RELIGIÃO, RÁDIO E TV

Sobre pastores e astrólogos

Por Ulisses Capozzoli em 15/08/2011 na edição 655

Num seminário recente, no Rio, ouvi o relato de um dos componentes da mesa sobre a reação de parte de crianças à ideia de o universo ter a idade aproximada de 14 bilhões de anos, informação que os jornais divulgam quase diariamente. Essas crianças, que frequentam determinado espaço dedicado à ciência – influenciadas pelo criacionismo e interpretações fundamentalistas religiosas do mundo – segundo o palestrante, sorriem com desdém sobre a científica idade do cosmos.

Isso significa que, antes de estarem criticamente maduras para uma apreciação sensível, inteligente e promissora da natureza, estão mentalmente dominadas pelo dogmatismo de fundo religioso que ameaça retroceder o pensamento a uma repugnante idade das trevas. E o mais desconcertante: o palestrante diz que “respeita esse tipo de interpretação”.

Isso não seria paradoxal se, um par de minutos depois, ele não exibisse uma arte das constelações zodiacais e, em seguida, fizesse provocativas críticas à astrologia. A questão aqui é a seguinte: se ele aceita ideias arcaicas e sem sentido, promessas despudoradamente falsas e “milagres” deslavadamente mentirosos que uma legião de “pastores” propaga diuturnamente em programas de rádio e TV, por que criar caso com a astrologia?

A resposta, a meu ver, é simples e direta: covardia e ausência de integridade científica. Não estou acusando uma pessoa em particular – isso não faria sentido. Estou me referindo a uma tendência, visível a olho nu, de se “respeitar” farsas que são verdadeiros casos de polícia, envolvendo estelionato, entre outros crimes, mas ao mesmo tempo não perdoar astrólogos.

Jornais continuarão publicando

Aqui uma rápida explicação: não estou defendendo nem atacando astrólogos e a astrologia. Estou fazendo uma comparação entre pastores e astrólogos, o que é muito diferente. Carl Sagan (1934-1996), astrônomo e divulgador científico talentoso, preveniu, em seu último livro, O mundo assombrado pelos demônios – a ciência como uma vela no escuro, sobre as consequências da impotência da ciência em sensibilizar a sociedade humana para uma perspectiva mais promissora. Se visse ou ouvisse qualquer um desses espetáculos grotescos na TV ou em inúmeras estações de rádio, envolvendo pregadores de diferentes igrejas – todas elas preocupadas com interesses mundanos –, Sagan teria descoberto que a tragédia que previu chegou mais cedo que havia pensado.

Quanto à covardia da posição a que me refiro e que não se restringe, evidentemente, a uma única pessoa, talvez possa ser entendida da seguinte maneira: criticar esses criminosos que manipulam a fé das pessoas – um valor sagrado, na acepção clássica desse termo –, hoje é literalmente como cutucar um vespeiro. Igrejas, cada vez mais concebidas como uma rentabilíssima atividade – à custa da miséria material e filosófica de boa parte da população – costumam reagir com a veemência típica de criminosos farsantes e abusadores da fé como forma de proteger seus negócios hediondos.

Já os astrólogos, para usar uma expressão cotidiana, estão “pouco se lixando” para o que dizem astrônomos e outros cientistas. Eles sabem que os jornais continuarão publicando o horóscopo diário. E possivelmente a maior parte dos leitores faça uma consulta diária a eles, mesmo sem confessar esse comportamento. E nem precisam. Esse é um direito individual elementar.

Oráculo rarefeito

E, além disso, convenhamos, a astrologia e os astrólogos não são nenhuma ameaça. Ao contrário do que ocorre com igrejas que costumam saquear financeiramente um número desconhecido de vítimas. Ou estimular ataques para a “conquista de almas”, como ocorreu no Iraque sob a obscurantista administração de Bush filho e que agora está se revelando um dos preços excessivamente caros para ser pago sem desequilíbrios estruturais.

Eventualmente, uma nota de canto de página nos jornais traz uma pequena referência a abusos dessa natureza. Curiosamente, jornais e revistas semanais, que tratam de polícia e de política, evitam esse campo minado por contradições. Pessoalmente, posso dizer que não tenho qualquer dificuldade em revelar que leio meu horóscopo diariamente, com um critério bem particular: se as previsões são boas, considero que está tudo bem. Se forem ruins, interpreto que tudo não passa de besteira e não ligo a mínima.

Talvez uma leitura possível das colunas de horóscopo publicada diariamente pelos jornais seja a de que são uma espécie de diluição homeopática do que um dia foi, por exemplo, o prestigioso Oráculo de Delfos. O horóscopo diário é o oráculo rarefeito do século 21, para atender a cultura de massas, do homem destituído de alma e de senso crítico, a que se referiram filósofos como o espanhol José Ortega y Gasset.

Ameaças à ciência

O horóscopo diário talvez seja uma espécie de bengala em que as pessoas se apoiam para enfrentar a insegurança crescente do dia-a-dia: o ônibus perfurado de balas, não por bandidos, mas pela polícia, no Rio de Janeiro. As garotinhas assaltantes e ameaçadoras, de 11 e 12 anos de idade, que atuam impunemente na Vila Mariana, em São Paulo. Os edifícios incendiados por protestos em Londres, que no passado recente já foi uma Inglaterra bem mais cool. O atirador inesperado que dispara, sem razão aparente, numa escola americana ou numa ilha paradisíaca, na Noruega.

O horóscopo, certamente, é o remanescente da idade mágica que vivenciamos na pré-história e não completamente superado, ao contrário do que se costuma crer. A astrologia e os astrólogos não são incentivadores de guerras, ao contrário do que ocorreu e continua ocorrendo com o fanatismo religioso.

E a manipulação da religiosidade de cada um talvez seja a culminância do abuso e desrespeito profundos, camuflados sob uma pretensa liberdade religiosa que, na realidade, acoberta, entre outras coisas, uma negociata política, nefasta à sociedade como um todo. Não tenho qualquer pretensão de colocar ponto final numa questão que se arrasta pelo tempo e talvez venha a ser ainda pior no futuro imediato. Ao menos se as coisas continuarem assim. Toco no assunto porque essa é uma questão profundamente afeita à ciência e à produção do conhecimento científico com base na ética, na estética e na história.

Talvez esteja na hora de se refletir um pouco mais sobre quais são, neste momento, as verdadeiras ameaças à ciência e à humanidade, seguindo as pistas deixadas por Sagan em O mundo assombrado pelos demônios.

***

[Ulisses Capozzoli é jornalista e editor chefe da Scientific American Brasil]

Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas - e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.

Nome

  Sobrenome
 
     
E-mail   Profissão
 
     
Cidade   Estado
 
     
Comentário   Confirme o código da imagem

1400
 
Recarregar imagem
   
   
   

 

 Ricardo Oliveira
 Enviado em: 16/08/2011 11:29:32
Uma boa análise. Os pastores de rádio e TV são, em maioria, incentivadores do ódio, conflito e cultivam toda sorte de intolerância, ignorãncia e medos. Através de uma dialética de inferiorização e desespero, ancorada em carisma teatral, adjetivos e perseguições, o leitor, ouvinte, telespectador é cooptado por um falso discurso do bem. Via de regra os alvos são pessoas dotadas de uma miséria intelectual, envoltas em problemas emocionais e/ou financeiros, ou seja, o estado ideal para serem cooptadas. No tocante as perseguições à outras manifestações religiosas, as religiões de origem africana são as mais visadas, pois, acreditam esses pastores/igrejas, que as religiões de origem africana são seus principais adversários na luta por um mesmo segmento da sociedade. Um erro, mas é assim que pensam. No tocante a astrologia é importante citar que na década de 1990 o Vaticano, através do Papa João Paulo II, veio a público declarar sua preocupação e apreensão pelo crescimento da astrologia. "Coincidentemente" os ataques aos astrólogos e a astrologia cresceram em exponencial, sendo, atualmente o setor evangélico, o maior crítico da astrologia. Na negação ao conhecimento científico, prefiro acreditar que é um comportamento histórico, reacionário, e imbecil da humanidade.
 José Morelli
 Enviado em: 16/08/2011 13:42:57
Sou Cristão, mas acredito na ciência, minha fé ouve da minha razão que ela é nada mais que um remanescente da era mágica, ela diz que nã oliga e continua lá, como os astrólogos. Mas compartilh ototalmente da opinião do colunista, sempre que possível prego contra o engano, e como é fácil se esconder atrás de JEsus para roubar, matar, explorar, amendrontar, usar, difamar, ter preconceitos. A religião atua lé muito feia, não sei se foi sempre assim na maioria ou na maior parte do tempo. MAs as pessoas me julgam ateu, dizem que nã oacredito em nada, mas eu acredito, só não ach oque o mundo vai acabar, não acho que o diabo more nos gays ou nas outras religiões. Acho que o "diabo"(num sentido de representação do mal), mora nessas crenças feias. Em mim a astrologia e astronomia convivem em paz sem incomodar ninguém. MAs acho que alguém já disse isso, ou algo parecido, sou ateu para os cristãos e cristão para os ateus.
 Rafael Simões
 Enviado em: 16/08/2011 15:19:21
A Igreja é uma instituição fundada por Jesus, pelo qual muitos são capacitados para, com a graça de Deus, abençoar o povo. Nas Igrejas, e mesmo ao ver um culto pela TV, as pessoas obtém aquilo que a ciência é incapaz.
 A. Carlos Pinheiro
 Enviado em: 16/08/2011 16:07:03
É próprio da condição humana transferir para o nível religioso as explicações dos fenômenos que sua razão não consegue explicar. Triste é como uns e outros exploram e manipulam este aspecto da condição humana, muitas vezes até em graduados e pós-graduados.
 Jéfte Amorim
 Enviado em: 17/08/2011 13:28:38
Sobre o comentário de A. Carlos Pinheiro: seriam graduados e pós-graduados seres "superiores" aos demais? Sobre o testo: maniqueísta, generalista e falto de argumentos, apesar da articulação e da verve linguística e questionadora. Poderia dizer que igualmente "da idade das trevas" - onde o autor enquadra o momento vivido - é a compreensão de que fé, emoção e ciência são coisas distintas e de pólos opostos. Sobre os "macro-pensamentos" do texto e do comentário por mim citado: Educação e títulos de ensino são coisas (muito) distintas. Fé e cosmovisão são valores de foro íntimo (e um Direito Humano). Discordo dessa apelação religiosa nas TVs e rádios por estes veículos serem concessões públicas, e se "um lado" tem espaço, todos devem ter (todos, porque é tolice pensar que haja apenas dois).
 Roberto Ribeiro
 Enviado em: 18/08/2011 03:49:59
Duvido que o senhor entenda o método científico ou a dimensão da ciência. Ciência não é democracia. Milhões de homens acreditavam que a Terra era o centro do universo, um só, Copérnico, acreditava no contrário e a Terra não deixou de girar. Galileu desistiu de defender essa ideia para se salvar, e, entretanto, a Terra continuou se movendo. A terra tem bilhões de anos de existência, não há plebiscito que mude isso. Logo, quem não aceitar isso, vai ser enterrado numa terra com bilhões de anos, igualzinho a quem não acredita. Ciência não precisa de crentes. Se as pessoas não se informam pelos meios científicos, pior pra elas, fim, acabou, não sou eu quem vou ficar com um megafone no pescoço gritando que horóscopo é falso. Ele é falso e pronto, para mim basta.
 Enezio E. de Almeida Filho
 Enviado em: 18/08/2011 05:54:33
Pretendo replicar cientificamente a este artigo, pura retórica de um materialista filosófico, aqui: http://pos-darwinista.blogspot.com/2011/08/desonestidade-cientifica-de-ulisses.html
 Lúcio Mazzaro
 Enviado em: 18/08/2011 08:03:34
Caro Roberto Ribeiro, discordo de seu posicionamento sobre saber ou não saber sobre a realidade do Universo ter uma aparente irrelevância; realmente, isto pode não afetar o funcionamento do UNIVERSO, mas afeta sim o funcionamento da HUMANIDADE, pois conhecer alguns destes aspectos do Universo (a Terra ser redonda; a Terra não ser o centro do Universo) possibilitou ao Humano se libertar de (e desmascarar) dogmas religiosos que direta ou indiretamente estão a eles atrelados; quando vc diz "Se as pessoas não se informam pelos meios científicos, pior pra elas", na verdade é pior para os que NÃO se sujeitam aos dogmatismos religiosos, pois a tendência daqueles que a eles se sujeitam é quererem impor, pelas diversas esferas sociais, a mesma sujeição ao restante.
 Roberto Santos
 Enviado em: 18/08/2011 09:59:20
Ótima argumentação! Concordo.
 Edson Marcon
 Enviado em: 18/08/2011 13:26:08
Lúcio Mazzaro: Concordo com vc. Enézio: Se replicar o artigo, ele virá recheado de meias-verdades e principalmente de frases de textos científicos tirados do contexto original, que é a técnica mais comum para dar um ar ¨científico¨ em textos criacionistas. Técnica manjada!
 Márcio Tonetti
 Enviado em: 18/08/2011 17:25:05
Não há nada mais anticientífico do que a generalização. Além de perigosa, é ofensiva. A história também está cheia de fraudes e manipulações "científicas" (fator que está em franco crescimento, aliás: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/784224-cresce-a-fraude-em-ciencia---e-no-brasil.shtml), nem por isso devemos "demonizar" todos os cientistas.
 Antonio Porto Rosa filho
 Enviado em: 18/08/2011 19:27:05
O Ulisses tem razão, é melhor acreditar na ciência quando esta diz quem um dente fóssil pertence a uma espécie de homem pré histórico. O chato é ficar sabendo depois que este "dente" peretenceu a um porco extinto.
 Ednaldo Fernandes
 Enviado em: 18/08/2011 22:06:18
"É fato que assim como existem muitos padres "safados", também figura no cenário "religioso", pastores sem escrúpulo", que deturpam despudoradamente o que preceitua a Bíblia Sagrada, que apesar desacreditada por muitos, não perderá a sua eficácia/ eficiência, em suma,os mandamentos, milagres realizados por Jesus Cristo e os diversos ensinamentos deixados pelo Mestre, jamais caducarão, haja vista a incredulidade ou falcatruas de homens que não temem a Deus.
 Wesley Pedroza
 Enviado em: 19/08/2011 23:34:32
Texto muito abaixo do que geralmente se encontra no Observatório. Clara influência ideológica e argumentos inconsistentes(ora, desde que me entendo por gente se fala sobre "a exploração da fé", dizer que se tem medo de falar sobre o assunto é, no, mínimo, estar fora da realidade. Texto digno das Organizações Globo.
 Michelson Borges
 Enviado em: 22/08/2011 13:27:30
Minha resposta: http://www.criacionismo.com.br/2011/08/ha-pastores-e-pastores-e-ha-astrologos.html
 Herberti Vidor Pedroso
 Enviado em: 04/09/2011 11:53:31
O prof.Ulisses apenas demonstrou com sua análise preconceituosa que ele é melhor falando sobre astronomia e afins. Já que é para apontar fatos então vamos notar o fato histórico de que, foi após o surgimento da infame teoria da evolução que a sociedade ocidental começou a degradar em seus valores e comportamento. Duas guerras mundiais, uma ditadura nazista e inúmeras ditaduras comunistas dão a ideia exata dos "benefícios" com os quais a ciência materialista e ateia, defendida pelo prof.Ulisses, presenteou a humanidade. Milênios de religião e astrologia produziram bem menos males do que apenas 1 século de "ciência".
 elyson scafati
 Enviado em: 08/09/2011 09:59:49
Herberti Ciência não tem religião e nem moral, ou seja ela é areligiosa e amoral. O contexrto das duas guerras não foi por causa da TE mas por questões econômicas. Comece a ler a questão desde o feudalismo, passe pela revolução francesa, período napoleônico, siga pela revolução industrial e assim terá o conhecimento de por que as guerras ocorreram. Para entender o comunismo entenda a miséria que os povos viviam na Russia, em que a religião respaldava a ideia de o Czar ser um soberano absoluto sob os auspícios de Deus. Muitas ideias distorcidas acerca da TE existiram apenas para justificar o capitalismo selvagem da era vitoriana, onde os mais "capacitados financeiramente" podiam explorar livremente os mais pobres, como a eugenia de Galton, aplicada ao nazismo como uma forma de dominar os demais povos (indignos de viver) de modo a dominar o espaço vital. Ou seja, por trás disso não há ciência, mas ideologia, assim como ocorre com as religiões. Em resumo, a informação e a formação dos fundamentalistas de carteirinha é pífia, seja ela de cunho científico, religioso, histórico ou filosófico. Até hj ninguém teve a coragem de responder por que os fundamentalistas odeiam tanto a TE, embora, literalmente, haja toneladas de evidências a seu favor. Seria um medo da destruoção da ideia idiota de pecado original e, com ela o fim da redenção e, consequentemente a debandada de fiéis e o fim das polpudas rendas, imunes a tributos sobre renda patrimônio e serviços, das igrejas e suas "obras sociais": fazendas, clubes, roupar bonitas, carrões, jóias, grana a rodo, mansões onde vivem esses canalhas estelionatários chamados sacerdotes porém tudo em nome da igreja para disfarçar? Ou seria mesmo mera questão de ignorância e fé cega?
 Herberti Vidor Pedroso
 Enviado em: 10/09/2011 01:27:14
Elyson, ciência pode não ter moral nem religião, mas aqueles que a fazem tem, e isto faz toda a diferença. Obviamente, sempre houveram conflitos de cunho econômico e religioso. O detalhe importante aqui é que a TE proveu a base filosófica para que revolucionários atuassem sem qualquer freio moral, a qual você há de concordar é produzida principalmente por uma perspectiva religiosa da vida. Aliás, por falar em ideologia, é exatamente o que a TE é na realidade, pois cientificamente ela é de uma fragilidade chocante. Os avanços na genética tem exposto dificuldades gigantescas nas teorias microevolutivas. Sem falar na completa ausência dos chamados fósseis transacionais. Talvez existam realmente toneladas de evidência, como você disse. Mas por outro lado existem outras tantas toneladas de "falta de evidências". Quanto ao gosto por riqueza e patrimônio demonstrado pelos líderes religiosos, creio que você há de concordar que é um fenômeno humano, ligado a um caráter mau e não exclusivo de religiosos. Recentemente, o sr.Dawkins teve problemas com um associado que se apropriou de mais recursos do que devia.
 elyson scafati
 Enviado em: 11/09/2011 15:09:24
Herberti: Vc comete exatamente o mesmo equívoco que o séquito de fundamentalistas comete: 1 - aliar a TE à imbecilidades ideológixcas. Podemos fazer isso também com a crença religiosa, nos remetendo à inquisição, aos pogrooms, à matança de indígenas nas américas e à escravzação de africanos e à exclusão e exploração que existe hj patrocinada por seitas fundamentalistas. Ou seja, a religão guardou e guarda grande carga de imoralidade em nome de deus. Assim podemos dizer que a base filosófica da bíblia, incutida no cristianismo promoveu toda a sorte de iniquidades durante às cruzadas, a inquisição e quando do descobrimento das Américas. Homens, para sustentarem suas ideologias podem se valer de qq coisa, veja os fundamentalistas cristãos e seu ódio mortal pela TE. Isso se chama medo de perder fiéis e consequentemente de perder seus rendimentos. 2 - misturar fato cientificamente comfirmado com ideologia e dar de ombros às evidências que sustentam estes fatos. quem te disse que a TE é frágil? Foi o pastor de sua igrejinha? Saiba que não há fragilidade como vc foi induzido a crer, pois TODA a biologia se assenta na TE. Se ela fosse algo tão frágil assim, já teria há muito sido derrubada, assim como o foi a teoria do éter luminífero. A TE pode-se dizer que é uma teoria nova, assim como é a física quântica. As evidências calcadas no "neodarwinismo" ou na mocrobiologia, até então, têm sustentado essa teoria, embora muitas vezes haja percalços pelo caminho, que, com um pouco mais de trabalho, são prontamente elucidados. Todavia, dificuldades ou ausência de respostas em uma determinada teoria não validam automaticamente bizarrices como o criacionismo ou sua versão requentada o DI. No caso do criacionismo temos primeiro de provar que existe algum deus e que este é o deus bíblico. Depois temos de estudar suas propriedades exóticas e, por fim, temos de demonstrar que esse tal influi no mundo natural o que o tornaria um ser natural. Para o caso do DI, é quase igual, temos de achar o designer, conhecer suas propriedades exóticas, saber se é um deus (que cai no caso do criacionismo) ou se é um ser de outro mundo, que cogitaria as perguntas de onde veio, quem desenhou o designer e qual a razão e a tecnologia de que este se valeria para elaborar seres vivos. Também cabe perguntar ao tal desenhista por que ele faz cisas tão mal feitas como o sistema de nervo vago dos anfíbios até os mamíferos e aves, dentre outras perpécias. Como vê, filosoficamente, criar entidades para responder algo, não responde nada. Além de violar o princípio de Ockham chuta o problema para frente, sem dar uma solução convincente, além de criar um estanque além do qual é proibido ir além pois, designer é um eufemismo para o deus bíblico dos fundamentalistas e, seus designios seriam insondáveis para os reles mortais. Em suma, destroi-se o caráter zetético das ciências e estabelece-se o dogmatismo de uma religião em detrimento de tantas outras que existem por ai. Aliás qual é o criacioniwsmo mais verdadeiro, dos n que existem por ai? Qual a evidência concreta (científica) que suporta sua resposta? 3 - justificar um erro calcado em outro = falácia tu cuoque. Se um dos membros de dawkins errou, isso não isenta as canalhices de religiosos como vc pretendeu deixar subliminarmente escrito. Quanto à TE, recomendo que leia livros de ciências e não besteirol ideológico criacionista. Ex. Douglas Futuyma, Mark Ridley, Dawkins, Mayr, Gold, Francis Collins, Tilmon, dentre outros autores. Mas por que estariam um monte de cientistas perdendo tempo com algo tão falido assim como pressupõe vc ser a TE?
 Herberti Vidor Pedroso
 Enviado em: 12/09/2011 14:18:35
Caro Elyson, é exatamente sobre isto que estamos falando, de como as diversas atividades humanas tornam-se imbecilidades ideológicas, senão vejamos: coloque lado a lado a mensagem de Jesus de Nazaré e as práticas do que se conhece comumente como cristianismo e você poderá constatar como é grande o nível de distorção. Agora, faça o mesmo com a Ciência: compare a legítima proposta de questionamento racional do mundo que nos rodeia, que é o caminho do verdadeiro conhecimento científico, com a bitola preconceituosa do Ateísmo, que se apossou da Ciência como se fosse uma propriedade particular e se arvorou de único interprete autorizado dela. Porquê a Ciência não avançou entre os gregos e romanos? Porque, apesar de haver muita inteligência e habilidade naquelas culturas, lhes faltou um fator integrador e consolidador para o conhecimento adquirido. Isto só veio com o cristianismo, com a proposta de Deus como criador e sustentador de todas as coisas. Isto deu direção e solidez à prática investigativa aos sábios da época. Curiosamente, o primeiro laboratório de Física da Europa construído na Universidade de Cambridge, tinha em sua entrada o texto do Salmo 111, que é um convite para que todos estudem as obras de Deus. Resumindo: a Ciência moderna foi fundada sobre alicerces “religiosos”, por assim dizer. Agora, afirmar que a Biologia está assentada sobre a TE não é intelectualmente honesto. A Biologia é composta de 1.os fatos obtidos mediante investigação empírica, e 2.a interpretação destes fatos, esta sim guiada por uma ideologia específica. Que é próprio da prática científica corrigir-se à medida que novos dados chegam não se discute. O que é discutível é fazer-se malabarismos intelectuais para preservar uma hipóstese que está a fazer água por vários lados, e não foi o pastor da minha “igrejinha” quem disse isto (http://pos-darwinista.blogspot.com/2011/05/tres-decadas-de-cientistas.html / http://pos-darwinista.blogspot.com/2011/04/lynn-margulis-falou-e-disse-selecao.html / http://pos-darwinista.blogspot.com/2010/10/afinal-de-contas-selecao-natural-e_07.html ). Só para concluir este raciocínio, te convido a fazer um pequeno exercício de imaginação: por 30 segundos suponha que, por algum método extraordinário, fique provada a existência de Deus. A partir disto pergunte a si mesmo em que e em quanto o nosso cotidiano iria mudar? As ciências desapareceriam? Será que os mistérios cósmicos iriam se auto-solucionar? Iriamos abolir a razão e o bom senso? Quanto à sua proposta de “provar Deus”, já vou avisando que é uma empreitada destinada ao fracasso, pelo menos pela Ciência convencional. Esta trabalha com recortes da realidade, a partir dos quais se estabelecem padrões que, se espera, tenham validade para o todo. Já Deus, se existir e for tudo o que se diz sobre ele, não está em um lugar específico da realidade. Ao contrário, a realidade toda está contida nele, sendo impraticável, até mesmo filosoficamente, estuda-lo como um objeto, visto ser impossível distanciar-se o suficiente para “enquadra-lo”. Apenas a prática religiosa individual é que pode fazer esta aproximação. No entanto, a Ciência está habilitada a obter evidências de um criador pessoal e presumir a existência de um. Não sei se foi intencional, mas na sua relação de cientistas você citou o dr.Francis Collins, que é um cristão convicto. Cito também o dr.Freeman Dyson, um teísta convicto. Digo isto apenas para estabelecer que, fé religiosa não equivale a imbecilidade. Se equivalesse, todos os cientistas teriam que, obrigatoriamente, ser ateus, o que não acontece.
 Elyson Scafati
 Enviado em: 14/09/2011 00:03:42
Herberti, o mundo pré-revolução francesa vivia sob o domínio da igreja e de uma realeza exploradoras. O quadro mudou e com ele os exploradores mudaram, passaram a ser os denominados “burgueses” que avançaram na industrialização e na exploração dos menos favorecidos, principalmente com as idéias de Spencer (darwinismo social). Isso, assentado no marxismo, culminou nas revoluções socialistas e, mais tarde após a 1ª Guerra levou ao pensamento nazi-fascista. O socialismo desenvolveu idéias ateístas devido ao mal que a igreja causou ao povo por ser uma aliada da nobreza e o nazismo principalmente insuflou o povo alemão a crer que era uma raça superior. Nazistas não eram ateus e sua ciência, em parte, era uma palhaçada mítica como a busca pelo vril e a TE aplicada para distinguir quem era ariano dos indignos de viver. Assim, ateísmo, ideário darwinista social e a ciência [SIC] aplicada para descobrir quem era ariano, não passam de pura ideologia, ou seja, em NADA se coadunam ao que é ciência. Sobre gregos e romanos não terem experimentado avanço científico, a resposta é simples: não possuíam tecnologia para tal e não porque o cristianismo fora um elemento consolidador de ideias. O helenismo foi quem promoveu o avanço do cristianismo e a disseminação de conhecimentos do oriente, em que os árabes foram mestres em dominar. Pena que sua religião os cegou e se tornaram hoje um povo em sua maioria ignorante e cegos pelo fundamentalismo islâmico. Aliás, sob os auspícios do cristianismo tivemos 1000 anos de trevas (apesar de não terem sido tão trevas assim, pois havia quem ousasse a ir um pouquinho além do permitido). O que temos nessa época nada mais é que um desenvolvimento de uma filosofia grega adaptada ao cristianismo, com o intuito de justificá-lo como uma verdade. Vide as provas de Aquino e a falta de solidez de seu raciocínio, embora lógico. Premissas e conclusões têm de ser verdadeiras ou falsas, a inferência tem de ser lógica e o raciocínio como um todo será sólido ou não. O conhecimento começou a se desenvolveu a partir do renascimento em que o homem e os Estados recém formados começaram a se desvencilhar da igreja, embora ainda demoraria muito para se livrarem de sua influência nefasta. Todo e qualquer conhecimento tem suas bases assentadas em pensamento religioso, pois este “responde”, de uma forma muito confortável, aquilo que vc não sabe dizer o que é, chutando a questão para algum deus. Bem se dizer que a biologia se assenta na TE é uma desonestidade, então a maioria absoluta de cientistas são desonestos. Cientistas não se guiam por ideologias como fazem os religiosos, mas por metodologia. No mais vc se fia muito no Enézio, que pode ser denominado como um análogo ao pastor da sua igrejinha. Enézio pinça uma frase aqui e uma ali, faz um “faz de conta” que pesquisou em centenas de livros (em inglês de preferência – acho que para impressionar seus leitores ou para mostrar que sabe inglês) distorce tudo e se vale de uma retórica a macaco Simão que até uma criança consegue ver os furos. Parte dos livros que ele cita (os científicos) eu tenho em minha biblioteca particular e, pode crer, não é nada daquilo que ele diz, sem contar que parece constar em suas bibliografias livros que não existem, pois já os busquei até na biblioteca do Congresso Norte-Americano e em universidades do mesmo país e européias. Mas responda, por que alguém perderia tempo em salvar algo que não faz o menor sentido e que como vc aventa há evidências de que este algo esta a “fazer água”? Veja o que diz a Dra. Lynn Margullis: http://whoknewindeed.wordpress.com/2011/06/17/lynn-margulis/ O original: http://discovermagazine.com/2011/apr/16-interview-lynn-margulis-not-controversial-right Bom, tire suas conclusões sobre o que vc me apresentou como post a ser consultado... Bem, pelo menos acerca de deus vc foi honesto. Então, pela sua concepção, este ser nada mais é que o imaginário humano. No mais seria legal que vc lesse algo sobre consciência religiosa e os centros de ativação cerebral (dê uma busca no PNAS e leia Paulo Dalgalarrondo - Religião, Psicopatologia e Saúde Mental). Sim foi intencional citar Collins, pois embora seja um cara religioso, sabe manter a isenção em seus trabalhos e separar suas concepções pessoais de sua ciência e o mesmo faz Freeman Dyson. Eu jamais disse que vc ter fé implica em dizer que seja um idiota. Mas a partir do momento que se dá de ombros à realidade dos fatos para manter-se abraçado a uma crença ideológica (religião é uma espécie do gênero ideologia), custe o que custar, mesmo com base na mentira, vc passa a ser um idiota.
 Herberti Vidor Pedroso
 Enviado em: 15/09/2011 11:41:48
Prezado Elyson. Se eu entendi corretamente, a Dra. Lynn Margullis apenas apresentou uma (mais uma!!!!) suposição para tentar salvar a TE de algumas "pequenas" dificuldades, já que a tese "mutações + seleção natural" não esta se mostrando suficiente para explicar porque estamos aqui. E eu entendo que é esta dificuldade que o Enézio tem apontado em seu blog. E, se ele for o embrulhão que você afirma ele não está embrulhando sozinho, pois aqui (http://www.discovery.org/scripts/viewDB/filesDB-download.php?command=download&id=660) você encontrará uma lista de uns 200 pesquisadores que também não levam mais a sério a chamada Síntese Neo-Darwinista. E quero crer que nenhum deles a assinou por motivos religiosos. Particularmente acredito haver uma distância estelar entre um cientista dizer "não tenho elementos para concluir pela existência ou não-existência de Deus" e "Deus não existe!". A primeira é uma declaração científica, a segunda um posicionamento pessoal, fruto de todo um contexto de vida. Um ateu afirmando que Deus não existe arroga para si um conhecimento infinito, o que é impossível, pois nesta vida e neste mundo tudo o que poderemos colher são evidências e nunca provas.
 elyson scafati
 Enviado em: 16/09/2011 19:50:09
Ao OI: "querem fazer o favor de publicar, pois onde mencionei pessoas e instituições retirei os nomes e o debate com o Herberti tem sido civilizado. Herberti O instituto Discovery é o bastião do DI. Por esse motivo, suas publicações e seus membros não merecem o mínimo de credibilidade, pois seu fundador Phillip Johnson se trata de um cristão ferrenho e criou o documento "A CUNHA" http://www.antievolution.org/features/wedge.pdf cujo objetivo e "enfiar goela abaixo" dos estudantes a sua ideologia religiosa, uma vez que esse louco de pedra resolveu fazer uma “jihad” contra o naturalismo metodológico das ciências denominando-o de ateísmo. O fato de um sujeito assinar que não acredita numa coisa em nada muda o fato dessa coisa ser ou não verdadeira, o que é caracterizado pela EVIDÊNCIA. Estes sujeitos com base no achismo deles, dizem não serem as mutações suficientes para estarmos aqui. Porém, sequer existe qq coisa, em nome deles que ateste seu posicionamento. Quanto a Dra. Margullis, ela não está pensando em salvar nada, pois evolução é fato, uma vez que seu corpo teórico está muito bem definido, assim como está aquele relacionado ao big bang. Ninguém sabe ao certo o mecanismo da TE. Mutações é um deles, temos recombinação genética, modificação em frequencia de alelos, fluxo gênico, deriva genética, especiação e seleção natural. Mas é óbvio, os genes são os responsáveis por isso. Agora diga, por que nossos genes, se comparados com o de outras espécies animais, vegetais, fungos, archea e bactéria, possuem pontos de extrema semelhança (aquilo que se chamou DNA lixo)? Saiba que DNA lixo é um nome equivocado para genes que regulam sistemas vitais de organismos, como reprodução, divisão celular. Leia "A linguagem de Deus", principalmente os capítulos 5 a 9, onde Collins dá um show. Deus não é objeto da ciência assim como não são os duendes, elementais, demônios, anjos e espíritos. Estes são objetos de crenças religiosas, nem mesmo podendo ser definidos como um tema a ser estudado pela filosofia, pois esta lida com temas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem. A filosofia se distingue da mitologia e da religião, pois está calcada em argumentos racionais. Também não é ciência, pois não recorre a procedimentos empíricos em suas investigações, sendo sua metodologia a argumentação lógica, a análise conceptual, as experiências de pensamento e demais métodos a priori. Mas o que fazem os “crias requentados”? Valem-se de uma técnica sofista chamada argumentação erística, empregada com o objetivo de vencer uma discussão e não necessariamente de descobrir a verdade sobre ela. Ou seja, por meio de argumentos erísticos podemos defender que o “céu é amarelo com bolinhas verdes”. Lane Craig é um mestre nessa arte. Segundo Schopenhauer, ter razão na controvérsia é diferente de ter razão em si, objetivamente. Mais: não só é diferente como é quase impossível conhecer a verdade objetiva. Nesse sentido, o autor cita, como premissa, o aforismo de Demócrito: “A verdade está no profundo”. A dialética erística se faz dessa forma: 1. a arte de ter razão “tendo” razão; 2. a arte de ter razão acreditando tê-la, ainda que o outro, o adversário, também acredite tê-la; 3. a arte de ter razão mesmo não tendo razão (Lane Craig é um mestre nessa arte); 4. a arte de ter razão mesmo não sabendo se tem ou não razão. Quanto às provas, somente a matemática por meio da lógica as faz, mas quando queremos evidenciar algo, dizemos para fazer prova que é trazer evidências concretas que corroboram ou rechaçam teses e assim constrói-se um corpo teórico para determinado conhecimento. Pouco me interessa as crenças pessoais de cada um. Vc pode até acreditar na fada do dente, pregar seus grandes feitos e lhe prestar culto, que isso não me incomoda. Mas não tente dizer que meus dentes permanentes foram colocados por ela, porque não aceitarei tal afirmativa sem uma evidência concreta, além dessa ideia ser um salto epistemológico imenso. Ou seja, não incuta um deus como resposta para tudo que há nesse mundo, pois não há qq evidência plausível deste ou destes seres e, nem mesmo vc pode dizer que este deus e mais ou menos verdade que aquele ou que ateus estão certos ou errados. Ateísmo, assim como religiosismo, é ideologia e todos nós somos livres para aceitar essa ou aquela ideologia, desde que não tentemos torná-la a verdade acima de tudo e tolher a liberdade do outro pensar. Ciência feita de forma isenta não é ideologia. Ela busca explicar fatos naturais e seu contexto é natural. Não interessa quanto eu goste ou desgoste de uma teoria. Se ela for falsa, adeus, se ela apresentar-se como verdadeira ela permanece. Mas criacionismo como um todo não é assim. Algo é verdadeiro ou falso pelo quanto eu goste ou desgoste dele, ou seja, pelo quanto ele é a favor ou contra a minha ideologia (argumentum ad consequentiam). Não tenho nada contra religiosos ou ateus, mas não admito que pessoas, sem o mínimo de conhecimento, venham falar besteira no campo em que, modéstia a parte, domino (meu mundo é a física e o quintal dele é a química e a biologia, pois sem estas, aquela fica no ar). Pode crer, já li e ouvi muita besteira de caras, que se valem de um diploma para falar asneiras, valendo-se do argumento da autoridade (nãos trazem nada de concreto). Isso é certo? Enganar faz parte da conversão a uma fé? Ou a certas igrejas simplesmente se esqueceram que sua função é a mesma de outras religiões: fazer o ser humano se tornar cada dia melhor e não ficar metendo o bedelho em questões científicas para provar que seu deus da mentira existe. Seria a crença dessas pessoas tão frágil assim que precisam justificar que seu deus existe? Sem falar que muitos vestem uma máscara de bons cristãos e não passam de pessoas vis. É só vc dar uma busca em temas dessa linha aqui no OI e vc verá o que se passa em debates nessa área. Simplesmente quando não possuem mais argumentos passam para a ofensa pessoal. Isso é ser cristão? Vc é educado e eu o admiro por isso. Ganhou o meu respeito. No mais, Pense...
 Herberti Vidor Pedroso
 Enviado em: 19/09/2011 03:57:01
Prezado Elyson. Creio que o fato do Instituto Discovery ser um bastião do DI não anula o valor da lista em si mesma, pois aqueles que a subscreveram o fizeram colocando suas reputações em risco. E se o fizeram é porque estavam movidos de uma firme convicção. E quando 200 especialistas concordam em algo acho ser, pelo menos prudente, prestar mais atenção. A propósito, visitei seu blog e gostei dele. Entrei em alguns dos links e vi-me no site do Marcus Valério XR, cujo trabalho conheço há algum tempo, e me lembrei da velha disputa de se o que chamamos de evolução não é apenas variação intra-espécie. Enquanto escrevia este coment ví no site da BBC Brasil (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110916_dinossauros_ambar_rc.shtml ) sobre a descoberta de penas fósseis de dinossauro em algum lugar do Canadá e de como esta descoberta, nas palavras dos paleontólogos, confirma a evolução. Pode ser, mas fiquei a raciocinar: ora, estamos apenas vendo modificações em penas que se transformaram em um outro tipo de pena. Não foi uma escama virando pena, ou penas virando pêlos, o que seria indubitavelmente evolução. Quanto a semelhança genética entre os diversos níveis de seres vivos pode muito bem devido à necessidade se estabelecer uma cadeia alimentar na Terra. Talvez se as características genéticas fossem muito diversas tal cadeia seria impossível. Já a matemática, pelo que tenho lido é exatamente ela uma das grandes barreiras à aceitação incosteste do processo evolutivo como gerador de vida organizada, sendo o saudoso professor Fred Hoyle, ateu bastante convicto, um dos maiores críticos do neo-darwinismo extamente pela sua inconsistência matemática. Sua ilustração do furacão passando pelo ferro-velho é famosa. Algumas abordagens surgerem que a Terra teria que ser tão ou mais antiga que o próprio Universo para que houvesse tempo necessário à formação de elementos orgânicos simples unicamente por meios aleatórios. Que tais elementos podem surgir assim, está comprovado desde a icônica experiência de Urey e Miller. E é claro que o experimento produziu também dificuldades para a hipótese naturalista: 1.não se tem certeza se os gases usados estavam realmente presentes na atmosfera primitiva; 2.junto com os aminoácidos se formaram nitritos, que destroem os aminoácidos; 3.foram formadas moléculas esquerdas e direitas em igual proporção, no entanto na natureza os sistemas biológicos privilegiam as formações esquerdas. Mas, com certeza você já sabe de tudo isto!
 Elyson Scafati
 Enviado em: 20/09/2011 13:19:38
Herberti, dsculpe não poder responder seu questionamento agora. estou meio atarefado. Mas me aguarde até domingo. Só declaro que quanto à lista do Discovery, se vc notar há muitos indivíduos ali que sequer são biólogos e sequer são pessoas que possuem ter o título que afirmam ter. Mas em sua maioria se tratam de fundamentalistas. Embasarei em breve o que eu lhe disse aqui. até breve. Também, temos nomes como Meyer e
 elyson Scafati
 Enviado em: 20/09/2011 15:21:47
Wells que sabemos serem cristãos ligados a seitas protestantes de cunho fundamentalistas. Lista por lista, temos o project steve: http://www.associatepublisher.com/e/p/pr/project_steve.htm em que mutos assinam a favor da TE. Em suma, esta tal lista do Discovery, nada mais é que uma tentativa desesperada de fundamentalistas desejarem firmar sua posição. Todavia, não é nada além de argumento da autoridade. O fato de alguém ter um diploma de alguma coisa não implica ele estar certo ou errado. Certeza ou incerteza não se faz com uma mera opinião, mas por meio da EVIDÊNCIA. O problema do criacionismo e de sua versão requentada é se valer de falácias e sofismas para atestar seu posicionamento como uma verdade. As mais comuns são: o argumento da autoridade, o argumento da ignorância, a falácia tu cuoque, o argumentum ad consequentiam, a falácia da dispersão, a falácia ad hominiem, egocentrismo ideológico, dentre outras. É muito fácil desmantelar um argumento criacionista, pois nada mais são que argumentos vazios, sem qq coisa que demonstre sua veracidade, ou seja, não possuem evidência e querem se construir sobre supostos erros ou obscuridades em determinadas teorias e assim validar automaticamente sua posição. Até posso fazer uma lista de cientistas que são céticos em relação à teoria da gravidade. Assim como a evolução (micro - visível em laboratório e macro visível nos fósseis)nos a vemos atuar, mas não sabemos como ela atua. Newton assim como Darwin fez com a TE, soube teorizar acerca da gravidade. Mas não soube dizer por que ela existe e como ela se propaga pelo universo. Nem por isso os crias implicam por ela, pois em nada vai contra sua ideologia. Mas a TE esmerilha o gênesis e mata a ideia de pecado original que é o combustível do cristianismo e de certas igrejas em manter seus polpudos rendimentos. Sobre os dinos penosos, isso é evoluir.
 Herberti Vidor Pedroso
 Enviado em: 24/09/2011 23:00:08
Prezado Elyson. Foi interessante nossa pequena polêmica. Aprendi muito. Esteja em paz.

Ulisses Capozzoli

JORNALISMO CIENTÍFICO

Ciência e falsa ciência

Ulisses Capozzoli | Edição nº 688 | 03/04/2012 | 5 comentários

TRAGÉDIA NA ITÁLIA

A metáfora do Costa Concordia

Ulisses Capozzoli | Edição nº 678 | 24/01/2012 | 1 comentários

TRAGÉDIA NO JAPÃO

Sobre sismos e tsunamis

Ulisses Capozzoli | Edição nº 633 | 17/03/2011 | 4 comentários

PLÁGIO DE VEJA

"Coincidências", gatos e lebres

Ulisses Capozzoli | Edição nº 621 | 23/12/2010 | 25 comentários

LEITURAS DA SCIENCE

As conquistas científicas da década

Ulisses Capozzoli | Edição nº 621 | 21/12/2010 | 2 comentários

Ver todos os textos desse autor