
(Foto: Alexey Demidov/Pexels)
Celso Lungaretti, eterno combatente contra o capitalismo e contra as ditaduras, desde seus anos de secundarista, prepara a publicação do segundo volume do seu livro Náufrago da Utopia. No momento, Celso está hospitalizado, se recuperando de uma queda na qual quebrou uma perna.
Celso sabe que sua primeira luta contra a ditadura militar de 1964-85, que lhe deixou sequelas no corpo, precisou se ampliar com a atual transformação do capitalismo num monstro maior, naquilo que o escritor e político suíço Jean Ziegler, outro combatente recentemente falecido, qualificou de “canibalismo oligárquico”: a acumulação excessiva da riqueza por alguns bilionários paralela a novas regulações trabalhistas que penalizam ainda mais os pobres.
A incansável luta de Celso Lungaretti, iniciada com sua participação na luta armada, continua ainda ativa num blogspot, Náufrago da Utopia, com textos renovados semanalmente. Embora o blog tenha ultrapassado a marca dos 5 milhões de acessos desde sua criação em 2008, Lungaretti não se lançou com a mesma força nas novas plataformas, como Instagram, YouTube e Facebook.
Enquanto aguardo o lançamento do Náufrago da Utopia 2: Memória e Legado, cujo objetivo é de deixar um legado histórico sobre a geração que enfrentou a ditadura militar nos anos 60 e 70, minha intenção é lembrar a participação de Lungaretti, um dos últimos combatentes daquela época ainda vivos, aqui no Observatório da Imprensa. Ele colaborava com o OI quando Carlos Brickmann trabalhava com Alberto Dines.
No seu primeiro texto, em 18 de maio de 2007, Lungaretti criticava duramente a revista Veja por um texto relacionado com o movimento MR-8, sob o título “Um perigo chamado Veja”, cujo link vem embaixo.
Logo depois, outro texto criticava a colega Mônica Bergamo por ter noticiado, na Folha de S.Paulo, o lançamento do livro de Carlos Brilhante Ustra, sem explicar se tratar do torturador do DOI-Codi, cuja ficha criminosa já havia sido publicada na própria Folha pelo colunista Elio Gaspari, seguindo-se o protesto do colega jornalista Alípio Freire ao jornal, não publicado. E o texto de Lungaretti ao ombudsman da Folha, também não publicado.
Destaque também para um texto em memória do jornalista Paulo Francis, “o mais influente jornalista brasileiro do século passado”, para quem “tudo que há para se aprender de jornalismo, aprende-se em 15 dias numa redação”.
Seu último texto aqui no OI conta o sofrimento das famílias vítimas da repressão da ditadura, das famílias de seus companheiros mortos pela repressão. Depois de citar Eunice Paiva e Zuzu Angel, conta momentos emocionantes com a família do jovem Eremias Delizoicov, jovem de 18 anos assassinado pela repressão militar. E ainda a família de Massafumi Yoshinaga, que se suicidou depois de libertado pelo DOPS.
Foi também importante a luta de Celso Lungaretti em defesa do italiano Cesare Battisti, junto com Carlos Lungarzo e Eduardo Suplicy, luta da qual participei na Europa com a escritora Fred Vargas.
Algumas referências:
Náufrago da Utopia
https://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
https://www.observatoriodaimprensa.com.br/feitos-desfeitas/um-perigo-chamado-veja/
https://www.observatoriodaimprensa.com.br/educacao-e-cidadania/caderno-da-cidadania/um-autor-como-outro-qualquer/
Paulo Francis
https://www.observatoriodaimprensa.com.br/memoria/houve-uma-vez-um-jornalista/
https://www.observatoriodaimprensa.com.br/politica/brasil-continua-em-debito-com-muitas-outras-familias-inclusive-as-de-marighela-e-lamarca/
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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.
