
(Imagem: Reprodução AZMinas)
Solução usa inteligência artificial para identificar, classificar e avaliar automaticamente propostas legislativas, ampliando a transparência e apoiando a cobertura jornalística
A Revista AzMina lança uma nova versão da QuitérIA, uma ferramenta de inteligência artificial criada para acompanhar projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional relacionados aos direitos de meninas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+. A solução automatiza o monitoramento legislativo, transformando um processo complexo e demorado em informações organizadas e acessíveis para jornalistas, pesquisadores e organizações da sociedade civil. O projeto foi desenvolvido com apoio financeiro do Codesinfo – Fundo de Inovação para o Jornalismo, um programa do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, com patrocínio da Google News Initiative.
A plataforma, que tem acesso inteiramente gratuito, realiza diariamente a coleta de proposições legislativas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal através de APIs públicas, identifica propostas relacionadas a gênero e raça a partir de uma lista de mais de 300 palavras-chave e classifica o trabalho parlamentar por temas, como violência de gênero, direitos sexuais e reprodutivos, saúde e igualdade de gênero.
Além disso, indica se cada proposta é favorável ou não aos direitos desses grupos, facilitando a identificação de movimentações legislativas que merecem acompanhamento mais próximo. “Diante de um cenário de cada vez maior conservadorismo no mundo e no Brasil, de cada vez mais ataques e ameaças aos nossos direitos, a gente entende o Elas no Congresso, com a Quitéria, como uma ferramenta essencial para que as cidadãs e cidadãos brasileiros possam participar civicamente da política e barrar retrocessos de direitos, afirma Helena Bertho, Diretoria d’AzMina.
Para as redações, a QuitérIA funciona como um radar automatizado da atividade legislativa. Em vez de acompanhar manualmente centenas de proposições, jornalistas podem receber uma análise prévia dos projetos mais relevantes, reduzindo o tempo dedicado ao monitoramento e permitindo que as equipes concentrem esforços na apuração, na contextualização e na produção de reportagens. A ferramenta também amplia a capacidade de cobertura ao evidenciar como questões de gênero atravessam diferentes áreas, como saúde, educação, segurança pública e direitos sociais.
Semanalmente a equipe AzMina valida se a classificação e análise da IA estão corretas, faz a mediação jornalística para traduzir o “legislativês” em informação acessível através de duas funcionalidades. A primeira é o Radar Diário, um alerta customizável por tema, casa legislativa, comissão ou proposição. A segunda é a Newsletter com o Radar Semanal, principal canal de acompanhamento contínuo do projeto, que reúne, contextualiza e analisa os impactos políticos das tramitações, servindo como instrumento de transparência e mobilização para a sociedade civil. No site do projeto, o usuário escolhe sobre o que quer ser alertado por e-mail.
A solução foi desenvolvida a partir de um conjunto de mais de 3.100 projetos de lei previamente analisados pelo projeto Elas no Congresso, iniciativa do Instituto AzMina construída ao longo de seis anos em parceria com mais de 20 organizações da sociedade civil. Com base nesse histórico, modelos de inteligência artificial da família BERT foram treinados para reconhecer padrões e classificar automaticamente novas proposições legislativas.
Embora utilize inteligência artificial para automatizar as análises, a QuitérIA mantém a supervisão humana em todas as etapas. As classificações são revisadas periodicamente pela equipe do Instituto AzMina e pelo Comitê de Validação, garantindo maior precisão e aperfeiçoamento contínuo da ferramenta. O código-fonte está disponibilizado em repositório aberto, permitindo que outras organizações auditem e adaptem a tecnologia para diferentes áreas de monitoramento legislativo.
“Não basta que a sociedade tenha acesso aos dados do Congresso, é preciso compreendê-los e agir a tempo. Ao combinar inteligência artificial, análise humana, sistema de alertas, painel público e princípios feministas, transformamos um volume enorme de informações legislativas em conhecimento que ajuda organizações e cidadãos a identificar ameaças, defender direitos e participar do debate público”, explica Maria Isis, Coordenadora de Projetos de Dados d’AzMina.
Além do apoio do Codesinfo, o desenvolvimento da QuitérIA contou com apoio da Rede Feminista de IA da América Latina e do Caribe e do Fundo ELAS+ Doar Para Transformar e da Agence Française de Développement (AFD).
