
(Foto: Firmbee.com/Pexels)
O jogo da visibilidade digital mudou com a IA: páginas são ranqueadas, reputações são recomendadas. Por isso o RP e a assessoria de imprensa ganharam um novo status na era do GEO PR (Generative Engine Optimization). E os veículos também, embora a relação entre publishers e Big Techs seja um campo minado por conta da remuneração pelo uso de conteúdo protegido para treinamento de modelos de linguagem.
Durante anos, as empresas foram ensinadas a disputar cliques. O importante era aparecer nas buscas do Google, usando tráfego como principal métrica de sucesso. Conteúdo virou volume. Isso ainda está na cabeça de muita gente, mas o jogo está mudando.
Quando alguém pergunta hoje a uma IA generativa quem são as referências de um setor, a resposta não vem em forma de lista de links. Vem em forma de síntese e recomendação. E recomendação não se constrói com tráfego, mas com autoridade acumulada.Os dados sustentam a urgência: segundo a
SparkToro, cerca de 60% das buscas no Google já terminam sem um clique: os usuários encontram a resposta antes de sair da plataforma.
GEO PR: a nova fronteira
É aqui que entra o conceito de GEO PR, um novo segmento das Relações Públicas orientado para a IA. O Generative Engine Optimization (GEO) é a prática de adaptar conteúdo para aumentar as chances de citação nas respostas geradas pelas IAs Generativas, como ChatGPT, Gemini e Claude.
Esse modelo parte de uma constatação simples: sistemas inteligentes começam a mediar a forma como pessoas escolhem marcas, produtos e especialistas. É uma evolução do SEO, mas com novos parâmetros para busca de informações.
Segundo uma pesquisa da universidade de Princeton e da Georgia Tech, as estratégias de GEO podem aumentar a visibilidade em respostas em plataformas de IA Generativas em até 40%.
Já o Gartner estima que neste ano o volume nas ferramentas de busca tradicionais cairá 25% à medida que usuários migram suas perguntas para chatbots de IA.
E o Capgemini Research Institute, no ano passado, registrou que 58% dos usuários já substituíram ferramentas de busca tradicionais por IA para descoberta de produtos e serviços; 64% declaram estar dispostos a comprar produtos sugeridos por IA. E a Semrush, analisando 80 milhões de registros de comportamento digital no segundo semestre de 2024, identificou que o número de domínios referenciados pelo ChatGPT cresceu 300% em apenas seis meses. O canal ainda é pequeno em volume absoluto. Mas a direção está clara. Quem constrói autoridade agora chega na frente.
Não estamos falando de manipular algoritmos. Estamos falando de algo mais profundo: estruturar narrativas consistentes, produzir conhecimento proprietário original, gerar citações relevantes, manter coerência temática ao longo do tempo e cultivar reputação como ativo estratégico.
Combinação poderosa: RP + conteúdo + reputação de marca
Na prática, isso significa que o RP se tornou ainda mais estratégico, mas já não dá conta sozinho. O conteúdo isolado também é só parte da história. Branding desconectado de pensamento estratégico menos ainda.
A combinação poderosa para se posicionar na era da IA é a integração entre RP, produção editorial e reputação institucional. E aqui entram os veículos. Uma citação em matéria de veículos relevantes tem um peso importante na avaliação de ChatGPT e afins. Só para dar uma dimensão, 95% dos links citados por IA generativa vêm de mídia espontânea, segundo estudo internacional da plataforma de tecnologia para comunicação e mídia Muck Rack com base na análise de mais de 1 milhão de links citados por IA e centenas de milhares de prompts.
Integrada a uma estratégia de conteúdo aprofundado, original e ancorado em fontes confiáveis (científicas, técnicas) reforça a autoridade de uma empresa.
E os veículos?
Se as evidências mostram que o conteúdo jornalístico é relevante nas recomendações das IAs, ainda há uma ponto importante a ser resolvido. Em fevereiro, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), junto com outras nove entidades da área criativa, notificaram as filiais brasileiras de Google, Amazon, Apple, OpenAI e Microsoft. O documento reivindica remuneração e parcerias para utilização de conteúdos protegidos para treinamento dos modelos de IA, conforme matéria do Teletime.
O importante agora é que essas pendências sejam resolvidas, porque de nada adiante ter visibilidade nas plataformas de IA se a saúde financeira e os direitos dos responsáveis por informação de qualidade, confiável e devidamente checada – os veículos – forem afetados.
Para as agências de RP e marcas, fica o recado: é necessário ter uma estratégia que combine os diferentes tipos de buscas, entendendo que o SEO ranqueia páginas na internet e o GEO privilegia menções e citações por sistemas de IA Generativa.
Se uma empresa não constrói presença estruturada nesse ecossistema, ela não perde apenas visibilidade. Ela perde relevância.
Quer saber mais?
Pincei alguns links interessantes para quem quiser se aprofundar:
GEO: Generative Engine Optimization (Universidade de Princeton) – https://tinyurl.com/5ew5k43u
New Semrush Study Reveals ChatGPT Search Trends: Insights from 80 Million Clickstream Records – https://tinyurl.com/yc82c68d
How to Track LLM Visibility: Metrics, Tools & Benefits – https://tinyurl.com/bda2s78a
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Clayton Melo é jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É fundador da StoryNext, consultoria que integra narrativa, inovação com IA e projetos de strategic foresight.
