Domingo, 1 de fevereiro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1373

O preço da vaidade: quando o autoritarismo custa bilhões ao País

(Foto: ASSY por Pixabay)

A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 6 de agosto de 2025 expôs mais do que uma disputa comercial: revelou a fragilidade de uma condução política interna que priorizou narrativas ideológicas em vez de estratégias econômicas de longo prazo.

No centro do problema está um governo que confundiu enfrentamento político com soberania nacional. A combinação entre o autoritarismo institucional do Supremo Tribunal Federal — simbolizado pela figura de Alexandre de Moraes — e a retórica inflamada do governo Lula criou um ambiente interno de instabilidade jurídica, erosão da confiança internacional e perda de previsibilidade econômica. Esse clima abriu espaço para que parceiros estratégicos vissem o Brasil como um risco — e, nesse contexto, justificassem sanções com discurso de proteção comercial.

A consequência direta é a perda de competitividade de setores centrais da economia brasileira. A indústria nacional, já sufocada por tributos, burocracia e insegurança regulatória, agora precisa enfrentar barreiras externas em um cenário onde falta articulação diplomática e sobram discursos de confronto. Em vez de recorrer à diplomacia econômica e buscar acordos bilaterais, o governo optou por uma retórica defensiva, entregando de bandeja argumentos a rivais comerciais dispostos a ocupar o espaço deixado pelo Brasil.

O resultado dessa postura é visível: empresas enfrentam dificuldades para manter contratos, investimentos estão sendo postergados e o mercado de trabalho começa a sentir os efeitos do desaquecimento. O ambiente de negócios está cada vez mais inóspito, com juros elevados, câmbio pressionado e expectativas deterioradas. A economia perde tração não apenas por fatores externos, mas por erros de cálculo político que comprometem a confiança — tanto de investidores quanto de consumidores.

Nesse contexto, a falta de reformas estruturantes aprofunda o quadro. O governo evita discutir medidas impopulares, mas necessárias, enquanto insiste em soluções paliativas que apenas empurram a crise para frente. A dívida cresce, os gastos públicos seguem sem controle, e não há clareza sobre um plano consistente de responsabilidade fiscal. A política econômica caminha no escuro — guiada por interesses imediatos, e não por um projeto de país.

Enquanto isso, parte significativa da imprensa nacional falha em explicar as raízes econômicas do problema. Ao focar exclusivamente nas disputas políticas internas ou nos desdobramentos jurídicos, o jornalismo dominante negligencia a complexidade do cenário internacional e a responsabilidade interna por ter gerado as condições que permitiram a imposição de sanções. Com isso, o público perde a dimensão real do custo dessas decisões — e o debate público se empobrece.

Em resumo: o Brasil enfrenta hoje uma crise construída internamente. Não se trata apenas de tarifas americanas, mas do reflexo de escolhas equivocadas feitas em nome de um projeto de poder que tratou a política como espetáculo e a economia como retórica. Se o governo continuar ignorando os alertas, mantendo-se preso a discursos populistas e ao autoritarismo institucional, a consequência será o aprofundamento da estagnação econômica — e o país pagará caro por isso.

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Davi de Souza é Graduando em Gestão Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais, pesquisador em Ciência Política e Políticas Públicas na Universidade de Brasília, assessor parlamentar na Câmara dos Deputados.