Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1372

Comunicação interna (muito) além do ‘informe’

(Foto: Brett Jordan/Unsplash)

Pense em uma empresa de pequeno, médio ou grande porte. Pode ser a que você trabalha ou, quem sabe, uma que você admira. Certamente, todas têm áreas distintas, que precisam interagir, trocar informações para fazer com que a ‘engrenagem’ funcione da melhor maneira possível. Agora, responda com sinceridade: qual setor é fundamental para que essa ‘orquestra’ não desafine? Acertou quem respondeu ‘comunicação’.

A comunicação interna, também conhecida como ‘comunicação com os empregados’, é uma área-chave, decisiva para o sucesso organizacional, mesmo que, em muitas corporações, ainda permaneça sem o reconhecimento e o investimento necessários para uma atuação pujante.

Mas, afinal, quais são as atribuições da comunicação interna? Muito além de informar (o que já é extremamente importante), a C.I. tem como missão reforçar o engajamento dos colaboradores, contribuindo para o fortalecimento da cultura organizacional e do senso de pertencimento.

Mas, na prática, como ‘a magia’ acontece?

Estratégia, engajamento e cultura

Aqui, cabe abrir um parêntese para adentrar um pouco mais no trabalho desenvolvido diariamente pelos profissionais de comunicação interna – na maioria das vezes, nos bastidores, mas essencial em ações diversas, em parceria com áreas estratégicas das empresas, como o RH e o SESMT.

Lembrou da campanha ‘Janeiro Branco’, da ação do Dia das Mães, do ‘Novembro Azul’ e de tantas outras campanhas do ‘calendário anual das cores’? Ou daquela campanha de doação de sangue, ou ainda de arrecadação de brinquedos para alguma instituição? Toda a comunicação e boa parte da estratégia dessas ações é pensada pela comunicação interna.

Mas isso não é tudo. A C.I., quando bem implementada, deve traduzir as metas da instituição em mensagens acessíveis a todos, deixando claro os objetivos da empresa e como cada colaborador pode contribuir para que sejam atingidos.

Também é fundamental destacar que o trabalho da comunicação interna fortalece a cultura organizacional, ajudando a reforçar os valores e comportamentos desejados pela instituição.

Cabe também à área zelar pelos canais oficiais de relacionamento com os colaboradores, desde aqueles antigos painéis até aplicativos corporativos, intranets, newsletters etc. Cada canal tem seu papel e deve ser usado de forma estratégica, de acordo com o perfil e a jornada de cada público interno. (Sim, existem públicos distintos dentro de uma mesma instituição).

Outro aspecto essencial é o papel da escuta. Comunicação interna não é monólogo, longe disso. É um ofício que envolve criar espaços reais de diálogo, ouvir percepções, compreender o clima organizacional e propor mudanças sempre que necessário. Essa escuta ativa é o que dá sustentação a uma comunicação humanizada e dialógica, tendência entre as empresas contemporâneas em dia com as boas práticas de comunicação interna.

Por fim, vale lembrar: o profissional de comunicação interna é um construtor de pontes. Ele transita entre diferentes áreas, traduz linguagens técnicas, conecta pessoas e faz a ‘orquestra’ seguir afinada.

E sabe? Sempre que dá gosto em ‘ouvir uma orquestra’ é sinal de que contamos com uma cultura sólida, formada por colaboradores motivados, que conhecem seu papel, entendem a atuação macro da empresa de que fazem parte e orgulham-se de contribuir em suas equipes e trabalhar por algo maior. Com propósito.

Dito isto, está posto aí um enorme desafio para os profissionais de comunicação interna do século XXI. Afinal, como motivar os colaboradores em um mundo cada vez mais acelerado, que saiu de VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo), termo criado pelo exército americano no contexto do pós-Guerra Fria, para o que o professor e antropólogo Jamais Cascio chamou de BANI (frágil, ansioso, não linear e incompreensível), já no distante ano de 2018?

Sim, eis aí uma sopa de letras que tenta abarcar a complexidade do nosso tempo. E o caldo não está completo: também já se fala em mundos RUPT (rápido, imprevisível, paradoxal e emaranhado) e TUNA (turbulento, incerto, novo e ambíguo).

Nomenclaturas à parte, evoluir com o tempo, com as tecnologias, com as novas práticas e costumes e estar atento aos dados é fundamental. E digo mais: aprender a desaprender não é só preciso, mas necessário.

E que nunca nos esqueçamos: quando o colaborador é posto no centro, muita, muita coisa muda. E para concluir (mas sem fechar o assunto): com cadeira cativa entre a liderança, o trabalho do profissional de comunicação interna ganha uma nova e (incrível!) dimensão, com resultados surpreendentes.

E aí, profissional de comunicação interna, aceita um cafezinho para continuar essa conversa?

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Rita Brito é jornalista com formação pela Universidade de Fortaleza. Especialista em Teorias da Comunicação e da Imagem (UFC), atualmente cursa MBA em Marketing, Branding e Growth pela PUCRS. Foi coordenadora de comunicação da Federação das Indústrias do Estado do Ceará e desde 2024 é supervisora de endomarketing da Fecomércio-CE.