VEJA & CACHOEIRA

Roberto Civita não é Rupert Murdoch

Por OG em 09/05/2012 na edição 693

Editorial reproduzido de O Globo, 8/5/2012; intertítulos do OI

 

Blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista Veja, na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta.

A operação tem todas as características de retaliação pelas várias reportagens da revista das quais biografias de figuras estreladas do partido saíram manchadas, e de denúncias de esquemas de corrupção urdidos em Brasília por partidos da base aliada do governo.

É indisfarçável, ainda, a tentativa de atemorização da imprensa profissional como um todo, algo que esses mesmos setores radicais do PT têm tentado transformar em rotina nos últimos nove anos, sem sucesso, graças ao compromisso, antes do presidente Lula e agora da presidente Dilma Roussef, com a liberdade de expressão.

A manobra se baseia em fragmentos de grampos legais feitos pela Polícia Federal na investigação das atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira, pela qual se descobriu a verdadeira face do senador Demóstenes Torres, outrora bastião da moralidade, e, entre outros achados, ligações espúrias de Cachoeira com a construtora Delta.

As gravações registraram vários contatos entre o diretor da Sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Jr, e Cachoeira. O bicheiro municiou a reportagem da revista com informações e material de vídeo/gravações sobre o baixo mundo da política, de que alguns políticos petistas e aliados fazem parte.

Quebra de sigilo

A constatação animou alas radicais do partido a dar o troco. O presidente petista, Rui Falcão, chegou a declarar formalmente que a CPI do Cachoeira iria “desmascarar o mensalão”.

Aos poucos, os tais blogs começaram a soltar notas sobre uma suposta conspiração de Veja com o bicheiro. E, no fim de semana, reportagens de TV e na mídia impressa chapas brancas, devidamente replicados na internet, compararam Roberto Civita, da Abril, editora da revista, a Rupert Murdoch, o australiano-americano sob cerrada pressão na Inglaterra, devido aos crimes cometidos pelo seu jornal News of the World, fechado pelo próprio Murdoch.

Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé, pois o jornal inglês invadiu, ele próprio, a privacidade alheia.

Quer-se produzir um escândalo de imprensa sobre um contato repórter-fonte. Cada organização jornalística tem códigos, em que as regras sobre este relacionamento – sem o qual não existe notícia – têm destaque, pela sua importância.

Como inexiste notícia passada de forma desinteressada, é preciso extremo cuidado principalmente no tratamento de informações vazadas por fontes no anonimato.

Até aqui, nenhuma das gravações divulgadas indica que o diretor de Veja estivesse a serviço do bicheiro, como afirmam os blogs, ou com ele trocasse favores espúrios. Ao contrário, numa das gravações, o bicheiro se irrita com o fato de municiar o jornalista com informações e dele nada receber em troca.

Estabelecem as Organizações Globo em um dos itens de seus Princípios Editoriais: “(...) é altamente recomendável que a relação com a fonte, por mais próxima que seja, não se transforme em relação de amizade. A lealdade do jornalista é com a notícia”.

E em busca da notícia o repórter não pode escolher fontes. Mas as informações que vêm delas devem ser analisadas e confirmadas, antes da publicação. E nada pode ser oferecido em troca, com a óbvia exceção do anonimato, quando necessário.

O próprio braço sindical do PT, durante a CPI de PC/Collor, abasteceu a imprensa com informações vazadas ilegalmente, a partir da quebra do sigilo bancário e fiscal de PC e outros.

Sem desmentidos

O Washington Post só pôde elucidar a invasão de um escritório democrata no conjunto Watergate porque um alto funcionário do FBI, o “Garganta Profunda”, repassou a seus jornalistas, ilegalmente, informações sigilosas.

Só alguém de dentro do esquema do mensalão poderia denunciá-lo. Coube a Roberto Jefferson esta tarefa.

A questão é como processar as informações obtidas da fonte, a partir do interesse público que elas tenham. E não houve desmentidos das reportagens de Veja que irritaram alas do PT.

Ao contrário, a maior parte delas resultou em atitudes firmes da presidente Dilma Roussef, que demitiu ministros e funcionários, no que ficou conhecido no início do governo como uma faxina ética.

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 José Albino
 Enviado em: 09/05/2012 10:50:51
“Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé, pois o jornal inglês invadiu, ele próprio, a privacidade alheia.” Gustavo Ribeiro, jornalista da revista Veja e funcionário de Roberto Civita, tentou invadir um quarto de hotel de um político em Brasília, usando para isso de toda argumentação de má fé, usando-se de falsidade ideológica, entre outros crimes, apenas a “serviço próprio”, sem que seu empregador estivesse de acordo com a operação, e caso esta tivesse sido completada, o próprio Roberto Civita se encarregaria de barrar “éticamente” a divulgação da reportagem, demonstrando que sim, Roberto Civita não é de longe comparável a Murdoch. É isso que é para acreditar? Como são perigosos esse blogs de hoje em dia...
 Washington Ferreira
 Enviado em: 09/05/2012 15:19:06
O título certo do editorial do jornalão das Organizações Goebbels deveria ser "Passando o recibo". As cinco "famiglias" da mídia tupiniquim deveriam fazer companhia à Cachoeira na Papuda, se aqui fosse a Inglaterra.
 José de Almeida Bispo
 Enviado em: 09/05/2012 16:24:14
Tá bom! Para O Globo "os nossos ladrões são melhores que os dos outros". O cara é pego com dinheiro na cueca lá se vão seis, sete anos de escarcéu; mas a revistona é pega em sociedade com bandido e isso "é jornalismo". O pessoal do Globo está se achando acima até de Deus, é? Ou tá de rabo preso e com medo da Veja vomitar sobre seus sócios?
 Ibsen Marques
 Enviado em: 09/05/2012 23:15:15
A grande mídia me enoja.
 Fábio de Oliveira Ribeiro
 Enviado em: 10/05/2012 09:37:54
O autor tem razão, Civita não é Murdoch. Afinal, com ajuda da imprensa Murdoch teve que se apresentar para depor numa CPI inglesa e corre o risco de ficar impedido de produzir e vender lixo jornalístico na terra da rainha. E aqui a "boa imprensa" parte ferozmente em defesa dos privilégios senhoriais de Civita e faz tudo para ele não depor na CPI, nem ser investigado, nem incomodado na internet. PS: Desde logo recuso aqui a designação de "chapa branca", pois não defendo nem o Civita, nem o Cachoeira, mas apenas o interesse público com o qual o autor do texto parece descomprometido em razão de sua apaixonada defesa do nosso Murdoch.
 Atílio Alvares
 Enviado em: 10/05/2012 10:23:36
A quem o escritor desse artigo pensa enganar? Talvez, apenas aos leitores de Veja e de O Globo.
 Jonas Santana
 Enviado em: 10/05/2012 11:41:17
Esse cidadão empresta sua caneta e seu cérebro a mídia corrupta e desqualificada da nação. O Cachoeira mandava e desmandava nas redações dos jornalões. Seu relacionamento era quase de chefia. A mídia golpista não divulgou as informações eticamente, ela propagou e se vendeu ao crime. Cadeia a todos.
 Armando Luís Serra
 Enviado em: 10/05/2012 12:57:34
O senhor que escreveu o texto deve estar muito preocupado pelo fato de defender a Veja (indefensável ao meu modo de ver), caso contrário não teria ocultado sua identidade. Acho muito estranho isso e um péssimo hábito que existe nas pessoas que moram neste país de esconder-se e criticar tudo e todos. Não acho que a esquerda brasileira seja lá essa maravilha, mas a elite e aqueles que a patrocinam são escandalosamente imorais neste país. A imprensa de esquerda é chapa branca? E a iimprensa de centro e de direita é o que? Chapa preta??? Realmente está cada vez mais difícil confiar em jornalistas, pois quando queremos nos informar sobre um assunto, os que menos esclarecem são eles. Melhor ler um livro (escrito por especialistas, naturalmente!!!).
 Antonio Rodrigues
 Enviado em: 14/05/2012 11:23:26
Nem acredito que li este texto. Que Deus, se é que existe, nos salve. A coisa é mais séria do que eu pensava: é caso de cegueira incurável...
 Lucas Costa
 Enviado em: 15/05/2012 16:52:47
Risível... Só não dá para comparar 100% com Murdoch porque 1) Murdoch teve o jornal implicado até mesmo em um caso de homicídio, atrapalhando investigações sobre o sumiço de uma menina e 2) Lá o Cidadão Kane real teve que prestar esclarecimentos aos poderes constituídos. No caso do Brasil, não duvido nada que a grande imprensa venha a cometer crimes graves na sua busca pelo assassínio de redações. Mas duvido muito que seja responsabilizada de alguma forma. Por isso Civita de fato não é Murdoch.

OG

canaldoleitor@ig.com.br