Saturday, 13 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

Artigos de Joaquim Ferreira dos Santos

Parque de diversões

Sempre que morre um repórter das antigas, como foi o caso semana passada de Sérgio Fleury, é menos uma lauda de memória para alguém tirar do rolo da máquina, amassar irritado com a dificuldade de avançar no texto e, depois de fazer uma bolinha, atirar lá na frente da redação, na cabeça de um colega […]


Eu não jogo Candy Crush

Agradeço penhorado a todos que percebem nos recônditos da minha figura taciturna aquele eterno garoto suburbano, um sujeito sempre brincalhão e disposto a largar tudo pela pândega. Deve ser por isso. Profundamente comovido com essa percepção, que me agrada e acima de todas as outras me explica, eu digo obrigado de coração pela insistência dos […]


Você está empoderado?

Quando a mulher se disse incluída no processo moderno de “empoderamento” de toda a sua geração feminina, a primeira sensação foi de que a crise de labirintite iria me atacar de novo. Tonteei. Achei que a convulsão logo me seria inerente e a chegada da indesejada das gentes, definitiva. As fichas armazenadas no cerebelo desabavam […]


Diário de um repórter 2

No dia em que eu conheci o restaurateur Rogério Fasano, ele chamou à nossa mesa o garçom que acabara de servir um grupo de executivos logo ao lado. O tom que usou na conversa era paternalmente carinhoso, mas administrativo. Rogério ouvira o garçom perguntar a cada um dos homens se eles queriam café, se eles […]


1964 – A chanchada

A História tem muitas maneiras de ser contada, e a que eu prefiro de 1964, o ano que não devia ter acontecido, é a do lançamento da Fanta Laranja, do sucesso de Dercy Gonçalves cantando “A perereca da vizinha” e da mulherada na praia querendo esconder os peitos atrás da tira fininha do monoquíni. Foi […]


Diário de um repórter

No dia em que eu conheci o ator Wilson Grey, o mais famoso bandido das chanchadas, ele jogava na roleta clandestina que um bicheiro bancava num prédio da Rua Senador Dantas. Parecia cena de seus filmes. O ambiente tosco, a fumaça dos cigarros, uma aglomeração de desocupados gastando a grana e o tempo roubado do […]


A repórter de polícia

Albeniza Garcia, a jornalista que morreu na quinta-feira aos 84 anos, era do tempo da matéria escrita com três cópias em carbono, uma para o arquivo particular do repórter, outra para a revisão e outra ainda para o chefe de reportagem saber o que acontece na equipe. Escrevia-se sobre o morto em decúbito dorsal, sobre […]


O melhor caminho para gostar de ler e escrever

Eu sou suspeito para falar, pois aprendi a gostar de ler através das crônicas de Rubem Braga, e se não fosse essa aventura, a de escapar do mundo através da leitura, a vida teria sido muito aborrecida. Sou-lhe pessoalmente grato e duplamente reverente. Se ele me incutiu na mais tenra idade (expressão que jamais usaria) […]


Escrever

A estudante perguntou como era essa coisa de escrever. Eu fiz o gênero fofo. Moleza, disse. Primeiro, evite estes coloquialismos de ‘fofo’ e ‘moleza’, passe longe das gírias ainda não dicionarizadas e de tudo mais que soe mais falado do que escrito. Isto aqui não é rádio FM. De vez em quando, para não acharem […]


Nem todos morreram com o JB

Ao contrário do que foi noticiado aqui, no texto sobre a morte do Jornal do Brasil, o jornalista Luarlindo Ernesto não acompanhou o JB neste doloroso processo de passagem para uma outra encarnação e continua circulando, vivo, pelas ruas do Rio. Luarlindo, um dos melhores contadores de casos das redações cariocas, estava de plantão na […]


Desce a última página do Jornal do Brasil

Descansa em paz JB que amanhã pela manhã, quando chegar às bancas a edição do dia 31 de agosto de 2010, esgota seu deadline neste vale de resmas de papel, e alguém vai gritar o definitivo ‘Parem as máquinas’ num cantinho malassombrado da Avenida Brasil 500. Penteia o teu último nariz de cera, JB, pede […]



No estilo Imperatriz

QUALIDADE NA TV CARNAVAL "No estilo Imperatriz", copyright no. (www.no.com.br), 2/03/01 "A transmissão de Carnaval da Globo foi no estilo da Imperatriz Leopoldinense: pouca animação mas eficiente. Cleber Machado e Glória Maria, os destaques principais, vieram num carro alegórico deslumbrante, uma bolha transparente colocada por sobre a pista da Sapucaí. Dez, nota dez. É verdade […]