1. Tendo em vista a análise do modelo de realização do imperialismo estadunidense e sua intervencionista presença contemporânea, estilo dron, nas manifestações de rua do Brasil em 2013 e 15 de março de 2015, este ensaio propõe atualizar o aforismo oitavo, presente no texto “Sobre o conceito de História” (1940), do filósofo alemão, Walter Benjamin […]
Artigos de Luís Eustáquio Soares
1. Se se considera a fórmula do rosto, tendo em vista a filosofia de Deleuze e Guattari, muro branco buracos de subjetividade, é possível assinalar dois momentos na história da civilização burguesa: 1) um primeiro em que a questão do rosto era simples, maniqueísta, porque funciona(va) afirmando o rosto europeu e inferiorizando os demais perfis […]
1. Como definir um idiota? Etimologicamente, e se dane a etimologia, a palavra idiota vem de idio, que significa próprio. É, pois, aquilo que é próprio de alguém e que, assim sendo, torna-o distinto das demais pessoas. Um idiota é um “próprio” concebido, pois, de forma negativa, na suposição de que seja um palhaço, um […]
1 Em Interpretação dos sonhos (1900), Freud, dentre outros, analisou um sonho que uma paciente sua teria ouvido numa conferência que a impressionou muito, assim o tendo narrado: “Um pai estivera de vigília à cabeceira do leito de seu filho enfermo por dias e noites a fio. Após a morte do menino, ele foi para […]
1 O português Pedro Fernandes Sardinha, nascido em Évora em 1496, tornou-se, em 1551, o primeiro bispo brasileiro. Em 1556, foi capturado e, num ritual antropofágico, devorado pelos Caetés, que ignoraram suas ameaças de castigo eterno e o saborearam com alegria, ritualisticamente. 2 374 anos depois, o banquete canibal dos índios Caetés inspirou o poeta […]
1 Trançar um texto com as seguintes cabeleiras. Uma de Nietzsche. O último cristão morreu na cruz. Outra de Marx. A dialética de Hegel constitui um puto método, mas está de cabeça para baixo. Outra de Wittgenstein. Não existe outro lugar para buscar o sentido seja lá do que for senão no estado civil das […]
1 No poema-livro Café – Tragédia Secular, do poeta modernista brasileiro, Mário de Andrade, é possível ler os seguintes versos: “Eu sou aquele que disse:/ eu sou a fonte da vida/Não conte o segredo aos grandes /e sempre renascerás./Força!… Amor!… trabalho!… paz…”. Por sua vez, no poema “Nosso Tempo”, do livro A rosa do povo, […]
1. “Somos todos quem nos supusemos”, anuncia, em verso, Álvaro de Campos, heterônimo do poeta português, Fernando Pessoa, no poema “Pecado Original”, que assim começa: “Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?/ Será essa, se alguém a escrever/A verdadeira história da Humanidade.” Se, parafraseando um verso do poema, somos quem falhamos ser, […]
Tão interessante quanto a conferência “O que é o autor?”, realizada por Michel Foucault em 1969, na Sociedade Francesa de Filosofia, foi a intervenção, em forma de debate, de figuras como Lucien Goldmann, Jacques Lacan, J. d’Ormesson, J. Ullmo e J. Wahl, pois de uma forma e de outra todos os presentes tocaram naquilo que […]
O que significa assumir todas as consequências do argumento de que somos, os humanos, seres que fazem a sua própria história? Para uma primeira possibilidade de resposta para essa questão, recorro a Marx, o de 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852), no qual assim o autor de O capital (1867) se expressa a respeito: […]
Em O 18 Brumário de Luís Bonaparte(1852), Marx produziu esse argumento lapidar: “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira como tragédia e a segunda como farsa.” Podemos descolar esse conhecido […]
No livro Kafka, por uma literatura menor (1975) de Gilles Deleuze e Félix Guattari, existe um capítulo que merece ser retomado especialmente porque nele é possível ler a proposta de uma estrutura edípica que recocheteia na triangular família patriarcal, com mamãe, papai e filhinho, precisamente para nos mostrar que esta pode ser gradativamente dilatada até […]
Como professor, trabalhei durante dez anos numa escola da periferia de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Nela fiz amigos com os quais desenvolvemos projetos político-pedagógicos marcados pela seguinte premissa: se um aluno pobre não sabe, com clareza, os motivos históricos concretos que condenaram ao abandono a vida de suas famílias e, portanto, deles mesmos, […]
O cenário da luta pelo poder ocorre também e talvez até antes de tudo no campo semântico, da produção de sentidos. Os sentidos dominantes numa sociedade são precisamente o daqueles que detém o poder. E o que é o sentido? O sentido é simplesmente o que nos faz sentido, aquilo que entendemos como importante em […]
1 Se, no campo da musicologia, o ritornelo é a repetição de um trecho de uma composição musical (seu refrão), na filosofia de Deleuze e Guattari, por sua vez, ele é concebido como o conteúdo ao mesmo tempo retomado e em expansão da música, um mesmo que é um outro: repetição e diferença. Existe sempre […]
1. Um dos aspectos mais interessantes da literatura do escritor checo Franz Kafka (1883-1924) está relacionado com a sua potência para mostrar como as relações de poder se inscrevem em todos os lugares, porque tudo está absolutamente misturado. É assim, por exemplo, que no romance O processo (1925), o ateliê do personagem Titorelli, pintor de […]
1 Marx, no primeiro volume de O Capital (1867), forneceu-nos a fórmula de nosso sistema mundial de produção de mercadorias: D-M-D, onde d é dinheiro e m é mercadoria. Não sem humor, o que Marx pretendia mostrar com essa equação era simplesmente que ela se constitui como um verdadeiro círculo vicioso, pois qualquer relação mediada […]
1 No prefácio (1920) de Imperialismo, fase superior do capitalismo (1916), Vladimir Illitch Lenin (1870-1924), líder da revolução russa de 1917, define o imperialismo tal como sugere o subtítulo de seu livro, fase superior do capitalismo, detendo os seguintes traços: 1)através dele, o capitalismo se transformou num sistema mundial de subjugação; 2) que estrangula a […]
Chamemos de discursos o reino dos ditos e dos escritos, independente da área do saber. Todas as sociedades, sob esse ponto de vista, são constituídas de discursos, de ditos e de escritos. Nelas e através delas um rigoroso controle dos discursos é implacavelmente exercido, razão pela qual o desafio da ordem social, fundamental para qualquer […]
1. Em diálogo com Deleuze e Guattari, assumo o argumento de que o capitalismo vive de fluxos, com fluxos, pelos fluxos, de forma hiperpragmática. Estes, por sua vez, simplesmente podem ser traduzidos como forças terráqueas, sociais, tecnológicas, artísticas, identitárias, cosmológicas, como, enfim, quaisquer forças, independente de suas qualidades intrínsecas, razão por que, na fábrica mundial […]
