Há pouco mais de quatro anos, em junho de 2022, o assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e indigenista brasileiro Bruno Pereira, no Vale do Javari, no Amazonas, escancarou os riscos do exercício da atividade jornalística na Amazônia. Os dois foram mortos em uma emboscada, quando Dom visitava a região para conversar com indígenas e ribeirinhos para um livro que estava escrevendo sobre o tema. Bruno era funcionário da Funai e profundo conhecedor da região.
A reação inicial do governo (na época o ex-presidente Jair Bolsonaro) foi de minimizar o caso, culpar as vítimas e disseminar informação falsa sobre eles. Com a forte pressão da imprensa e de organizações internacionais de defesa da Amazônia e de direitos humanos, os responsáveis pelas mortes foram identificados e presos, mas até agora não foram julgados. No mês passado, o governo brasileiro pediu desculpas oficialmente às famílias e criou um prêmio para reportagens sobre meio ambiente e direitos dos povos indígenas.
O Observatório da Imprensa realiza no dia 27 de julho, segunda-feira, às 19h, um webinário sobre o tema: Dom e Bruno 4 anos depois – investigações e busca por justiça. É possível participar neste link.
O debate terá a medição da editora do Observatório da Imprensa, Denize Bacoccina, e conta com a participação de:
Andrew Fishman, presidente do Intercept Brasil, veículo que cofundou em 2016. Também trabalhou como repórter no Intercept norte-americano entre 2013 e 2022. Participou de reportagens de grande repercussão, como os documentos vazados por Edward Snowden, a série Vaza Jato e, neste ano, a série Vaza Flávio, que revelou o acordo de R$ 134 milhões entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Amigo de Dom Phillips, participou do comitê que concluiu o livro inacabado “Como salvar a Amazônia” e escreveu o capítulo sobre finanças internacionais.
Ruthiene Bindá, repórter da TV Amazonas/Rede Globo, é jornalista graduada em Comunicação Social e pós-graduada em Comunicação empresarial e jornalismo esportivo, além de radialista. Ela participou da cobertura do caso Bruno e Dom, que rendeu à Globo a indicação ao Emmy Internacional 2023 e do documentário Kinja – Gente de Verdade, premiado no Prêmio Nacional de Jornalismo do Poder Judiciário do Superior Tribunal de Justiça em 2024 e no Prêmio Dom Phillips e Bruno Pereira, do Governo Federal em 2026.
Daniel Camargos, repórter especial da Repórter Brasil e colunista da CartaCapital. Trabalhou em vários veículos brasileiros e internacionais e há 23 anos atua na cobertura de direitos humanos, conflitos agrários, Amazônia, mineração, trabalho escravo contemporâneo e meio ambiente. Recebeu nove prêmios jornalísticos, entre eles o Vladimir Herzog e o Direitos Humanos de Jornalismo. É diretor do documentário Relatos de um Correspondente da Guerra na Amazônia, sobre os assassinatos de Dom e Bruno.
Cley Medeiros, jornalista socioambiental na Amazônia, atualmente bolsista de reportagens do Pulitzer Center. Foi repórter especial de meio ambiente do Jornal A Crítica e editor de conteúdo na Mídia Ninja, onde contribuiu para a criação da Casa Ninja Amazônia. Como jornalista do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), foi responsável pela produção da newsletter do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA). É membro da rede de jornalistas climáticos de Oxford.
O debate pode ser visto ao vivo, pelo YouTube do Projor.
