Saturday, 13 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

Marco em perigo

NIGHTLINE

A ABC está negociando a contratação do programa de David Letterman, da CBS, para o horário das 23h30. O apresentador não esconde sua insatisfação com a atual emissora, que transmite o show desde 1993. A mudança, no entanto, causaria a transferência ou mesmo o fim do programa Nightline.

Embora Tonight Show, da NBC, lidere a audiência do horário, com 5,7 milhões de telespectadores, Nightline alcança 5,6 milhões, ultrapassando Letterman (4,7 milhões). O marco é ainda mais impressionante considerando-se que o programa freqüentemente foca política externa, como a série sobre a guerra civil no Congo. Segundo Howard Kurtz [The Washington Post, 1/3/02], Ted Koppel, fundador e âncora do Nightline, expressou cansaço com o horário tardio ao renovar o contrato dois anos atrás, reduzindo a exibição para três noites por semana.

Koppel respondeu à notícia na página de opinião do New York Times (5/3). Agradecendo as mensagens de apoio, defendeu o programa que criou em 1980 e indicou que pode até deixar a rede em que trabalha há 39 anos para que o noticiário continue a existir: "Nightline (ou qualquer programa similar) precisa ter lugar na TV, e confio em que terá. Espero que seja na ABC, mas a decisão está além de nosso controle."

O âncora lembra que quando o então presidente da ABC News concebeu um noticiário noturno não havia expectativas de competir com Tonight Show. "Mas, quando perguntei o que a ABC entendia por ?sucesso?, me disseram: ?Apareça num respeitável terceiro lugar?." "Fizemos melhor do que isso." Nos últimos 22 anos Nightline manteve o segundo lugar, atingindo a liderança em tempos de crise. Para Koppel, isto se deve ao fato de providenciarem serviço público de verdade. Ao longo dos anos, com a chegada da TV a cabo e de redes de notícias 24 horas, a audiência diminuiu, mas ainda se mantém cinco vezes maior do que programas de sucesso no setor a cabo.

Para o jornalista, a equipe jamais perdeu de vista o fato de trabalhar para a TV comercial. "Contribuímos para o compromisso da emissora de visar o interesse público, mas também ajudamos a pagar a conta", lembrando que o programa gerou um total de meio bilhão de dólares. Ressentido porque um executivo da companhia disse que Nightline está ultrapassado, Koppel argumenta que nestes tempos, quando a análise da política externa é mais essencial do que nunca, "é inadequado e, na pior das hipóteses, malicioso chamar de irrelevante o que eu e meus colegas fazemos".

MICHAEL FINKEL

Duas semanas depois de avisar aos leitores que o freelance Michael Finkel não escreveria mais para o jornal por usar "técnicas narrativas impróprias", o New York Times continua investigando as reportagens antigas do repórter. Finkel contou que o jornal enviou gente ao Haiti e a Gaza, onde fez matérias em 2000. O editor-assistente Allan Siegal confirmou que o jornal "faz o possível" para verificar se o que foi publicado está correto.

Em novembro, Finkel "recriou" a vida de Youssouf Malé, garoto africano que trabalhava em plantação de cacau, com as histórias de outros jovens na mesma condição. Desde a descoberta, o jornal investiga todos os artigos do repórter. "Eles não acharão nenhum incidente como este", declarou Finkel. Esta também é a opinião do jornal até o momento, revela Paul D. Colford [New York Daily News, 5/3/02]: "Até agora, não tiramos nenhuma conclusão a não ser que o artigo sobre Malé parece ter sido uma aberração isolada.", afirmou Siegal. Matéria de Finkel que lhe valeu um Prêmio Livingston de US$ 10 mil também está sendo revisada pela banca examinadora da Universidade de Michigan.