É incrível o que a diferença de alguns poucos anos faz na paisagem tecnológica. Os notebooks, que até outro dia mesmo dominavam a cena dos aeroportos, estão perdendo a preferência dos viajantes para os tablets, de todos os tipos e tamanhos. Para acomodá-los – e aos ubíquos smartphones –, o Wi-Fi se espalha pelo mundo. Já encontrei hotspots nos lugares mais improváveis, de pequenas cidades no Tibete ao interior do Egito. Até o Galeão, monumento ao atraso, tem Wi-Fi!
O planeta tech tem suas surpresas. Percorrendo as pirâmides, templos e mercados egípcios, vi várias pessoas usando tablets para fotografar. Supondo que usem guias de viagem no mesmo aparelho, o recurso não chega a ser desprovido de lógica – mas não consigo me acostumar com a cena! De todas as ferramentas que captam imagens, os tablets são as mais bizarras e menos adequadas.
Já a quantidade de smartphones usados como câmeras é – como se esperava – cada vez maior. Compactas e DSLRs ainda têm seus usuários, é claro, mas o grande trunfo dos celulares é terem posto a fotografia ao alcance de realmente todos. Visitando uma mesquita no Cairo, encontrei uma turma enorme de meninas num passeio escolar. Elas vieram conversar comigo: queriam ver se as frases que tinham aprendido em inglês funcionavam. Perguntaram de onde eu vinha, qual o meu nome e, na sequência, pediram para fazermos fotos juntas. Concordei. Na mesma hora, todas sacaram os seus celulares e registraram o encontro com a estrangeira.
E a estrangeira? Ora, sacou seu iPhone e registrou o encontro com as meninas.
Pisada na bola
Por falar em fotografia: o Espaço Furnas Cultural, que fica na Rua Real Grandeza 219, apresenta, a partir do dia 15, “Retratos de família no Brasil”, linda mostra que resume quinze anos de trabalho de Fifi Tong. Gaúcha de ascendência chinesa, Fifi, que se formou no Art Center College of Design, em Pasadena, Califórnia, começou a sua série de retratos depois de encontrar, em casa, uma arca com roupas tradicionais da sua família, que a inspiraram a fotografar as mulheres Tong. Daí a procurar outras famílias que vieram de longe foi um pulo.
Nas trinta fotos que compõem a mostra, já exibida em outras cidades e transformada em livro pela Editora Auana/Terra Virgem, há gente das mais diversas tribos, de nomes tão diferentes quanto Pascolato, Wierchowski, Montfort, Kimbuende ou Madhusudanan. Há até Cunhãtatas, Mirindus e Keretchus…
As fotos de Fifi Tong são a antítese das imagenzinhas descartáveis de celular. Têm composição clássica em P&B e foram feitas em estúdio com câmera de médio formato, como antigamente. O resultado é harmonioso, atemporal, comovente.
A indústria de software não aprende, e insiste em castigar os usuários que pagam pelos produtos que consomem. Agora foi a Electronic Arts que pisou na bola, exigindo que os jogadores da nova e ansiosamente aguardada versão de SimCity estejam conectados aos servidores da Origin para jogar, mesmo que estejam sozinhos e não queiram interagir com ninguém. Resultado: desde que foi lançada, a nova versão vêm sendo detonada sistematicamente por quem comprou o jogo e não consegue brincar, já que os servidores estão congestionados e não dão conta da demanda. Que palhaçada!
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Cora Rónai é colunista do Globo
