COMUNICAÇÃO DEMOCRÁTICA

Quem financia a mídia privada?

Por Venício A. de Lima em 28/11/2006 na edição 409

O acesso a dados contábeis das empresas de comunicações no Brasil é, certamente, uma das maiores dificuldades que o estudioso enfrenta. Tratados como segredo comercial, é praticamente impossível obter informações relativas a faturamento, fonte e distribuição por veículo de investimentos publicitários, empréstimos, dívidas ou lucros dos grandes grupos de mídia. Com isso, é sempre difícil avaliar com segurança – sobretudo para os não iniciados no mundo das finanças, como o signatário – qual o peso relativo dos investimentos de diferentes setores da atividade econômica no conjunto dos recursos que são destinados à grande mídia privada.

Um exemplo dessa dificuldade tornou-se público recentemente no embate judicial que travam a CartaCapital-Mino Carta e Veja-Diogo Mainardi. Um dos pontos em debate é o volume de publicidade do governo federal que a CartaCapital receberia. A revista de Mino Carta afirma que esse volume não passa de 30% e é inferior ao que recebe a revista Exame, da Editora Abril. Já no artigo objeto da ação judicial por difamação, o articulista de Veja diz que 70% da publicidade de CartaCapital vem do governo federal.

Retomo o assunto a propósito de afirmação que fiz em artigo anterior (OI nº 407) sobre o Estado brasileiro ser – direta ou indiretamente – uma das principais fontes de financiamento da mídia privada comercial, seja ela impressa ou eletrônica ("Comunicação democrática: Quem financia a mídia pública?"). Pelo menos um leitor questionou minha afirmação como incorreta.

Utilizo a palavra "financiamento" no sentido que o verbo "financiar" tem no dicionário, isto é, prover as despesas de; custear. No caso, refiro-me, portanto, ao conjunto dos recursos públicos que fazem parte do "custeio" das empresas da grande mídia, que as ajudam a manter-se em funcionamento. Isso inclui, dentre outros, isenções e incentivos fiscais para importação de equipamentos e matéria-prima; ressarcimento fiscal; empréstimos de bancos oficiais; os patrocínios; a publicidade legal (editais, balanços) e a publicidade da administração pública direta – governos federal, estaduais e municipais – e da administração indireta, tanto das empresas que concorrem como das que não concorrem no mercado.

Dessa forma, o cálculo dos valores envolvidos nesse largo espectro de recursos públicos não é tarefa fácil. Essa, creio, é mais uma razão pela qual eles não são facilmente conhecidos.

Dados não-oficiais

Um exemplo desses recursos públicos – sempre ausente da agenda pública de discussão – é o ressarcimento fiscal. Durante a última campanha, a Receita Federal informou que o horário eleitoral "gratuito" custaria aos cofres públicos cerca de 191 milhões de reais em ressarcimento fiscal às empresas privadas de radiodifusão, aliás concessionárias de um serviço público. Para algumas dessas concessionárias, o horário eleitoral "gratuito" acaba sendo um excelente negócio uma vez que o ressarcimento, estabelecido na Lei Eleitoral, é calculado aos preços correntes da tabela publicitária, raramente praticados na negociação rotineira com os anunciantes.

No que se refere especificamente aos investimentos publicitários, existem estudos publicados e também percentuais que circulam não-oficialmente entre agências e institutos de pesquisa especializados. Como esses percentuais se referem a médias gerais, é impossível a avaliação comparativa dos investimentos nos principais grupos de mídia do país. E é necessário, também, que se tenha o devido cuidado para não reduzir a ampla questão dos financiamentos públicos apenas aos investimentos publicitários.

O jornalista Fernando Rodrigues, por exemplo, tem acompanhado os investimentos publicitários do governo federal de forma sistemática. Em novembro de 2003, com base em dados do Monitor Plus/Ibope e de pesquisa própria sobre grandes anunciantes governamentais ("Gasto oficial responde por 7% do mercado publicitário", Folha de S.Paulo, 10/11/2003), ele estimava que os governos federal, estaduais e municipais eram responsáveis por 7,13% de tudo o que se investiu em publicidade no ano de 2002. Comparativamente, esse percentual era o maior de 14 países, entre os quais se incluíam Estados Unidos e Alemanha.

Já em janeiro de 2005, estimava que a despesa total média com propaganda (incluindo a produção, a propaganda legal e os patrocínios), somente do governo federal, de 1998 a 2004, girava em torno de 1 bilhão de reais por ano. Isso fazia do governo federal o maior anunciante do país ("Governo terceiriza gasto com publicidade", Folha de S.Paulo, 3/1/2005, pág. A-6).

Outra matéria publicada em abril ("Gasto de Lula com publicidade sobe R$250 milhões em 2004", Folha de S.Paulo, 8/4/2005, pág. A-4), estimava que o investimento em publicidade do governo federal, em 2004, ficava abaixo apenas daquele das Casas Bahia, o maior anunciante empresarial do país.

Já em setembro do mesmo ano, Rodrigues estimava que os gastos públicos totais com publicidade alcançariam cerca de 3 bilhões de reais – ou mais de 3 vezes os valores totais de inserções publicitárias do governo federal ("Governos gastam R$ 3 bilhões por ano com propaganda no Brasil", Folha de S.Paulo, 5/9/2005, pág. A-10).

Somente para o governo federal, a estimativa para a propaganda legal era de cerca de 65 milhões de reais e para os patrocínios, de 200 milhões de reais. Acrescidos os valores estimados para os governos estaduais e municipais – cerca de 1,5 bilhão de reais/ano – chegava-se ao total de 3 bilhões de reais.

Há dados não-oficiais que falam de percentuais de 6,4% em 2004 e de 5,5% em 2005 – um ano atípico – relativos ao investimento publicitário público total.

Autorizações de veiculação

Ainda com relação especificamente aos investimentos publicitários, o Grupo de Mídia de São Paulo, na sua publicação anual Mídia Dados, traz tabelas sobre os maiores grupos empresariais anunciantes e sobre os maiores anunciantes – governos federal/estaduais/municipais, mas não tem uma tabela única sobre os maiores anunciantes. Na tabela sobre o investimento publicitário total por setor econômico, que tem como fonte o Monitor Plus/Ibope, existe um setor identificado como "serviços públicos e sociais" que em 2005, por exemplo, ficou em sexto lugar no ranking. Mas o Mídia Dados não explicita se os investimentos desse setor correspondem a recursos públicos e os critérios utilizados pelo Monitor Plus/Ibope para a classificação dos setores econômicos só estão disponíveis, presumo, para assinantes do serviço.

O governo federal, por outro lado, disponibiliza no site da Secom informações sobre investimento publicitário em mídia da administração direta e indireta, mas não traz os dados sobre os governos estaduais e municipais. Ademais, não existem dados comparativos com o investimento privado e os valores divulgados não incluem a publicidade legal, os patrocínios e nem a produção.

Existe ademais uma importante questão adicional que dificulta a avaliação comparativa dos investimentos publicitários públicos e empresariais na mídia privada: os cálculos usualmente divulgados para a publicidade empresarial referem-se ao monitoramento do espaço/tempo ocupado pelos anúncios que é, então, multiplicado pelo valor de tabela usado pelos respectivos veículos de comunicação. Não são, portanto, levados em conta os descontos por volume, uma prática usual no setor. Já no caso da publicidade governamental, os números divulgados pela Secom referem-se aos valores de investimento obtidos através das próprias autorizações de veiculação. Verifica-se, dessa forma, uma enorme potencialidade de distorção para maior dos valores relativos ao investimento na publicidade empresarial.

Dados confiáveis

De qualquer maneira, uma simples comparação entre os últimos valores publicados pelo Mídia Dados 2006 do investimento em publicidade dos 30 maiores anunciantes empresariais e o investimento dos 30 maiores anunciantes dos governos federal/estaduais/municipais, revelará que empresas públicas como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – se incluídas num ranking comum – estariam hoje folgadamente entre os 15 maiores anunciantes do país.

Diante dessas considerações, do amplo histórico da dependência financeira de empresas de mídia do Estado brasileiro, e apesar da impossibilidade de se fazer as devidas comparações, ainda assim existe um conjunto de indicações que permite supor que o Estado de fato é, direta ou indiretamente, uma das principais fontes de financiamento – no sentido amplo que estamos dando à palavra – da mídia privada comercial, seja ela impressa ou eletrônica.

Se algum leitor dispuser de dados confiáveis de fontes públicas que desmintam a afirmação acima, fica o convite para que os revele. Assim não restará dúvida sobre a importância dos recursos públicos como uma das fontes de financiamento da mídia privada no Brasil.

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 ricardo feltrin costa
 Enviado em: 28/11/2006 12:00:20
a manchete da Folha de hoje (28/11) é exemplar... vejam os comentários publicados no blog do Nassif: , hoje: Do blog do Nassif, hoje: Dos fatos e das manchetes - 2 Manchete da "Folha" de hoje: "Publicidade oficial ajuda a bancar a TV do filho de Lula". No primeiro parágrafo da manchete a informações de que "a Gamecorp (...) divide com o Grupo Bandeirantes o faturamento obtido com verbas federais em anúncios na Play TV". Diluídas nas páginas internas as seguintes informações: 1. Todas as informações foram fornecidas pela própria Bandeirantes, no processo que move contra a Editora Abril. O juiz tirou o segredo de justiça, e o repórter pode consultar os autos e selecionar as informações a serem destacadas na matéria. 2. Internamente, pela matéria fica-se sabendo que contrato da Gamecorp com a Bandeirante prevê a divisão em 50% de toda a publicidade arrecadada. Não há uma cláusula especial para publicidade de órgãos públicos, conforme sugere o texto destacado da primeira página. Internamente, artigo de Daniel Castro, o crítico da TV da "Folha", informa que esse tipo de contrato é comum no mercado. (continua...)
 ricardo feltrin costa
 Enviado em: 28/11/2006 12:03:23
(continuação...) 3. O infográfico mostra que a PlayTV deverá faturar R$ 5,2 milhões em 2006, e que o Banco do Brasil e a Caixa estao entre os maiores anunciantes (provavelmente estão entre os maiores de qualquer emissora ou editora). Quando se entram nos valores (perdidos no meio do texto), fica-se sabendo que, em 2006, as verbas federais para o PlayTv foram de R$ 597 mil, ou 11% do faturamento previsto, e 68% inferiores à publicidade oficial em 2005, ano em que a Gamecorp ainda não participava do faturamento do Canal 21. 4. Na defesa, feita pelo advogado Walter Ceneviva, fica claro que a PlayTV concorre diretamente com a MTV, da Editora Abril, que iniciou a campanha contra a Gamecorp. 5. A matéria envereda, assim como a "Veja", em ilações sobre anunciantes privados. A intenção da "Veja" é intimidar esses anunciantes privados com o tom de escândalo conferido às matérias, sufocando a empresa por vias indiretas. A "Folha" acaba embarcando nisso, embora não seja de seu feitio. 6. Ao contrário da "Veja", historicamente a "Folha" fornece todas as informações. Só que, ao se juntar todas as peças, não se encontra o todo anunciado na primeira página.
 luiz seixas
 Enviado em: 28/11/2006 15:19:37
Ô dinheiro mais mal empregado! Vamos e convenhamos: o governo está jogando dinheiro fora aí nesse ralo.
 Apolonio Silva
 Enviado em: 28/11/2006 16:03:01
Parabéns pelo artigo Venício. Seu artigo é uma peça fundamental no momento histórico da imprensa uma vez que estão pairando pelo ar idéias estranhas sobre meios públicos para divulgação de obras do governo. Por outro lado, que a ladainha agora não enverede pela pretensa economia, mas que a discussão sobre o papel da imprensa diante de um estado poderosíssimo, como é o caso do estado brasileiro, ilumine esta estranha fronteira entre o público e o privado, que são as propagandas oficiais e de estatais em revistas. Depois quem sabe, possamos privatizar Carta Capital...
 Marcelo Rosseti
 Enviado em: 28/11/2006 16:57:14
Que tal criar-se a CPI da mídia. A idéia não é minha, parece já ter sido publicada em algum lugar. Assim todos teriam a oportunidade de apreciar figurinhas carimbadas como Mainardi, Azevedo, Alexandre Garcia, Miriam Leitão, Merval, as famílias proprietárias dos jornalões e, principalmente, as organizações "grobo". Nossa, ia sair tanta sujeira. Imaginem quebrar o sigilo dos "Marinhos".
 Thogo Lemos
 Enviado em: 28/11/2006 18:21:30
Meu deus! É esse meio que cobra transparência dos outros setores da sociedade. Parabenizo pelo seu esforço e pelo início dessa discussão, mas, sinceramente Sr. Venício, não acredito que o senhor terá êxito nessa seara. Acho que o senhor mexeu em caixa de abelha. E por falar em caixa-preta, hein!!!
 Douglas L. C. Luis
 Enviado em: 28/11/2006 21:19:53
Isso tudo ocorre devido a falta de competencia de orgaos governamentais serios e entidades se engajarem numa desburocratizaçao e limpeza de de sistema CARROCA DE 1500 anos do BRASIL, isso nao é interessante para elite e burguesia em questao. Engraçado é que existe orgaos como OAB,ABIN,ABES,IDEC,PROCON e ONGS, que trabalham em sentidos totalmente opostos a Realidade e nao Realizam campanhas de cidadania explicaçao e consientizaçao de direitos e deveres. Porque no Brasil é assim... O Pais avança 500 anos mas continua uma colonia de exploraçao. Quem é dono da Midia manipula a massa. A quem interessa o subdesenvolvimento e nao o desenvolvimento, fica uma duvida ... As Tvs pregam a descultura e nao a cultura. Só temos informaçoes serias através orgaos de pesquisas que nao sao brasileiros. Isso vale para midia de Tv e de Internet. Jornais que so pregam pontos de vista de direita é um cenario assustador ... País sem memória é assim mesmo.
 alex prado
 Enviado em: 29/11/2006 00:39:29
Caro Venício, De todos os tópicos, impossível relegar o que trata do horário eleitoral. Ele não acontece apenas em anos de eleição, mas em todos, com o tempo dos partidos. Realmente, de gratuito, não tem nada. Nem para os partidos, nem para os cidadãos. Só é lucrativo para as emissoras (rádio e tv). E a "guerra" destes entes concessionários é apenas pelo direito de distribuir esses horários ao seu bel prazer, mas cobrando a tabela de publicidade cheia.
 Antonio Valadão
 Enviado em: 29/11/2006 00:44:49
Quando se assiste um jornal na Globo, se ve Alexandre Garcia, Miriam Leitão e outros, com comentários a respeito de como o govêrno deve fazer e, oque não deve fazer. Enfim, dão uma aula de economia. Uma coisa me deixa curioso; com todo este pessoal entendendo do assunto como é que a Globo esta´endividada?
 Marco Costa Costa
 Enviado em: 29/11/2006 09:50:58
O dinheiro do contribuinte está indo para o ralo da sujeira que envolve governo e iniciativa privada. Gasta-se milhões de dinheiro para enaltecer as bobagens que os governantes dizem fazer em prol do povo. No entanto, a grande maioria da massa atrasada deste país não se preocupa com o que os governos estão ou não estão fazendo em termo de melhorias. A massa esta preocupada em conseguir um emprego, o qual foi roubado pelo sistema neoliberal, como suprirá o lar de alimentos para a família com um salário mínimo vergonhoso, entre outras necessidades. O ideal seria que os governos transferisse essa verba pública para melhorar de fato, a vida daqueles que encontram-se em estado de miséria absoluta. A iniciativa privada pode muito bem, manter os seus negócios através da própria iniciativa privada.
 Paulo Bandarra
 Enviado em: 29/11/2006 11:12:58
Assim fica difícil entender que a mídia ataque o governante apenas para agradar aos patrões. Não estariam interessados neste caudaloso rio de benesses financeiras? Preferem ficar com a iniciativa privada que não tem a mínima chance de equiparar este enorme volume de recurso no mercado? Dá mais para entender o que o Mino Carta defende no seu Blog “, perguntarei à platéia da festa, apinhada por figurões do empresariado, se convém, no Brasil, remar contracorrente.” Quem mostra independência no fim? Não foi a mídia que perdeu. Quem perdeu foi o povo ao votar no modo lulista de governar. ISTOÉ Dinheiro mostra o tamanho que o povo vai ter que pagar pelo segundo mandato: “O CUSTO DAS ALIANÇAS: Lula sonha com segundo mandato de coalizão nacional, mas a conta apresentada pelos seus novos aliados será bilionária” Venceu a lógica do Mino, todos vão se alinhar para seguir a corrente indicada pelo eleitor. Já o Congresso continua com a pizza da impunidade e se apressando a dividir as benesses do gordo estado brasileiro em Estatais e agências públicas que movem verbas milionárias para os partidos dividirem entre si. Apenas agora não teremos mais oposição para denunciar ou se opor ao exagero. Venceu a tese do Paulo Betti de um Brasil político mais pragmático e menos ideal! E ainda lutam para a mídia não alinhada fazer o mesmo!
 JOSE ORAIR Silva
 Enviado em: 29/11/2006 15:16:00
A questão é seguir o dinheiro. Não existe almoço grátis. Quem paga quer alguma coisa em troca. Se descobrirmos quem financia a mídia descobriremos a quem ela serve. Uma coisa é certa. A receita de venda em bancas e de assinaturas não é relevante. Na época do regime militar aconteceram várias tentativas de se criar o que chamavam de "imprensa do leitor" ou seja, imprensa sem anúncios, tais como os jornais "Opinião", "Movimento", "Em tempo", etc. Nenhum sobreviveu. No Brasil, apenas a revista semanal Carta Capital declara suas fontes: 30% de recursos públicos e, consequentemente, 70% de recursos privados. As outras publicações mantêm um "silêncio de banqueiro" e demonstram um estranho e excessivo pudor em falar sobre o assunto. Afinal, parafraseando o ilustre candidato derrotado às eleições presidenciais, nós, leitores, apenas queremos saber e, inocentemente, perguntamos: "DE ONDE VEM O DINHEIRO"?...
 Zulcy Borges
 Enviado em: 29/11/2006 15:23:37
Ao menos o ênio, quer dizer, Diego Mainardi, lembrou uma boa lebre, porque esta gastança do governo brasileiro para controlar a imprensa já vem de Dom Pedro I. Esta aí um lado das contas públicas que mereceria mais do que transparência a bem da própria liberdade de imrensa. Mas ao que parece esta, na maior e sobretudo oligopolista parte não tem o mínimo interesse além do máximo em manter a farra.
 Ivo Aldo Auerbach
 Enviado em: 29/11/2006 15:38:30
Fazendo um gancho com o leitor Luiz Seixas de São Paulo-SP só acrescentaria o seguinte:..... Por favor, parem de jogar o dinheiro do público na privada! rsrs
 Luiz Humberto Prisco Viana Neto
 Enviado em: 29/11/2006 17:55:49
Bela resposta Venício! Agora, seria interessante mostrar o porquê do governo investir tanto na mídia.
 Eduardo Ramos
 Enviado em: 30/11/2006 02:21:06
Belo artigo. Só acho que os números estão subestimados. Mas nem é isso o que me preocupa. Acho que os Governos tem OBRIGAÇÃO de informar suas ações e o público tem o o DIREITO de acessar essas informações de forma clara, rápida e irrestrita. Na sociedade atual, o melhor jeito de fazer isso é através da Imprensa - e isso não é custo, é investimento. O problema é que não temos critérios e nem transparência nesse processo. Os governantes muitas vezes usam os recursos para auto-promoção e, o que é pior, para manipular ou tentar calar veículos de comunicação. Os empresários do setor, por sua vez, não raramente usam suas redações para tentar EXTORQUIR governos e governantes. O público, coitado, nem imagina no que está metido... A saída é : transparência total. TODOS os veículos de comunicação (inclusive das igrejas, sindicatos, cooperativas, escolas e universidades) devem ter acesso aos recursos´. E os números devem ser publicados periodicamente nos próprios veículos e também em sites oficiais de livre acesso. É claro que essa democratização dos recursos resultaria numa espécie de reforma agrária da comunicação brasileira . Os solavancos e conchavos, que desde o império marcam as relações dos barões da mídia e a classe política, acabariam - ou seriam facilmente identificáveis . Mas vá propor isso pros Marinhos, Magalhães, Civitas, Mesquitas, Sarneys, FHCs, Lulas..
 Eduardo Guimaraes
 Enviado em: 30/11/2006 03:00:19
Ja nao bastava dizerem que o governo Lula inventou a corrupcao no Brasil, agora dao a entender que inventou tambem a publicidade oficial. Nao sei por que me dou ao trabalho de comentar essas baboseiras. Devo ser masoquista.
 Paulo Bandarra
 Enviado em: 30/11/2006 08:38:30
O BANCÁRIO JOSE ORAIR Silva , de BELO HORIZONTE-MG – diz que os periódicos "Opinião", "Movimento", "Em tempo" não sobreviveram por falta de propaganda. Acho que não sobreviveram por falta de leitores suficientes, que não compram jornais para lerem propaganda. Se pegarmos a tiragem semanal da Veja e multiplicarmos o valor de capa teremos uma bela cifra milionária no fim do mês. A Carta Capital declara que ganha 30% de verbas públicas. Não se trata do governo informar corretamente as suas ações, mas apenas propaganda para vender o peixe como querem. Se considerarmos que o artigo acima menciona que elas representam em volta de 6% das verbas do mercado, que já é uma cifra espantosa dentro de milhares de empresas privadas que procuram a visibilidade, é um valor importante. Mas a Carta Capital, de pequena tiragem, concentra nas suas contas cinco vezes o que gira no mercado de propaganda. É uma concentração espantosa pela tiragem pequena. Ou é dirigida à mesma pelo alinhamento dela por “remar a favor da corrente?” É um contra-senso concentrar numa revista de pouca visibilidade propaganda em vez de usar as mídias de maior visibilidade. Mainardi errou no percentual mas acertou na concentração de verbas. Assim como acertou que a Carta Capital era alinhada incondicionalmente e não uma mídia que visava informar aos seus leitores. Como na véspera das eleições o seu editor declararia.
 Marnei Fernando
 Enviado em: 30/11/2006 09:50:21
Por que a mídia esconde que o Hidelbrando é do PFL? Por que a mídia não cobra esclarecimentos e faz reportagens investigativas do conteúdo do dossiê? Porque a mídia não cobra a presença do Serra na CPI? por que a mídia não cobra o fato da CPI dos sanguessugas ter se transformado na CPI da orígem do dinheiro? por que?
 vanderlei nogueira
 Enviado em: 02/12/2006 17:36:23
a mídia brasileira ou ocidental é financiada por grupos de poder econômico, político, religioso ou social. Tudo esta voltado aos interesses destes grupos, enquanto estiverem patrocinando de certa forma estas mídias. Quando a mídia não está sendo patrocinada pelos grupos de poder, estará sendo dominada somente por interesses particulares, podendo ser vinganças pessoais, tramas diversos para obtenção de vantagens
 José Carlos Torves TORVES
 Enviado em: 04/12/2006 12:17:37
Venicio parabéns pelo artigo. Neste final de semana li o seu último livro e achei escelente, o que me fez pegar na prateleira e ler Mídia - Teoria e Política que estava na lista de espera. Achei sensacional o resgate de Paulo Freire diante das novas tecnologias e uma nova contribuição para a comunicação. Acabei o mestrado na PUC-RS e estou pensando num próximo passo que poderia ser por este caminho. Atualmente estou encerrando o meu mandato de presidente do Sindicato dos Jornalistas-RS e vou partir para novos desafios. Gostaria que entrasse em contato comigo, se for possível. Um abraço. Parabéns.
 Terezinha Pinheiro
 Enviado em: 04/12/2006 18:24:54
A pior coisa no que se refere a mídia brasileira é que toda ela pertence a um pequeno grupinho a maioria políticos e empresários que fazem de seus meios de comunicação um instrumento de propaganda pessoal e de desmoralização de quem eles não gostam porque foram contrariados O governo ,inclusive estadual e municiapal,com medo acaba dando a eles grande parte da propaganda oficial.O que sobra para as empresas privadas que não amigos do rei é pouco e para conseguií-las vale tudo..Além do mais, esta história de poder prorrogar o contrato por 5 anos,facilita em muito a publicidade ficar nas mãos de poucos.Em S.Paulo a conta da Prefeitu ra ficou nas mãos de ex assessores de Serra no Ministério da Saúde,a outra beneficiada foi uma empresa dos filhos do marqueteiro de Serra e Alkmin,fez a campanha de Serra para a Prefeitura e está tudo legalissímo.Este é motivo da guerra de foice entre as empresas e o governo e o porquê as que ficam de fora só publicam artigos, entrevistas e outras matérias contra o governo.O dia que tivermos maior racionalidade na distribuição dos meios de comunicação, acabando com este monopóli o as coisas vão mudar.
 Adalberto Marcondes
 Enviado em: 05/12/2006 18:36:14
Muita gente fica horrorizada ao se falar em abertura de capital para os meios de comunicação. A mídia brasileira ainda obedece a uma legislação arcaica que exige que o controlador de um veículo seja um brasileiro nato. Ora, isso faz com que as empresas de comunicação seja LTDAs, sem a obrigatoriedade de prestar contas a ninguém. Se fossem empresas de capital aberto teriam, no mínimo, de prestar contas à Comissão de valores Mobiliários e a seus acionistas. Cada um de nós poderia comprar ações e participar das assembléias de acionistas. Os balanços anuais teriam de ser publicados para quem quiser ver. Grandes redes de TV, jornais e rádios, grupos de internet etc... todos com balanços contábeis e sociais. No entanto, são poucos os que assumem que esta história de controle por pessoa física é um jogo de caixas pretas. É melhor parar com a hipocrisia de que se está defendendo o atual modelo para garantir o controle dos meios por um cidadão brasileiro. É uma falácia que está custando cada vez mais caro para a democracia. Quer saber quanto uma empresa ganha, de onde vem o dinheiro, quais são seus custos e investimentos, quais são suas políticas sociais e trabalhistas, olhe nos balanços. Qualquer outra fórmula é alquimia de caixa preta.
 Thiago Bidu
 Enviado em: 31/01/2007 11:33:40
Se alguém financiasse a MídiaPrivada eu estaria rico hoje http://midiaprivada.blogspot.com Abraços

Venício A. de Lima

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