| antonio alfredo rodrigues e silva |
| Enviado em: 19/07/2012 21:22:09 |
| Não sabia que ainda existiam jornalistas de verdade. Parabéns pela matéria, absolutamente esclarecedora. |
| Leila Caldeira |
| Enviado em: 19/07/2012 21:54:53 |
| Quero mandar o comentario para o seu email, se puder me enviar, agradeço. |
| Luana Andrade |
| Enviado em: 19/07/2012 23:55:45 |
| Primeiramente, meus parabéns pelo excelente artigo! Esclarece se baseando em dados concretos! Isto é ciência...Ao contrário do que se vê nas mídias oficias, as quais, infelizmente, a grande maioria das pessoas tem acesso e acreditam cegamente. Faltam jornalistas de verdade que venham esclarecer e derrubar essa imprensa corrompida! Parabéns mesmo pelo excelente trabalho! |
| João Araujo |
| Enviado em: 20/07/2012 07:20:25 |
| Ibsen, o Andes e os colegas precisam entender que negociação é incompatível com radicalização. O ANDES precisa entender que uma coisa é lutar para que a proposta de reajuste não prejudique nenhuma classe ou nível, outra coisa é a formulação de um plano de carreira. O Andes precisa entender que não há como impor a sua visão de plano de carreira (que não é consensual entre a categoria). Se quer fazer assim, que entre em contato com parlamentares esquerdistas para apresentarem o SEU plano.Uma vez no Congresso, um projeto de plano de carreira (do Governo, do ANDES)sofrerá inúmeras emendas enquanto tramitar. Enfim, o ANDES e os colegas precisam parar com este ridículo e mentiroso discurso de que o governo atual e o anterior trataram a educação com descaso. Não trataram. O REUNI teve problemas estruturais, mas cerca de 40% dos professores em greve só estão em greve porque conseguiram emprego graças a este mesmo REUNI, isto há pouco tempo: há um, dois, no máximo três anos. Antes tinham de ralar em universidades privadas, que atrasam salários, não depositam FGTS, etc e etc. Para um professor de uma universidade privada ganhar o que um Adjunto I das Federais ganha, precisaria trabalhar 35 horas aulas semanais (exceto se for da PUC, da FGV, do IBMEC ou da ESDI e ESPM). Bem, ou negociamos ou a última palavra será da Justiça do Trabalho ou do STJ. |
| Diana Lunardi |
| Enviado em: 20/07/2012 07:23:54 |
| Obrigada pela belíssima matéria. Eu realmente precisava de um bom texto. E... "eu nunca mais vou ler jornal do mesmo jeito" |
| Guilherme Lima |
| Enviado em: 20/07/2012 10:51:31 |
| Senhores, muitos ainda não perceberam as armadilhas escondidas na "proposta" de reajuste do governo. Vou resumir as atribuições do professor universitário em três itens: atividades didáticas (aulas e orientações de graduação e pós), pesquisa científica (e suas publicações) e atividades de extensão universitária. Na proposta do governo, para o professor almejar uma progressão de nível, cujas regras ele pretende publicar somente depois da aceitação da proposta, o docente deverá cumprir uma quantidade mínima de horas/aula que é quase o dobro da quantidade adotada como ideal em muitas universidades hoje para o professor conseguir realizar as outras duas atividades. Isto, é o professor, para ter o aumento de 1% a 4% em três anos, dependendo das expectativas de inflação, deverá dobrar a sua carga didática e, de maneira intrínseca, aumentar a sua produtividade em pesquisa, extensão e preparação de aulas, uma vez que o tempo é um recurso escasso para todos (no meu caso, avalio que esse aumento giraria em torno de 20%-30%). Conclusão: a situação atual é muito melhor do que a situação proposta pelo governo; ficar do jeito que está é mais vantajoso para os professores! Aceitar a proposta significa renunciar as atividades de pesquisa científica e extensão! Quem em sã consciência aceitaria uma proposta de aumentar seu trabalho total que pode ati |
| Ibsen Marques |
| Enviado em: 20/07/2012 13:58:14 |
| Olá João, obrigado pelos esclarecimentos. Vale aqui salientar que não sou professor, mas tenho o maior interesse na Educação. Eu concordo com você que os dois governos Lula foram os que mais investiram em educação no país. É parte de meus comentários a afirmação de que precisamos que um "analfabeto" (como dizem os preconceituosos) assumisse a presidência para que tivéssemos algum investimento na Educação para todos. É óbvio que há tudo o que melhorar, mas também é inegável que o Lula colocou o FHC e todos os seus antecessores no chinelo no quesito Educação. |
| ricardo reis |
| Enviado em: 20/07/2012 21:10:37 |
| este sim éokkkkk um entedimento!!! |
| João Ribeiro |
| Enviado em: 21/07/2012 08:02:06 |
| Guilhereme, uma coisa é o reajuste, outra o plano de carreira. Em relação ao primeiro, reajuste-se o reajuste, corrija-se as distorções entre níveis e classes contidas na proposta. Em relação ao segundo, não aceitemos o aumento da carga horária em sala de aula, para não prejudicar a carga de pesquisa e a de extensão (nossos colegas das universidades privadas só têm hora-aula, não têm hora-pesquisa nem hora-extensão). Enfim, negociemos. O governo já reduziu o número de passos da carreira, de 17 para 13. Mas o ANDES, que já está negociando o reajuste salarial, decidiu que o SEU "plano de carreira é inegociável". Naturalmente está blefando, fazendo birra, e assim vai estragar a própria vitória que foi a conquista do reajuste.Vinte anos depois da queda do muro, e a burrice infanto-esquerdista continua pontificando em nossas universidades federais. |
| regina lucia muniz de almeida |
| Enviado em: 21/07/2012 08:50:26 |
| A reportagem é muito esclarecedora, infelizmente para poucos que se aventuram a não ler, assistir ou ouvir, especificamente os veículos de massa que hoje estão "a favor" do comercial, do sensacionalismo que embota a população de pensar, ter raciocínio crítico diante da verdade, que é mascarada! |
| André Guimarães |
| Enviado em: 21/07/2012 19:35:09 |
| Jornalismo cego? Fora a Record, que é abertamente governista por ter lá suas vantagens, Globo, Folha, Estadão, Veja e cia., devem estar é muito satisfeitos ao finalmente constatarem que o Desenvolvimento da Educação e a Expansão Universitária alardeadas pelas propagandas do Governo do PT desde Lula não representam exatamente a ameaça que eles imaginavam, porque simplesmente não tem a consistência e a qualidade anunciadas, ainda que não represente exatamente um desastre. A grande mídia (elitista) brasileira sempre bateu nessa expansão (lembrem do "elefante branco no meio do sertão", rótulo dado pela Veja à UFRB), sempre bateu no ENEM/SISU, REUNI, cotas e em tudo que parecesse querer levar uma educação de qualidade às camadas menos favorecidas da sociedade brasileira. Claro que agora eles não vão ajudar as categorias que estão lutando por uma expansão de melhor qualidade. Eles não são nada cegos!!! Eles enxergam longe, conforme os interesses da elite a que representam. |
| João Paulo Teixeira |
| Enviado em: 23/07/2012 08:14:18 |
| Concordo com a preguiça dos jornalistas, principalmente no raciocínio matemático e na apuração global dos fatos, mas faço três observações em relação ao texto: 1 - Números e índices podem ser utilizados com diversos fins. A autora convoca o IGP-M como índice inflacionário (indicador usado nos cálculos do professor de matemática citado no artigo). O IGP-M é calculado pela FGV e é, devido à metodologia aplicada, substancialmente superior ao IPC-A, índice auferido pelo IBGE. Não conheço categoria que consiga, a médio e longo prazos, superar o IGP-M nos reajustes salariais. 2 - A autora, que tanto convoca a necessidade de apuração, cita a MP 559, que, segundo ela, "concede às instituições particulares de ensino R$ 15 bilhões sob a forma de renúncia fiscal", enquanto os reajustes aos professores das federais causariam impacto de R$ 3,9 bilhões. Hora, não é misturar alhos com bugalhos? Não é usar um dado completamente alheio à questão para promover uma "guerra de números" entre privadas e públicas? 3 - A autora é jornalista e professora de uma universidade federal. Por que os alunos dela, que hoje devem ocupar importantes funções na imprensa nacional, não dão conta do recado? Todos os jornalistas formados pela UFF são igualmente incompetentes? Se a resposta for positiva, o governo deveria questionar o trabalho dela e, de forma alg |
| Sergio Leo |
| Enviado em: 23/07/2012 15:18:31 |
| Espero que a professora da UFF, envolvida na campanha salarial, não ensine jornalismo econômico assim aos estudantes. Ela incorpora o cálculo interessado do professor com a mesma ausência de crítica que atribui aos repórteres. Sou jornalista, faço contas e estou acostumado a malabarismos com índices, como o feito pelo professor de matemática ao escolher logo o IGP-M, que não é índice de inflação ao consumidor, mas ao atacado, convenientemente mais alto (devido á alta de commodities), para fazer seu cálculo. Se fizesse com o IPCA talvez tivesse problemas em provar sua tese. Mas nem podemos checar, porque o professor cita o IGP-M e, num passe de mágica, estima a inflação futura em 20%, sem explicitar que hipóteses usou para chegar a esse número. O IGP-M entra no argumento para dar aoparência de cientificidade ao que o próprio professor admite ser um chute. Poderia ter citado qualquer índice; o de produtividade dos funcionários da UFF, por exemplo, e usá-lo no artigo, porque ao fim ele comparou o reajuste de salários com uma estimativa de inflação tirada da própria cabeça. |
| Heron Carvalho |
| Enviado em: 24/07/2012 10:52:47 |
| Em que lei da natureza está escrito que a carreira de Doutor deve iniciar como Adjunto ? Isso era verdade devido aos baixos salarios de Auxiliar e Assistente e a necessidade de estimular o ingresso como Doutor. O que o governo precisa é propor um salario de Auxiliar I para doutores equivalente ou maior ao que se para o de Adjunto I atual. |
| Ângelo Magalhães silva |
| Enviado em: 24/07/2012 17:24:10 |
| Muito esclarecedor o seu artigo. Que sirva de estímulo aos docentes resignados à ideologia do produtivismo acadêmico, e que corte, como "faca amolada", outros entendem e usam as universidades federais como "bico". |
| Elias Gomes da silva |
| Enviado em: 24/07/2012 18:14:14 |
| A gloriosa UFF. Não fosse por vocês a grande maioria das pessoas seriam enganadas por um governo de ditadura branca,que ao mesmo tempo que espreme a educação, a saúde e os trabalhadores, usurpam com mãos de ferro o nosso País. |
| Shirley Lids |
| Enviado em: 26/07/2012 11:27:40 |
| Eu não seria tão inocente em acreditar em um suposto despreparo ou negligência. Esse jornalismo já é publicidade faz tempo. Quer informar desse jeito de mãos limpas faz um blog. É o que resta. Mas isso não é ruim. Péssimo as pessoas não terem consciência disso. Esse tipo de coisa a nossa escola não ensina. |
| Antonio Caminha Muniz Filho Caminha Muniz |
| Enviado em: 29/07/2012 21:23:58 |
| No Brasil, não vejo solução para problemas sérios, como o analfabetismo. O aprimoramento cultural está nesse gênero. Por isto é que somos e temos tudo para continuar fazendo "genuflexão" a outrem.Os professores são uma das molas mestra do soerguimento da Nação. Seu prestígio é a grande e única motivação ao desenvolvimento da nossa cidadania. Primeiro pela educação, depois pelo resto. A qualidade do professorado - em quelquer nível - é a saída à essa consecução. O ensino desqualificado pelo desestímulo do magistério é o que muitos querem, menos os cidadãos verdadeiramente patrióticos. Patriotismo é, também, isto: lutar pelo melhor. Afinal, qualidade é um intento; quantidade acaba sendo desqualificação. |
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