Saturday, 13 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1296

Aquisição de site de moda leva RBS para varejo online

O grupo RBS deu mais um passo em sua estratégia de expansão para além das mídias tradicionais. A loja online de roupas e acessórios Lets é a mais nova peça na coleção de aquisições realizadas pelo braço digital do grupo, que opera de forma independente desde setembro de 2011 e cujo nome será revelado ao mercado em outubro. Seguindo o exemplo de acordos anteriores, o negócio envolveu a compra de uma participação minoritária. O valor da transação e a participação adquirida não foram revelados. A Lets passará a atuar dentro da unidade de comércio eletrônico da unidade digital, que conta ainda com as divisões de mobilidade e mídia digital.

Um dos aspectos que chamaram a atenção da RBS no projeto foi a perspectiva de crescimento do varejo online de moda no Brasil. Segundo estudo encomendado pelo grupo, 40% dos produtos pesquisados na internet brasileira estão relacionados a roupas e acessórios. “As compras online, no entanto, ainda estão aquém desse interesse. Acreditamos que a Lets tem um projeto muito focado para avançar rumo a esse próximo estágio”, disse Fabio Bruggioni, executivo-chefe da empresa digital do grupo RBS.

A Lets iniciou as operações há três meses com a proposta de atuar com uma marca própria. Inspirado em sites como o inglês Asos, o plano para o site é combinar fatores como entrega rápida, preço mais acessível e a oferta complementar de produtos de cerca de 40 parceiros. Na época de seu lançamento, o site traçou um plano para atrair investimento de US$ 15 milhões em seu primeiro ano de operação e recebeu um aporte do fundo A5 Investimentos. Paulo Humberg, sócio da A5 Investimentos, disse que as compras on-line respondem atualmente por cerca de 2% a 3% da receita anual de R$ 130 bilhões do varejo de moda no Brasil. “Há muito espaço para crescer e acredito que a RBS tem sinergias que irão nos ajudar nessa expansão”, afirmou o executivo. Segundo ele, em três meses no ar, o Lets superou em 30% as metas iniciais da operação.

Escritório em San Francisco

Humberg foi o responsável pela criação de projetos como o site de leilões Lokau. Para o executivo, o projeto da Lets se insere em uma vertente ainda pouco explorada no varejo de moda online brasileiro: a oferta de produtos com marca própria. Por outro lado, ele reconhece que o maior desafio será justamente o processo de criar um vínculo com os consumidores. Uma das apostas para alcançar esse estágio é a criação de conteúdos como vídeos, fotos e fichas técnicas dos produtos, além de dicas de moda. A presença em redes sociais como o YouTube reforça a estratégia. “Queremos oferecer navegação fácil e uma experiência diferenciada para os consumidores”, disse Karen Sanchez, diretora de marketing do Lets, com passagem de dez anos pela área de comércio eletrônico do Magazine Luiza.

O fato de o site reunir uma equipe com vivência em negócios na internet foi outro ponto decisivo para o aporte da RBS. Nesse contexto, Bruggioni disse que uma das prioridades é preservar a independência de gestão dos parceiros. “Mais para frente, podemos ajudar o projeto a ganhar escala. O importante é não precipitar esse movimento, pois corremos o risco de tirar a velocidade e a inovação que a Lets tem hoje”, afirmou.

O acordo com a Lets é a nona aquisição do braço digital da RBS desde que a operação começou a ser estruturada, há quatro anos. Somente em 2012 foram fechadas outras quatro transações. A previsão é encerrar o ano com mais dois acordos, sendo um no segmento de comércio eletrônico e outro em mobilidade. Bruggioni explicou que a companhia está avaliando se esses negócios serão feitos por meio de aporte direto ou através das empresas que já compõem o portfólio atual da operação. Além do lançamento oficial de suas operações para o mercado – previsto para outubro –, a holding da RBS programa para novembro a abertura de um escritório em San Francisco (EUA), que vai abrigar uma equipe própria e o time da Predicta, empresa de marketing digital que integra o portfólio da RBS desde o fim de 2011.

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[Moacir Drska, do Valor Econômico]