Tuesday, 09 de August de 2022 ISSN 1519-7670 - Ano 22 - nº 1199

Filmes dividem atenções com segurança e imigração

O 66. Festival Internacional de Cinema de Berlim começa na prática no dia 11/2 com a apresentação à imprensa dos sete membros do Júri da Competição Internacional, presidido pela atriz Meryl Streep. Depois da exibição dos dezoito filmes selecionados, Meryl Streep anunciará dia 20 à noite, os premiados com os Ursos de Ouro e de Prata.

Tão logo termine esse contato direto com os jurados, os jornalistas credenciados no Berlinale poderão assistir o filme “Ave Cesar!” , dos irmãos Cohen e ainda inédito.

A diferença este ano será o clima ostensivo de controle e de segurança na sede do Festival e nos cinemas de Berlim com filmes das diversas mostras do Festival. Todos os jornalistas foram alertados para restringirem ao máximo seus objetos de trabalho, caso contrário poderão ter acesso proibido.

Embora a imprensa alemã fale em Festival « morno », muitos astros e realizadores de prestígio pisarão no tapete vermelho, como George Cloney no filme de abertura ; Spike Lee, com seu filme “Chi-Raq” e o boicote ao próximo Oscar ; o controvertido Gérard Dépardieu numa coprodução franco-belga ; Isabelle Huppert, numa coprodução franco alemã ; Nicole Kidman, num filme literário com Colin Firth ; Michael Moore com seu novo documentário. Hospitalizado nos EUA por pneumonia, o diretor deverá se encontrar com a imprensa dia 16, quando também falará do seu apoio a Bernie Sanders.

Para o diretor do Festival, Dieter Kosslick a questão dos refugiados, que agita a Alemanha, e o 30. aniversário do prêmio Teddy Award, para filmes com temas homossexuais, acabarão provocando muita polêmica entre os participantes. Ele lembra que o começo do Festival, em 1951, ocorreu quando a Europa vivia ainda as consequências da Segunda Guerra e problemas de refugiados. Muitos filmes tratarão das razões das guerras, geradoras dos movimentos de migração.

Kosslick quer  “um Festival mostrando solidariedade decorrente da chegada de mais de um milhão de emigrantes à Alemanha”. Refugiados sírios e do Oriente Médio terão barracas para venderem especialidades da região ao público do Festival, com o objetivo de se criar um clima de integração.

Neste ano em que o livro de Hitler, Minha Luta, caiu no domínio público, a questão do nazismo volta a ser atual e o filme “Sós em Berlim”, de Vincent Perez, com Brendan Gleeson e Emma Thompson, trata do tema, na competição internacional.

O Brasil no Festival

O cinema brasileiro só tem um filme concorrendo a um Urso, é o curta-metragem “Das Águas Que Passam”, de Diego Zon.

Dois filmes estão na mostra Panorama, onde só há o Premio do Público, obtido no ano passado por “A Que Horas Ela Volta”, de Anna Muylaert, que retorna a Berlim com “Mãe Só Há Uma”. O outro filme brasileiro na Panorama é “Antes o Tempo Não Acabava”, coprodução com a Alemanha, de Sérgio Andrade e Fábio Baldo. Há também o documentário “Curumin”, de Marco Prado.

Dois filmes brasileiros na mostra Forum : “Muito Romântico”, de Melissa Dullius e Gustavo Jahn ; e “Ruína”, de Gabraz Sanna, mais uma instalação de Raphael Grizey, “A Mina dios Vagalumes”.

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Rui Martins é jornalista, escritor e está em Berlim para cobrir o Festival de Cinema