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Soluções criadas por organizações jornalísticas brasileiras com apoio do Projor e Google News Initiative otimizam a apuração, ampliam infraestrutura de dados e facilitam o monitoramento político
O Codesinfo – Fundo de Inovação para o Jornalismo, iniciativa do Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, com patrocínio da Google News Initiative, entra na etapa final para o lançamento de novas ferramentas digitais para redações.
Após sete meses de desenvolvimento e mentoria especializada, as cinco organizações jornalísticas participantes desta edição finalizam suas soluções de código aberto baseadas em inteligência artificial.
Essas ferramentas estão sendo lançadas a partir de julho, com documentação e recursos tecnológicos acessíveis por meio de repositórios públicos, e poderão integrar a rotina de redações de todo o Brasil, contribuindo para tornar a apuração mais ágil, a publicação mais eficiente e o acesso a dados mais estratégico.
As iniciativas foram desenvolvidas por Agência Tatu, Ambiental Media, Correio Sabiá, InfoAmazonia e Revista AzMina. Cada projeto responde a um desafio específico do jornalismo brasileiro, com aplicações de inteligência artificial voltadas à otimização de conteúdo, ao monitoramento legislativo, à infraestrutura de dados e ao geojornalismo.
Esses resultados somam-se às cinco outras ferramentas que já haviam sido lançadas em 2025, na fase anterior do programa, que teve foco em ferramentas de combate à desinformação. Todas elas estão disponíveis através do site do Codesinfo, no endereço online www.codesinfo.com.br.
Cada projeto selecionado recebeu até R$ 160 mil para seu desenvolvimento, além de sessões de mentoria com especialistas em diferentes áreas, incluindo aspectos tecnológicos, jurídicos e comerciais relacionados a cada solução e seus casos de uso.
Com o lançamento dessas novas ferramentas, o Codesinfo reforça seu papel de fomentar soluções abertas e replicáveis, capazes de fortalecer redações de diferentes portes em todo o Brasil.
Conheça, a seguir, cada uma das novas soluções.
Agência Tatu | Monitor Diário: ferramenta que automatiza a leitura de Diários Oficiais dos nove estados do Nordeste. O jornalista escolhe os temas de interesse e passa a receber alertas diários com os trechos mais relevantes, resumos automatizados, links para os documentos originais e até sugestões de pauta. A plataforma utiliza inteligência artificial para identificar conteúdos relacionados aos assuntos cadastrados, reduzindo o tempo gasto na análise de milhares de páginas de publicações oficiais e facilitando o acompanhamento de temas como contratos públicos, licitações, nomeações, educação, saúde e obras. Além dos alertas enviados por e-mail, os usuários têm acesso a um painel para consultar as publicações identificadas pelo sistema. A solução fortalece a cobertura do poder público e ajuda redações a identificar, com mais agilidade, histórias de interesse público que poderiam passar despercebidas.
Ambiental Media | Jor-MCP: servidor de dados jornalísticos com código aberto baseado no Machine Communication Protocol (MCP), o protocolo que vem se tornando padrão para conectar sistemas de inteligência artificial a fontes de dados confiáveis. Na prática, o Jor-MCP organiza o acervo público da Ambiental (podendo ser estendido a outras organizações) de forma estruturada e segura, permitindo que jornalistas, desenvolvedores, pesquisadores e ferramentas de IA generativa (como ChatGPT e Gemini) acessem esse conteúdo via plugin ou API, mediante token de acesso controlado. Para as redações, isso significa fluxos de trabalho mais ágeis, com pesquisas internas, checagem de fatos e consultas a bancos de dados históricos com mais precisão, além de abrir caminho para assistentes conversacionais e mecanismos de busca inteligente construídos sobre o próprio acervo jornalístico. Por ser open source, a solução também pode ser replicada por outras organizações de mídia.
Correio Sabiá | Mamute Político: plataforma criada para combater a chamada “amnésia eleitoral”, fenômeno em que grande parte dos eleitores brasileiros rapidamente esquece em quem votou e acaba perdendo o acompanhamento da atuação de seus representantes ao longo do mandato. A ferramenta usa IA para organizar dados públicos do Congresso Nacional (projetos de autoria, votações nominais e discursos) e permite que qualquer pessoa acompanhe um deputado ou senador ao longo de todo o mandato, além de tirar dúvidas sobre suas posições por meio de um chatbot. Para as redações, o Mamute Político representa um ganho de agilidade na apuração: um jornalista pode pesquisar rapidamente o posicionamento de um parlamentar sobre qualquer tema, ampliando o alcance da fiscalização política, especialmente em veículos locais, que muitas vezes não têm equipe suficiente para cobrir esse tipo de acompanhamento sozinhos.
InfoAmazonia | Jeo: plataforma que incorpora inteligência artificial às funcionalidades já consolidadas de geojornalismo. As novidades incluem geolocalização automática de reportagens, com identificação e padronização dos lugares mencionados no texto; mini-mapas interativos que mostram onde a história acontece e outras matérias relacionadas; um sistema de recomendação que combina proximidade geográfica e similaridade de conteúdo; um bloco de “Histórias perto de mim”, personalizado conforme a localização do leitor; e a geração automática de parágrafos de contexto sobre o território da reportagem, sempre com revisão editorial antes da publicação. Para as redações, a solução reduz o tempo dedicado a tarefas manuais de marcação e curadoria. Já para o público, oferece uma experiência de leitura mais rica e conectada ao território, com recursos que podem ser aplicados a qualquer editoria que trabalhe com recortes geográficos, e não apenas ao jornalismo ambiental.
Revista AzMina | QuitérIA: ferramenta de inteligência artificial voltada ao monitoramento legislativo de projetos de lei ligados a gênero e raça. Treinada com base em cinco anos de trabalho do projeto “Elas no Congresso”, que já mapeou e classificou manualmente mais de 1.600 projetos de lei em parceria com mais de 20 organizações, a QuitérIA identifica, categoriza e qualifica automaticamente propostas legislativas que impactam meninas, mulheres e pessoas LGBT+. A ferramenta permite que qualquer jornalista, mesmo sem especialização no tema, entenda rapidamente como um projeto de lei pode afetar essas populações, liberando tempo da redação para investigação aprofundada e checagem de informações. O código também poderá ser adaptado por outras redações para monitorar temas distintos no Congresso Nacional.
