Friday, 19 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

Repressão permanente

MIANMAR

Jornalistas de Mianmar (antiga Birmânia) trabalham sob duro regime de censura e ameaças, denunciou o Comitê de Proteção aos Jornalistas, no relatório "Sob pressão: como o jornalismo birmanês sobrevive num dos regimes mais repressivos do mundo".

Segundo Lin Neumann, autor do relatório, os jornalistas são proibidos de escrever sobre Aids, corrupção e educação. Governado por militares desde 1962, em 1990 o regime impediu a posse da ativista Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz, do partido de oposição democrática. Circulam em Mianmar quatro diários publicados pelo Ministério da Informação e outras 50 publicações, mensais e semanais, que funcionam sob supervisão governamental. O governo proíbe acesso público à internet, controla o noticiário e a mídia eletrônica: ter aparelho de fax sem autorização é crime que pode ser punido com até 15 anos de prisão.

Até dezembro de 2001, 12 jornalistas estavam presos. Na semana passada foi libertado o ex-editor Myo Myint Nyein, que cumpriu 11 anos ? de uma pena de 14 ? por ter escrito poema satírico sobre o Exército e uma carta a ONU protestando contra as condições de prisão. Nyein e quatro opositores foram soltos durante visita do investigador da ONU Paulo Sérgio Pinheiro, professor da USP, em missão de monitoramento dos direitos humanos. As informações são de Matthew Pennington [Associated Press, 15/2/02] e OneWorld.net (15/2).

CORÉIA DO NORTE

Minutos após o avião do presidente Bush aterrissar em Seul, a Korean Central News Agency (KCNA), da Coréia do Norte, pretendeu desviar a atenção do evento com a notícia de duas aparições espantosas no céu, sobre a lendária montanha em que nasceu Kim Jong Il. "Os habitantes se deleitaram com a visão de uma nuvem em forma de Kimjongilia [flor criada artificialmente e nomeada em homenagem ao líder Kim]. Até o céu sobre o Monte Paektu pareceu decorado com belas flores", dizia a matéria, escrita na capital, Pyongyang. Outra "coincidência divina" aconteceu no sábado anterior, dia do 60? aniversário de Kim: a agência noticiosa relatou que o Monte Paektu marcou seu 60? dia de neve, que acumulou exatamente 60 centímetros.

Controlada pelo partido operário no poder, a agência informa que Bush é "um leproso moral" e líder do "império do mal". O líder comunista chamou o presidente americano de "criança retardada". "Depois de visitar a Coréia do Sul com muitos servos de guerra e mercenários, ele deve examinar um plano contra o Norte", dizia outra matéria. Li Yang Su, distribuidor da KCNA no Japão, admitiu em entrevista que a agência está sendo rigorosa com Bush. "Eles sentem que Bush os está oprimindo, querendo a extinção da Coréia do Norte", explicou. James Brooke [The New York Times, 20/2/02] observa que as relações entre a imprensa local e o governo americano continuam hostis, "apesar de os EUA serem o principal doador de comida e combustível ao seu país".