
(Foto: Divulgação)
O combate à violência contra jornalistas é um pressuposto da democracia e da liberdade de imprensa. Esse foi o consenso do debate promovido pelo Observatório da Imprensa nesta quarta-feira, dia 30 de abril, com a participação de Nina Santos, Secretária Adjunta de Políticas Digitais na Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom); Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), e integrante do Comitê Executivo de Gênero da Federação Internacional dos Jornalistas; e Leticia Kleim, coordenadora jurídica da Abraji, responsável por projetos como o Programa de Proteção Legal para Jornalistas e Monitor de Assédio Judicial. A mediação foi da jornalista Denize Bacoccina, editora do Observatório da Imprensa.
O webinário ressaltou que a segurança dos jornalistas é uma condição fundamental para a existência da liberdade de imprensa e para o fortalecimento do regime democrático. A ONU estabeleceu o dia 3 de maio como o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.
Assista aqui na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=igAgmRE_Wgc
E veja os principais destaques:
Desinformação como arma de ataque
Nina Santos, secretária-adjunta de políticas digitais da SECOM, estabeleceu uma conexão direta entre o ecossistema de desinformação e a violência física e digital. Segundo ela, a desinformação não é apenas um conteúdo falso isolado, mas uma tentativa deliberada de descredibilizar as instituições que produzem conhecimento e fazem a leitura da realidade, como a ciência e a imprensa. Assista: A relação entre desinformação e ataques à imprensa
Novas políticas de proteção e o caso Dom e Bruno
O governo federal destacou a implementação de mecanismos para tornar a proteção aos jornalistas uma política de Estado. Entre as medidas, Nina citou o Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, criado no Ministério da Justiça com a participação de outros órgãos, e a criação de um protocolo inédito para a investigação de crimes contra a categoria, que será anunciado pelo governo em breve. O assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira foi lembrado como um marco que impulsionou mesas de trabalho específicas para a segurança de comunicadores em territórios de conflito, como a Amazônia. Assista: Protocolos de investigação e o caso Dom Phillips e Bruno Pereira
Assédio judicial e disseminação da violência
Letícia Klein, coordenadora jurídica da Abraji, trouxe dados preocupantes sobre o assédio judicial. Essa prática utiliza o sistema jurídico para sufocar financeiramente e psicologicamente jornalistas e pequenos veículos através de múltiplos processos abusivos. Ela explicou que, embora as agressões diretas de autoridades nacionais tenham diminuído, a violência se tornou mais dispersa e executada por atores não estatais em todo o país. Assista: A tendência do assédio judicial e agressores não estatais
O recorte de gênero e o uso de IA
A violência contra mulheres jornalistas foi um dos temas mais sensíveis. Samira de Castro, presidenta da Fenaj, explicou que as mulheres sofrem uma “dupla violência”: são atacadas pelo seu exercício profissional e pela sua condição de mulher. Ela alertou para o uso de inteligência artificial para criar montagens erotizadas e falsificar imagens com o objetivo de humilhar profissionais. Assista: A misoginia e o uso de IA contra mulheres jornalistas
Preparação para o cenário eleitoral
As participantes foram unânimes ao demonstrar preocupação com o ano eleitoral. Dados históricos mostram que os ataques a jornalistas se concentram massivamente nos meses de campanha. A discussão enfatizou que partidos e candidatos devem assumir um compromisso público com a segurança das equipes de reportagem, especialmente em coberturas no interior do país e em ambientes digitais hostis. Assista: Expectativas e monitoramento para o período eleitoral
Responsabilidade das plataformas e das empresas
O debate também cobrou maior responsabilidade das redes sociais e das empresas de mídia. Defendeu-se a criação de canais diretos nas plataformas para denunciar ameaças coordenadas e a implementação de protocolos de segurança física e treinamento digital rigorosos dentro das redações brasileiros, visando proteger tanto repórteres contratados quanto freelancers. Assista: A responsabilidade das plataformas e o preparo das empresas
Assista ao vídeo completo: Violência contra jornalistas – Observatório da Imprensa
Resumo feito com o auxílio do Google Gemini e edição humana.
