Sábado, 16 de maio de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1388

Warren Buffett, caçador de jornais

Warren Buffett gosta de caçar “elefantes”, como se refere às grandes empresas que compra. O último grande negócio foi a aquisição no início deste ano, em parceria com o empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann, da fabricante de ketchup Heinz, por 23,6 bilhões de dólares.

Em sua mensagem anual a acionistas de sua empresa, a Berkshire Hathaway, o mega investidor lamenta a falta de elefantes em 2012, mas dedica quase três das 24 páginas aos jornais. Eles podem não estar entre os grandes elefantes de Buffett, mas têm sido um negócio bastante presente nas ações recentes da companhia.

Nos últimos 15 meses, a Berkshire – que tem negócios nos mais variados setores – comprou nada menos do que 28 diários. Buffett acredita no papel – sem trocadilho – do jornal. “Não há substituto para um jornal local cumprindo o seu trabalho”, escreveu ele.

As compras custaram a Buffett um total de 344 milhões de dólares, quantia relativamente pequena em comparação ao resto de seu conglomerado. A Berkshire tem participação em grandes empresas como a companhia ferroviária Burlington Northern Santa Fe e a MidAmerican Energy, de energia elétrica, além de pequenas, como a Brooks Sports, de tênis de corrida, e a See’s Candies, que produz chocolates. No total, o grupo emprega quase 290 mil pessoas.

Onda de compras

Buffett foi entregador de jornais na adolescência. Proprietário há bastante tempo do Buffalo News e acionista da Washington Post Company, ele afirmou, há quatro anos, que não compraria um jornal, independente do preço. Mas os negócios dos últimos meses e sua recente mensagem aos acionistasrefletem o quanto sua opinião mudou.

A onda de compras começou em novembro de 2011, quando a Berkshire fechou um acordo para adquirir a Omaha World-Herald Company – e o jornal da cidade natal de Buffett. Em maio de 2012, o empresário comprou a cadeia de jornais da Media General, com exceção do Tampa Tribune. Nos últimos meses, continuou a demonstrar interesse na compra de mais títulos.

“Jornais que distribuem informação abrangente e confiável para unir a comunidade e têm uma estratégia sensata de internet continuarão viáveis por um longo tempo”, acredita.