CASO LAERTE
O cartunista fantasiado
Por Luciano Martins Costa em 27/01/2012 na edição 678
Comentário para o programa radiofônico do OI, 27/1/2012
A Folha de S.Paulo traz para suas páginas, na edição de sexta-feira (27/1), um incidente protagonizado por seu cartunista Laerte Coutinho, que desde 2010 se exibe em público vestido de mulher. Laerte não se assume homossexual, apenas se declara adepto do crossdressing, ou a prática de se vestir como o gênero oposto.
Travestido, Laerte comparece com alguma frequência a uma pizzaria na zona oeste de São Paulo, costumeiramente acompanhado de sua namorada. Numa dessas noites, ele foi censurado por um sócio do restaurante por usar o banheiro feminino.
O caso foi parar nas redes sociais, por iniciativa do cartunista, que também anunciou sua intenção de ingressar com ação na Justiça para assegurar seu suposto direito de usar o banheiro que quiser.
Tudo não passaria de mais uma grotesquerie destes tempos em que sexualidade, genitalidade e a obsessão pela exposição midiática se misturam num grande cenário de reality show, não fosse o jornal trazer a querela à suas páginas, com pretensão de transformá-la em polêmica relevante.
Lei específica
Laerte não teve cerceado seu acesso ao restaurante, foi atendido normalmente como qualquer cliente. Apenas lhe foi solicitado que usasse o banheiro dos homens, pois, no entendimento dos proprietários da pizzaria, sua presença no sanitário feminino havia provocado constrangimento em uma cliente que ali se encontrava com uma filha pequena.
Segundo a Folha, o caso foi parar na Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo, depois que Laerte se queixou no Twitter, julgando-se discriminado. De acordo com o jornal, ele recebeu um telefonema da coordenadora estadual de políticas para a diversidade sexual, que lhe teria dado apoio, garantindo que pode reivindicar seus direitos. O jornal apenas não informa que direitos são esses – se o de andar travestido, de usar o banheiro das mulheres em lugares públicos, ou de se declarar cidadão com dupla cidadania. Segundo afirmou, o cartunista quer poder escolher qual banheiro usar, conforme seu humor estiver mais feminino ou masculino em cada circunstância.
O caso já mobilizou associações de travestis e transexuais, embora Laerte não se declare nem uma coisa nem outra. Consultada pela Folha, a presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil declarou que não há uma lei específica para o caso.
Uma questão para o Supremo
Na redação do jornal, colegas do cartunista dizem que ele teve o comportamento alterado após a perda de um filho, morto em acidente automobilístico. Laerte Coutinho afirma que se encontra em pleno domínio de suas emoções e elabora uma intrigante teoria acerca da conveniência de romper o que chama de “código da cultura binária”. Vestir-se de mulher sem deixar de se comportar como homem seria uma dessas atitudes que, na sua opinião, poderiam criar uma “cultura alternativa” para a sociedade, cujas regras ele considera limitadoras.
Mas ele não pode reclamar o prêmio no quesito originalidade: por mais que insista na teoria da quebra de tabus, o cartunista não pode escapar ao fato de estar apenas imitando o artista plástico Flávio de Carvalho, que se exibiu em público vestindo saias, como parte de um manifesto artístico, no distante ano de 1956.
Ao se declarar nem homem nem mulher, Laerte Coutinho apenas repete na vida civil o que faz na política o prefeito de São Paulo. Para evitar interpretações maliciosas, basta lembrar que, ao lançar seu partido, Gilberto Kassab afirmou que o PSD não seria de direita, nem de esquerda e muito menos de centro.
Mas como aqui tratamos de analisar a imprensa, voltemos ao texto da Folha de S.Paulo. A rigor, o jornal paulista não demonstra ser contra ou a favor das escolhas de vestuário e de banheiros de seu cartunista. Apenas pretende que o tema seja assunto de interesse jornalístico, da mesma forma como o Globo e demais veículos do grupo Globo pretenderam que fosse tomado como questão relevante na vida real o comportamento de personagens do Big Brother Brasil debaixo do edredon.
Considerando-se a recente carnavalização do Judiciário, é muito provável que a questão do banheiro do cartunista travesti acabe no Supremo Tribunal Federal – e poderíamos então acompanhar um instigante debate entre os senhores ministros sobre o gênero de vestimentas mais nobres, como a batina sacerdotal ou a toga dos magistrados.
Enquanto isso, talvez fosse o caso de a Folha de S.Paulo produzir um reality show protagonizado por Laerte, através do qual os internautas e telespectadores pudessem opinar na escolha de seus adereços e fazer apostas sobre o banheiro que ele irá usar.
O show não pode parar. Já o jornalismo...
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| Luiz Freitas |
| Enviado em: 27/01/2012 11:08:55 |
| quanto ranço e reacionarismo! dá pra ver de longe que existe alguma picuinha pessoal ou mero despeito mesmo. e olha que nem estou do lado do laerte nessa questão do banheiro, o que não significa que o debate não seja completamente válido e que o manifesto do laerte não seja relevante. se acha que a intenção dele é espetacularizar uma situação, por que estás repercutindo o assunto? faz questão de participar do espetáculo também, posicionando-se acima da catástrofe anunciada? pff, patético |
| FortalezaEdemar Motta |
| Enviado em: 27/01/2012 11:17:28 |
| Se as atitudes bizarras do bom cartunista decorrem de dramas pessoais, lamento muito. Mais lamentável ainda é transformar isso em notícia, pois acredito, e posso estar errado, que notícia seja algo novo de interesse público. Homem vestido de mulher, e vice-versa,são comuns, embora estranháveis em certas circunstâncias. Já homem travestido, seja por qual motivo, querendo frequentar banheiros femininos é incomum, só interessa a ele e ao dono do banheiro. Não explicito o que penso para não ser apedrejado, nestes tempos de "politicamente correto", mas que parece coisa de ..., parece. |
| Ricardo Oliveira |
| Enviado em: 27/01/2012 11:33:27 |
| Se Laerte quer sair por aí vestido como mulher, isso é problema ou solução dele. Pelo que entendi, seu comportamento, continua masculino, mesmo com toda a fantasia feminina. Já o uso específico de sanitários existe, pois os hábitos e necessidades tem suas diferenças. Certamente Laerte, estaria incomodando as mulheres em um banheiro feminino. Será que Laerte usa absorventes para menstruação e necessita ir ao banheiro para trocá-los ? Quanto a se vestir como mulher não é original, como disse o autor. Vale lembrar, que na década de 1970, Caetano Veloso apareceu em público com saia e bustier, cantando uma canção que dizia " eu sou neguinha" Laerte deve estar tentando alguma visibilidade, ou quem sabe vivendo uma profunda crise de identidade. Um outro caso também chamou a atençao de todos. Também lá pela década de 1970, o , machão Carlos Imperial, apareceu em um festival da canção vestido de índia com direito a saiote. Neste caso mais por deboche do que por preferência sexual ou crise de identidade. São várias as histórias, cada uma em seu tempo, com todo o repertório de esquisitices. Se Bussunda estivesse vivo diria que isso é coisa de paulista. |
| Luiz Fernando MF |
| Enviado em: 27/01/2012 11:46:56 |
| Acredito que, neste caso, faltou certo bom senso ao cartunista. É digna de respeito a motivação da conduta assumida por ele. A transgressão de certas normas faz-se necessária quando há o império do preconceito (de gênero, sexual, étnico etc). Porém, parece-me evidente que querer integralmente usufruir de ou submeter-se aos elementos constitutivos do sexo oposto é uma premissa que se contrapõe a nossa essência e constituição (intelectual e material). Aspectos religiosos do tema à parte, a natureza fez-nos o que somos e não há como desfazer este imperativo. |
| Luciano Martins Costa |
| Enviado em: 27/01/2012 14:07:08 |
| Caro amigo, cara amiga: se pudesse escolher o banheiro do restaurante, qual preferiria? O masculino, que costuma ter menos fila, ou o feminino, que sempre está mais limpo. Num país onde milhões não têm sequer a meia cidadania, o que você acha de ter duas cidadanias, para escolher conforme seu estado de espírito? Ou será que isso é apenas uma questão de gênero? |
| Teócrito Abritta |
| Enviado em: 27/01/2012 18:33:31 |
| Em um país de farsantes, onde a própria "presidenta" tenta parecer o que não é (estou falando da falsa faxineira), a Folha, Laerte, o Globo etc apenas seguem a moda de muita baixaria neste circo do ridículo. |
| Paulo Pereira |
| Enviado em: 28/01/2012 03:55:36 |
| Esse texto é mesmo do Luciano Martins Costa? |
| Elton Vergara Nunes |
| Enviado em: 28/01/2012 09:41:36 |
| Será que no jornal onde trabalham, as colegas mulheres nascidas e assumidas dividem o mesmo banheiro com esse senhor de saia? |
| Geraldo Silva |
| Enviado em: 28/01/2012 18:23:13 |
| A Globo queria que fosse tomado como questão relevante na vida real o comportamento de personagens do Big Brother Brasil debaixo do edredon? Uai, tava todo mundo dizendo que a Globo tinha abafado o caso e que ele só veio à tona graça a ações da turma das redes sociais. Acho que para vocês intelectuais e pseudo intelectuais o importante é falar mal da Globo, mesmo que os motivos sejam paradoxais. |
| Gabriela Galvão Marques |
| Enviado em: 28/01/2012 21:51:07 |
| Meu senhor, o Laerte ñ menciona qebra de tabus reinvindicando ou pretendendo ser 'avant garde'. O caso é qe, haja visto este texto -supostamente um colunista do Observatório da Imprensa deveria ser dotado de senso crítico apurado-. Até hoje se travestir é sim, uma atitude qe gera discriminação (pra mim ñ é preconceito. Ó pós conceito; discriminação) e por isso, qem a banca está contribuindo sim para o alargamento de parâmetro de gênero e sexualidade e portanto, para o enriqecimento da nossa sociedade. No entendimento dos proprietários a presença dele no sanitário feminino havia provocado constrangimento em uma cliente qe ali estava com sua filhinha? A senhora achou ofensivo um travesti no banheiro feminino? Ultrajante? Mal exemplo? Por qe? Duvido qe Laerte tenha exibido a genitália... Para travestis e transex se empatizarem com a indignação de Laerte ele ñ precisa se declarar nem uma coisa e nem outra, mesmo. O caso é qe eles sabem pelo qe ele passou: discriminação. Sobre o 'BBB': Aqilo lá é vida real, meu senhor. O qe se passa ali pode ser de péssimo gosto, pode ser nada divertido, mas sim; é relevante. Os cidadãos qe ali se encontram podem não te parecer os da melhor estirpe qe há, podem até de fato nem ser da melhor estirpe qe há, as são gente. Gente é relevante. E para alguns isso ñ passa de 'show'; veja você... Por incrível qe possa parecer. |
| Christina Montenegro |
| Enviado em: 29/01/2012 12:11:30 |
| Caro Luciano: A cada dia que passa me espanta o quanto andamos para trás. Não para nos informarmos profíquamente com o que a sabedoria do passado têm a nos fornecer ( o que seria formidável!), mas para nos armarmos de pedras que já foram jogadas em Outro(s). O debate sobre o que é Gênero, o leque imenso do que isso PODE significar, e a liberdade humanista que pode gerar, parece um assunto ainda não dominado por muitos e você; me perdoe! Não que o seja por mim: quanto mais o estudo, mais tenho a estudar. E mais! Quanto mais ESCUTO o Outro (é, com respeitoso O maiúsculo, mesmo) - o que é sem dúvida um 'vício' profissional, mais quero ESCUTAR, para mais REFLETIR. Pedra jogada é perda de tempo para quem preza um humanismo mínimo: para quem deseja um futuro mais libertário e reflexivo para seus descendentes. Não quero nenhum avanço 'imediato' para meu próprio deleite. Mas pedras não jogo; prefiro a famosa gotinha de água para apagar os incêndios do Betinho. Quero menos filicídio, menos homofobia e mais fraternidade assim que for possível, o que fica muito mais lento com gente em papéis de responsabilidade como o seu, que preferem se manter num grosseiro (e infrutífero de reflexão) paleolítico. É tão grave uma atitude como a sua,que me disponho a te dar de presente ao menos meu próprio livro, "Homem ainda não existe - Compartilhando reflexões para que ele exista";use meu e-mail.Bjs |
| Luciano Martins Costa |
| Enviado em: 29/01/2012 23:29:22 |
| Gabi, querida, a vida tem dessas angustias. E outras. O desafio é administrá-las de uma forma criativa e madura. A liberdade dele pode se estender até o constrangimento dos outros? Por que razão uma mulher tem que tolerar um homem no banheiro feminino? E o que é que isso tem a ver com afirmação de gênero? E, Luiz Freitas, |
| Luciano Martins Costa |
| Enviado em: 30/01/2012 10:11:16 |
| Christina, me preocupam interpretações apressadas como a sua. Também quero "menos filicídio, menos homofobia e mais fraternidade assim que for possível". Mas para isso precisamos de um debate mais honesto. Paleolítico é considerar que o fato de alguém questionar, esteticamente, um homem feio vestido de mulher feia seja homofobia ou aversão à diversidade de gêneros. Laerte vestido de mulher é apenas uma grotesquerie, nada mais. O resto é lucubração - veja o sentido original do termo. A questão principal - o direito de buscar a realização pessoal na companhia e na intimidade com pessoas do mesmo sexo - não está em discussão neste caso. Aqui, se trata apenas da questão social: ele, vestido de ela, tem o direito de levar sua fantasia ao ponto em que constrange outras pessoas - por exemplo, partilhando a intimidade de pessoas do outro sexo? Veja: o fato de ele se vestir de mulher não o torna uma mulher. Esse o ponto central nesta nossa sociedade feita de exibicionismo, futilidades e opiniões rasas. Essa "falsa questão" dissimula o que realmente precisamos discutir para avançarmos como sociedade. Mais não digo porque preciso afiar meu machado de pedra. |
| Gabriela Galvão Marques |
| Enviado em: 30/01/2012 20:46:45 |
| "Gabi, querida (...)": ??? O tom mostra o nível do cidadão. Sem mais. |
| Gabriela Galvão Marques |
| Enviado em: 30/01/2012 21:17:34 |
| Ñ vou conseguir, ñ. Já qe 'pari Mateus', agora o embalo. Luciano, por que razão uma mulher não toleraria um homem no banheiro femino, se ele ñ a abordasse de modo grosseiro ou algo qe o valha? A segunda pergunta é ululantemente descabida e ilustrativa de qe o senhor não pensa a qestão. Fora o qe vc falou para a Christina. "Laerte vestido de mulher é apenas uma grotesquerie, nada mais. " O qe é isso, Luciano? "ele, vestido de ela, tem o direito de levar sua fantasia ao ponto em que constrange outras pessoas - por exemplo, partilhando a intimidade de pessoas do outro sexo? Veja: o fato de ele se vestir de mulher não o torna uma mulher." "Ele se vestir de ela" não é uma fantasia, leia um pouco mais a respeito e perceberá. Ele não partilhou da intimidade de ninguém, ali, presumo. Porqe é certo qe ele ñ invadiu nenhuma cabine nem se exibiu, céus! Acredite: você deve estudar mais a respeito de gênero/sexualidade. Pode ser qe aconteça, mas dificilmente seguirá sustentando as mesmas opiniões, esteja certo. Rasas são as suas colocações sobre o caso. É o pensamento predominante, infelizmente. Completamente mal embasado, eqivocado, pouco articulado, preguiçoso. Mas o caso não é sem remédio, dotô. Se for levar isto mais adiante, favor afiar o senso de humor e a elegância. |
| Sônia M. Ramires Almeida |
| Enviado em: 31/01/2012 10:30:25 |
| Agora é que me dei conta. A polêmica do xixi parece que foi criada para promover evento http://www.justica.sp.gov.br/novo_site/Evento.asp?Evento=875 Não sei se a Folha caiu na armação ou se foi cúmplice. |
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