O príncipe Grigorij Alexandrovitch Potemkin (1739-1791) foi um marechal-de-campo russo, além de conselheiro e amante da csarina Catarina II (1729-1796). Durante boa parte de sua vida, envolveu-se com um projeto de colonização das selvagens estepes do sul da Ucrânia. Era considerado um sonhador e tornou-se conhecido como o fundador de cidades como Kherson, Nikolaev, Sebastopol. […]
Artigos de Luís Eustáquio Soares
Inspiro-me novamente no livro Crítica da razão indolente. Contra o desperdício da experiência (2003), de Boaventura de Souza Santos, a fim de sustentar o argumento de que a história das civilizações tem sido marcada pela relação hierárquica entre três formas de conhecimento: 1) o conhecimento moral-prático, 2) o conhecimento estético-expressivo; 3) o conhecimento cognitivo-instrumental. O […]
Segundo o sociólogo português Boaventura de Souza Santos, em Crítica da razão indolente. Contra o desperdício de experiência (2003), a pós-modernidade está tomada e tramada por um sistema de racionalidade indolente e, não obstante a sua presunção e a sua arrogância simultâneas, está escandalosamente muito aquém dos desafios e riscos postos, no contemporâneo, pela e […]
1 Porque morremos, dominamos a vida, ameaçando-a, escravizando-a, matando-a. Qualquer forma de poder, entendida como relação entre forças que disputam o domínio de umas sobre as outras, funda-se antes de tudo, portanto, a partir de uma evidente ameaça à vida: se você não se submeter aos meus caprichos, eu te mato. Se não morrêssemos, é […]
No livro Ao vencedor as batatas (1977), o crítico literário Roberto Schwarz elaborou uma pertinente crítica sobre a produção literária de Machado de Assis, tendo em vista o argumento de que, num país escravocrata, como era o Brasil do final do século 19, com uma estrutura produtiva pré-moderna, as ideias relacionadas ao mundo burguês europeu, […]
Começo este artigo me apoiando em dois argumentos contidos, respectivamente na tese sexta e sétima do ensaio de Walter Benjamin Sobre o conceito de História, escrito no ano de sua morte, em 1940. Na sexta tese me deterei no seguinte trecho: “O perigo ameaça tanto a existência da tradição como os que a recebem. Para […]
No final de Condição Pós-Moderna (1993), o geógrafo marxista britânico David Harvey (1935-) argumentou que a atual época que nos cabe viver se tornou adepta intransigente da diversidade, em nome da qual se inviabiliza e desqualifica qualquer possibilidade de parâmetros comuns para os povos do mundo, os quais se tornaram, por isso mesmo, reféns do […]
1 Em diálogo com a premissa de que a presença humana na Terra, tendo em vista as grandes civilizações, tem sido absolutamente trágica, porque historicamente tem se realizado através da dominação a um tempo econômica, patriarcal, étnica, epistemológica e um sem fim de outras correlacionadas, no livro Tragédia moderna (2002), o crítico literário, Raymond Williams […]
Grande Sertão: veredas (1956), de João Guimarães Rosa, é romance pactário do começo ao fim, assim como do começo ao fim, numa estrutura narrativa em que o fim é o começo, ser pactário está relacionado com a defesa do dispositivo ficcional, entendido como afirmação da vontade humana, que a si mesma se inventa à medida […]
Num mundo tão confuso como o nosso, aparentemente pleno de matizes, com tantas entradas e saídas, encruzilhadas, para viver nele mais do que nunca, tal qual numa selva cheia de feras, é necessário trazer consigo um kit de sobrevivência mínimo, razão por que o objetivo deste artigo é o de apresentar (sob a ótica do […]
1 No âmbito do marxismo, fetichismo é o nome comum de um procedimento mágico e obscurantista, no qual e através do qual o inanimado, a mercadoria, adquire alma, autonomia, subjetividade, de modo a tornar-se mais humano que e humano, mais Deus que Deus, num contexto social e produtivo, o do capitalismo, em que a forma […]
O Naturalismo foi, como se sabe, uma escola literária do século 19 e início do século 20. Bem mais que se inspirar no evolucionismo de Charles Darwin (1809-1882), do qual tomou de empréstimo o argumento da seleção natural, estava visceralmente implicado com o tumulto das relações de força mais reacionárias vinculadas ao epicentro sísmico da […]
1 Desde as grandes civilizações, temos vivido a disputa de três formas de epistemologias ou saberes: a estético-expressiva, a cognitivo-instrumental e a moral-prática. 2 O conhecimento estético-expressivo está relacionado à linguagem, entendida como sistema semiótico, razão pela qual envolve um mundo de formas semióticas de expressão: linguagem verbal, escrita, icônica, fílmica, musical, televisiva, poética, ficcional […]
O filósofo alemão Walter Benjamin (1892-940) produziu uma singular concepção de história que pode ser demonstrada no seguinte trecho de seu ensaio Sobre um conceito de história: “A tradição do oprimido nos ensina que o estado de exceção em que vivemos é na verdade a regra geral” (BENJAMIN, 1994,p.226). Duas premissas marcam a sentença acima: […]
Curiosa é a origem grega da palavra hybris. De um lado, tendo em vista sua etimologia, significa desafio, provocação ou insubordinação a uma ordem cosmológica preestabelecida pelos deuses, constituindo-se como um presente dilatado, sem passado e sem futuro, na suposição de que sempre existiu e sempre existirá – a ordem tal. Nas tragédias gregas, a […]
1 Em diálogo com Gilles Deleuze e Félix Guattari, especialmente com o volume três de Mil Platôs (1996), este artigo assume de antemão o argumento de que o capitalismo pode e deve ser analisado como uma empresa mundial de produção, distribuição e consumo de rostos, de modo que, nele e através dele, tudo se torna […]
No manifesto Caranguejo com Cérebro (1992), Fred Zero Quatro (1965), compositor do grupo pernambucano Mundo Livre S/A,esboçou as bases teóricas do movimento de contracultura recifense manguebeat, criado na década de 90 do século passado e que teve como expoentes, além do próprio Fred Zero Quatro, os compositores e cantores Chico Science (1966), morto prematuramente num […]
Em História da sexualidade: vontade de saber (1976), o filósofo francês Michel Foucault (1925-1942) mostrou-nos, para quem tem olhos livres para ler, como o não menos “livre e democrático” Ocidente produziu, a partir de seu ponto G civilizacional, as subjetividades estilizadas que circulam em Nova York e que se tornaram os modelos de humanos a […]
De Em defesa da sociedade (1997), livro que apresenta cursos ministrados pelo filósofo francês Michel Foucault no Collège de France, de 1975 a 1976, destaco, para os fins deste artigo, o seguinte trecho: “Desde quando, como e por que se imaginou que uma espécie de combate ininterrupto perturba a paz e que, finalmente, a ordem […]
Para o crítico literário inglês Raymond Williams, autor de Tragédia Moderna (2002), as guerras, os acidentes de trânsito, os sequestros, a especulação imobiliária, a mercantilização da vida, a fome; violências urbanas como o roubo, sequestro, assassinatos, estupros; o abandono à própria sorte da maior parte da população do planeta, sem eira nem beira; sem trabalho, […]
