Sábado, 10 de outubro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1409

Caso Dom e Bruno: Observatório da Imprensa debate as investigações e os riscos para o jornalismo no Brasil

Há pouco mais de quatro anos, em junho de 2022, o assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e indigenista brasileiro Bruno Pereira, no Vale do Javari, no Amazonas, escancarou os riscos de exercício do jornalismo na Amazônia. Ambos tinham muita experiência e conhecimento sobre a região, mas foram mortos numa emboscada durante uma viagem para conversar com indígenas e ribeirinhos para um livro que Dom estava escrevendo sobre a Amazônia.

A reação inicial do governo (na época o ex-presidente Jair Bolsonaro) foi de minimizar o caso, culpar as vítimas e disseminar informação falsa sobre eles. Com a forte pressão da imprensa e de organizações internacionais de defesa da Amazônia e de direitos humanos, os responsáveis foram identificados e presos, mas ainda não foram julgados. No mês passado, o governo brasileiro pediu desculpas oficialmente às famílias e criou um prêmio para reportagens sobre meio ambiente e direitos dos povos indígenas.

O Observatório da Imprensa realiza no dia 27 de julho, às 19h, no YouTube do Projor, um webinário sobre o tema: Dom e Bruno 4 anos depois – investigações e busca por justiça. O debate terá a medição da editora do Observatório da Imprensa, Denize Bacoccina, e conta com a participação de:

Andrew Fishman, presidente do Intercept Brasil, veículo que cofundou em 2016. Também trabalhou como repórter no Intercept norte-americano entre 2013 e 2022. Participou de reportagens de grande repercussão, como os documentos vazados por Edward Snowden, a série Vaza Jato e, neste ano, a série Vaza Flávio, que revelou o acordo de R$ 134 milhões entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Amigo de Dom Phillips, participou do comitê que concluiu o livro “Como salvar a Amazônia”, que Dom estava escrevendo.

Ruthiene Bindá, repórter da TV Amazonas/Rede Globo, foi uma das primeiras a chegar em Atalaia do Norte (AM), e acompanha de perto as investigações.

Daniel Camargos, repórter especial da Repórter Brasil e colunista da CartaCapital. Trabalhou em vários veículos brasileiros e internacionais e há 23 anos atua na cobertura de direitos humanos, conflitos agrários, Amazônia, mineração, trabalho escravo contemporâneo e meio ambiente. Recebeu nove prêmios jornalísticos, entre eles o Vladimir Herzog e o Direitos Humanos de Jornalismo. É diretor do documentário Relatos de um Correspondente da Guerra na Amazônia, sobre os assassinatos de Dom e Bruno.

Cley Medeiros, jornalista socioambiental na Amazônia, atualmente bolsista de reportagens do Pulitzer Center. Foi repórter especial de meio ambiente do Jornal A Crítica e editor de conteúdo na Mídia Ninja, onde contribuiu para a criação da Casa Ninja Amazônia. Como jornalista do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), foi responsável pela produção da newsletter do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA). É membro da rede de jornalistas climáticos de Oxford.

O debate pode ser visto ao vivo, pelo YouTube do Projor.