Sexta-feira, 23 de outubro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1411

Artigos de Matías M. Molina

Um jornal de aluguel

O escritor Gilberto Amado fora contratado pelo português João Lage para colaborar no jornal O Paiz, do Rio, cujo controle tinha conseguido de maneira pouco transparente. Num artigo, Amado elogiou Lauro Müller, ministro do Exterior e rival do poderoso senador gaúcho Pinheiro Machado, amigo de Lage e com quem este tinha grande intimidade. O próprio […]


A primeira tipografia

Quem instalou a primeira tipografia no Brasil? Vários historiadores afirmaram que foram os padres jesuítas. Mas a questão é controvertida. Alfredo de Carvalho, em Gênese e Progressos da Imprensa Periódica no Brasil, observa que, ainda no século XVI, os padres jesuítas levaram a arte tipográfica “às mais remotas paragens do Oriente”, como Japão, China e […]


Resposta a Alberto Dines

Resposta ao artigo “História truncada: A Inquisição não existiu, é invenção de leigos“, de Alberto Dines, divulgado na edição número 666 do Observatório da Imprensa (31/10/2011). Sr. Alberto Dines, fique tranquilo. O senhor parece ser uma alma sensível, mas não era minha intenção aterrorizá-lo com o artigo publicado no suplemento “EU & Fim de Semana” […]


Campeão da virulência

Apenas 49 dias depois de perder, por dívidas, o controle de A Manhã, Mário Rodrigues lançou o jornal Crítica com a ajuda do vice-presidente da República, o mineiro Fernando de Mello Viana. Em troca, ele se comprometia a apoiar o governo do presidente Washington Luís e a usar toda sua renomada truculência contra Getúlio Vargas […]


Campeão da virulência

Apenas 49 dias depois de perder, por dívidas, o controle de A Manhã, Mário Rodrigues lançou o jornal Crítica com a ajuda do vice-presidente da República, o mineiro Fernando de Mello Viana. Em troca, ele se comprometia a apoiar o governo do presidente Washington Luís e a usar toda sua renomada truculência contra Getúlio Vargas […]


O terror de presidentes

A Manhã teve uma trajetória curta e ruidosa. Durou apenas quatro anos. Hoje, o jornal é lembrado principalmente porque seu fundador, Mário Rodrigues, foi o pai do dramaturgo Nelson Rodrigues. Mas A Manhã teve um papel importante na imprensa e na política do Rio de Janeiro da década de 1920 e abriu caminho para um jornalismo […]


Muito admirado, pouco conhecido

O Diário Mercantil, de São Paulo, foi um dos jornais mais admirados e elogiados no século XIX. Segundo as referências, era bem escrito, bem apresentado, de bom gosto e uma das plataformas literárias da época. Vários dos melhores escritores passaram por suas páginas. O historiador da literatura brasileira Brito Broca escreveu que a Gazeta de […]


Compostura, lá no passado

Para as poucas pessoas que ainda lembram dele, A Notícia do Rio de Janeiro, que deixou de circular em 1998, era um jornal sensacionalista e vulgar, feito com sangue, cadáveres esquartejados na primeira página, descrições detalhadas de crimes violentos, além de uma chocante dose de sexo e macumba. Essa imagem de violência e vulgaridade dos […]


O imperador teve que ouvir

“Pouco se podia esperar de um homem que sai para a rua calçado com uma meia branca e outra preta e levando por gravata no pescoço a meia preta que lhe faltava na perna que ia de branco”, escreveu um leitor do Correio do Rio de Janeiro, assinando-se “O Braziliense”. E disse outro leitor: “Não […]


O jornalismo como vítima

Foi reeditado em formato de bolso O Jornalista e o Assassino, de Janet Malcolm. O momento é apropriado. Lançado em 1990, tornou-se um clássico instantâneo. Foi classificado nos Estados Unidos como uma das “100 Melhores Obras de Não Ficção” do século 20. É um livro de pequenas dimensões e leitura rápida que reúne dois artigos […]


O monopólio da informação

Quando, no começo da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Jorge Mitre, diretor do jornal La Nación, de Buenos Aires, que queria oferecer uma informação equilibrada aos seus leitores, perguntou à agência de notícias Havas “Por que não há comunicados alemães nem austríacos nos seus serviços? Vocês riem de nós…”, um diretor da Havas respondeu: “Nous sommes […]


Insultos pagos, muito lidos

A seção “A Pedidos” “é criação e invenção do Brasil, coisa tão nossa como o Pão de Açúcar, as revoluções incruentas e a goiabada”, escreveu Olavo Bilac. Também conhecida como “entrelinhados”, a seção “A Pedidos” dos jornais publicava cartas apócrifas, acusações, piadas, recomendações médicas, reclamações, anúncios comerciais, brigas políticas. Também era usada para defender ideias […]


A voz da moderação

Na noite de 8 de novembro de 1832, Evaristo da Veiga, redator de A Aurora Fluminense, estava na livraria de seu irmão João Pedro, depois do jantar, conversando com amigos, quando foi alvejado por tiros de pistola. Um pedaço de chumbo atingiu-lhe o rosto, “pouco abaixo do olho esquerdo”. Outras três pessoas ficaram feridas, uma […]


Um escritor na clandestinidade

Jorge Semprún, o escritor espanhol que morreu em Paris aos 87 anos no começo deste mês, foi uma figura aparentemente contraditória. Escreveu em francês a maior parte de sua obra. No cinema, ficou conhecido como roteirista de uns 15 filmes, quase todos com conteúdo político, como A Guerra Terminou e Stavisky, dirigidos por Alain Resnais; […]


Vender a alma e sobreviver

Estando no leito de morte, perguntaram a Martim Francisco Ribeiro de Andrada III se queria um padre para confessar-se. Recusou: “Jamais pratiquei uma ação feia. Nunca roubei, nunca matei, nunca caluniei e nunca li o Correio Paulistano.” É possível que ele – neto do primeiro Martim Francisco, que, com seus irmãos José Bonifácio e Antônio […]


Um choque de renovação

A Gazeta de Notícias, um dos melhores jornais já publicados no Brasil, mudou a imprensa de sua época. Foi fundada em 1875, no mesmo ano que A Província de S. Paulo. Era uma folha popular, vendida a 40 réis, preço menor que o dos outros diários e muito inferior aos 100 réis cobrados pelo Jornal […]