Thursday, 07 de July de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1195

Facebook, WhatsApp e Twitter são as redes sociais mais populares em veículos do Sudeste

(Foto: Atlas da Notícia)

  • Ao menos 21,5% dos 4.517 veículos ativos no Sudeste tem conta em redes sociais
  • O Rio de Janeiro é o Estado com menor percentual de desertos de notícias, 9,8%
  • O número de veículos jornalísticos ativos na região caiu 3,7%, em relação a 2019
  • A maior queda foi no número de veículos impressos, com 151 fechamentos
  • O número de veículos online ativos, aumentou com 117 novos registros

 

Ao menos um a cada cinco dos 4.517 veículos jornalísticos da região Sudeste têm contas em redes sociais, usadas para veicular notícias, divulgar capas de jornal, vídeos, fotos de bastidores e relacionadas às matérias, além de peças publicitárias de anunciantes clientes. O dimensionamento desse uso pelos veículos é um dos achados da pesquisa da quarta edição do Atlas da Notícia, realizada entre setembro de 2020 e janeiro deste ano.

O levantamento mobilizou 34 voluntários, entre pesquisadores independentes e estudantes de universidades da região, como UNESP-Bauru, ESPM-SP, Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e ESAMC Uberlândia.
Notícias na rede

Entre as redes sociais usadas pelos veículos jornalísticos na região Sudeste, as mais populares são Facebook, WhatsApp e Twitter. O número de veículos com contas registradas em cada uma delas no Atlas 4.0 é de 909, 536 e 427, respectivamente. As quantidades correspondem a 20,1%, 11,9% e 9,4% do total de veículos ativos na região. Em seguida, aparecem Instagram, com 365 (8,1%) veículos cadastrados, e YouTube, com 203 (5,1%). A rede menos usada entre as avaliadas foi o LinkedIn, que aparece em 73 cadastros (1,6%).

Vale notar que essa é uma amostragem representativa do mapeamento, mas é preciso considerar que muitos veículos da região ainda não tiveram atualizações cadastrais de redes sociais.

A ordem de popularidade das redes sociais no Sudeste é a mesma da nacional. Em relação a algumas outras regiões, porém, há variações. Em todas, o Facebook* é a rede com maior número de registros. Porém, no Centro-Oeste e no Nordeste, o Instagram é mais popular que o Twitter, aparecendo em segundo lugar. No Norte, o Twitter aparece em segundo lugar, à frente do WhatsApp e do Instagram. No Sul, o padrão é o mesmo do Sudeste.

Muitos veículos têm contas em mais de uma rede. Apesar disso, nem sempre são mantidas ativas. São comuns casos em que as contas estão sem uso há anos. O Diário de Notícias, por exemplo, fez a última postagem no Instagram em março de 2018. A Gazeta de São Matheus não atualiza o Twitter desde 2011. O último twitter do União São Paulo é de 2015. O Notícias da Região Sul, especializado na cobertura da Zona Sul de São Paulo, tem Instagram ativo. Mas, no YouTube, onde também criou um canal, não tem nenhum vídeo publicado. As contas no Instagram do jornal Fato Paulista e do Itaquera em Notícias, ambos de São Paulo, existem. Mas, da mesma forma, nunca foram usadas para postar nada.

Com as redes sociais e sites desatualizados, alguns desses jornais podem parecer que estão fechados, a quem está acostumado a consumir notícias na internet. Mas nem sempre é verdade. Sem atualizar o Facebook desde agosto de 2018 e sem site, o Itaquera em Notícias, com mais de 40 anos de atividade, continua a circular “com ajuda de anunciantes amigos e anúncios do governo”, diz José Carlos Gutierrez, dono do título e de O Paulistano. O jornalista diz que deixou de atualizar as redes por questões de custo. Pelo mesmo motivo, O Paulistano já circula atualmente sem frequência definida. Mas, mesmo com a pandemia, Gutierrez diz que vem fazendo o que pode para manter o Itaquera em Notícias.

Quando são usadas ativamente, porém, as contas em redes sociais têm finalidades bastante diversas. A Tribuna Piracicabana, jornal com 46 anos, por exemplo, usa o Instagram para publicar posts com as chamadas de suas matérias. O mesmo acontece no Jornal de Vinhedo. O Instagram é bastante usado também para a publicação da primeira página do impresso, como faz o Diário de Rio Claro, que distribui a edição em PDF via WhatsApp e tem conta no YouTube para a veiculação de pequenas reportagens e anúncios publicitários em vídeo. O registro de contas no LinkedIn é mais raro e costuma aparecer em veículos maiores e com mais recursos, como a revista Veja ou o site Brasil de Fato, que publicam basicamente chamadas para as notícias e reportagens que publicam.

É comum também o uso das redes sociais como principal plataforma de distribuição de notícias. Segundo o levantamento do Atlas da Notícia 4.0, em Minas Gerais, o percentual de veículos online que são blogs ou nativos em redes sociais chega a 31,33%. No Espírito Santo, a fatia é de 22%; no Rio de Janeiro é de 13,5% e, em São Paulo, de 8,42%. Um exemplo é a Gazeta Matiense, lançada este ano por um jornalista formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e produzida exclusivamente no Facebook.

Impressos em queda

A quarta edição do Atlas da Notícia identificou ainda uma redução de 3,7 pontos percentuais na proporção de veículos jornalísticos ativos na região Sudeste sobre o total nacional, na comparação com o levantamento de 2019. Isso acontece porque a participação de outras regiões, mais notadamente do Nordeste, aumentou com o cadastro de novos veículos digitais, ao passo que no Sudeste esses registros ficaram praticamente estáveis. Em números absolutos, houve ligeira queda de veículos ativos, de 4.521 para 4.517.

A principal redução aconteceu no número de impressos em circulação, com o registro de 151 fechamentos. O número de veículos online, de rádios e TVs contabilizados como ativos, porém, cresceu. Os acréscimos foram de 117, 28 e 2, respectivamente, de 2019 para 2021.

O registro do fechamento de veículos impressos foi particularmente alto no Estado de São Paulo, com 132 casos. Um dos títulos que deixou de circular em 2020 foi A Tribuna de Rio das Pedras, no interior de São Paulo. Parou de rodar em julho, depois de 30 anos — a cobertura da cidade continua a ser feita pela equipe de A Tribuna Piracicabana, dona do título, que produz também A Tribuna de São Pedro, ambas em edição impressa e digital. Outro exemplo é o do jornal Lance!, que fechou suas edições impressas em São Paulo e no Rio de Janeiro em março, depois de 23 anos de circulação. Além desses, os gratuitos Metro e Destak também interromperam a distribuição. Mas, enquanto o Metro permaneceu ativo no meio online, o Destak, que já vinha em crise, atrasando salários da redação, cortou a produção em todos os canais em março, após uma greve promovida pelos jornalistas.

Na contramão, há pelo menos um caso de relançamento de veículo impresso, no Rio de Janeiro. É o do jornal Voz das Comunidades, que terá a tiragem de 10 mil exemplares distribuída aos moradores das comunidades do Complexo do Alemão e da Penha.

Menos desertos

Entre as boas notícias nesta edição do Atlas, o número de desertos de notícia identificados caiu. Na edição passada, havia na região 1.010 municípios, ou 60,6% do total, sem nenhum veículo jornalístico ativo. Na edição atual, há 967, ou 58% do total. A diferença é de 43.

Proporcionalmente, o Rio de Janeiro aparece agora como o Estado brasileiro com menos desertos de notícias. Na edição passada do Atlas, era o segundo, atrás do Mato Grosso do Sul. Apenas 9,8% dos 92 municípios fluminenses não têm nenhum veículo jornalístico ativo. O percentual está bem abaixo dos 58,9% da média nacional. No Espírito Santo, o percentual é de 42,3%, em um universo de 78 municípios. Em Minas Gerais, 68,2%, dos 853 municípios. São Paulo, tem 53,2% dos 645 municípios sem veículos jornalísticos ativos.

A região Sudeste segue tendo duas de suas capitais entre as três cidades do país com maior número de veículos jornalísticos. São Paulo perdeu dez veículos jornalísticos, na comparação com a edição passada do Atlas da Notícia. Mas segue como líder, com um total de 851. Em terceiro lugar, atrás do Distrito Federal, está o Rio de Janeiro, que somou onze veículos jornalísticos no período, e manteve-se em terceiro lugar, com 272. Belo Horizonte, com 110 veículos, caiu da sétima para nona posição. Vitória é a 27ª.

*Disclaimer: o Facebook, dono também de Instagram e WhastApp, é patrocinador do Atlas da Notícia.

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Dubes Sônego é jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Em pouco mais de 20 anos de carreira, atuou principalmente na cobertura de negócios. Atualmente, edita a revista de inovação corporativa The Funnel Brasil, trabalha como freelancer, e é pesquisador do Atlas da Notícia para a região Sudeste.

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Colaboradores

Colaboraram na quarta edição do Atlas da Notícia os seguintes voluntários:

Adriana de Faria e Souza
Ana Beatriz Rocha de Nóbrega
Beatriz Máxima
Bruno Cidadão
Bruno Gonçalves Denofrio
Camila Araujo
Carlos Eduardo Andrade Costa
Denis Tavares
Douglas Figueiredo de Oliveira
Ellen Sayuri Okido Matsumoto
Emanuele Santos Almeida
Esther Silva Gomes Ferreira
Fernanda Cipriano
Giullia Maria Colombo Caporrino
Hugo Sousa de Oliveira
Ingrid Felix da Costa E Silva
Isabella Pilegis Rocha
João Pedro Duarte Martinez
Jullia Gouveia
Juliana Bossardi
Karol Cardoso
Leonardo Souza de Oliveira
Martina Guteirrez
Mike Faria da Cruz
Paulo Paulino
Polliana Cavalcante
Rafael Medeiros
Rafael Pimenta
Sarah Gomes da Silva
Sofia Nunes Aureli
Sofia Leão
Thaynah Silva
Victor Monteiro
Vitória Silva

Com o apoio das seguintes instituições:

Universidade Estadual Paulista (UNESP-Bauru)
Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP)
A Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (ESAMC Uberlândia)
Universidade Federal Fluminense (UFF)
Universidade Federal de Uberlândia (UFU)