Thursday, 18 de July de 2024 ISSN 1519-7670 - Ano 24 - nº 1297

Jornais debatem distribuição em rede social

O jornal “The New York Times” confirmou na última semana que, junto com outras empresas jornalísticas dos Estados Unidos e da Europa, negocia com o Facebook para postar conteúdo diretamente na rede social.

A intenção é iniciar os testes “nos próximos vários meses”, segundo o Facebook, que tomou a iniciativa de contatar as empresas. Estão incuídos, entre outros, “The Guardian”, “National Geographic”, “The Huffington Post”, “BuzzFeed” e “Quartz”.

Na segunda-feira (30/3), a The New York Times Company nomeou um vice-presidente para produtos e tecnologia, Kinsey Wilson, que assumiu anunciando que o jornal pretende deixar para trás “o ponto em que uma única apresentação de nosso retrato das notícias satisfaz os nossos leitores”.

‘Matar a marca’

A aparente aceitação de outra plataforma digital pelo diário nova-iorquino, que é referência para inovação no setor em todo o mundo, provocou reações contrárias.

O próprio David Carr, colunista de mídia do “NYT” que morreu há dois meses, escreveu em outubro sobre o início da “turnê” dos executivos da rede social pelos jornais.

Com a confirmação da proximidade do acordo, agora, acumularam-se críticas de analistas como Felix Salmon e Dan Gillmor. Para o primeiro, poderá “matar a marca jornalística”. Para o segundo, os jornais “se preparam para dar o seu futuro de presente para o Facebook”.

Rosental Calmon Alves, que dirige o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, da Universidade do Texas, diz que “é uma transformação profunda na maneira como o conteúdo jornalístico é distribuído”. E reflete um momento em que o Facebook “está substituindo a web”.

Sem terremoto

Já o analista e consultor de mídia Ken Doctor, do Nieman Journalism Lab, da Universidade Harvard, sublinha que ainda faltam muitas informações sobre o eventual acordo –em questões centrais como a possibilidade de assinar o jornal via Facebook ou o acesso a dados dos usuários.

Mas eles “serão um tremor de terra menor do que parte da cobertura vem reportando”, diz, lembrando que as empresas fazem acordos de distribuição há 20 anos. A diferença agora é que o Facebook soma 1,4 bilhão de usuários –o que torna “o resultado potencial maior, tanto do lado positivo”, como novas receitas de publicidade e assinatura, “quanto do negativo”, como uma perda de tráfego pelo site do veículo.

***

Nelson de Sá, da Folha de S.Paulo