Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1375

Mudanças tecnológicas e a sustentabilidade dos negócios entre os desafios do jornalismo em 2026

Transformações tecnológicas, crises de sustentabilidade e pressões políticas estão entre os desafios do jornalismo em 2026, tema de webinário realizado pelo Observatório da Imprensa nesta terça-feira, dia 27 de janeiro, que reuniu especialistas para discutir o assunto. O debate foi transmitido pelo YouTube do Projor e pode ser visto aqui.

Participaram do debate, mediado pela jornalista Denize Bacoccina, editora do Observatório da Imprensa:

Artur Romeu, jornalista e diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras para a América Latina. Mestre em direitos humanos e ação humanitária pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, ele atua na defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa, com foco na proteção de jornalistas, fortalecimento do ecossistema de mídia e na análise do impacto da tecnologia sobre o jornalismo.

Denise Mota, jornalista, coordenadora de projetos da Rede JP, Jornalistas Pretos, e da Red de Periodistas Afrolatinos, e colunista da Folha de S.Paulo. Coautora do “Manual de Boas Práticas Antirracistas para a Comunicação Digital”, junto com Marcelle Chagas.

Flávio Moreira, jornalista e especialista em inovação em mídia. Diretor de redação do InfoMoney e Top Voice no LinkedIn, pesquisador de modelos de negócio, tecnologia e o futuro do jornalismo. Autor de uma newsletter sobre tendências para publishers.

Abaixo, os principais pontos debatidos, num resumo preparado pelo Google Gemini, com revisão humana.

  1. O Jornalismo como pilar civilizatório
  • Crise de integridade: Artur Romeu (Repórteres Sem Fronteiras) destacou que o desafio atual não é apenas corporativo, mas civilizacional. Ele equiparou a crise da informação às mudanças climáticas, ressaltando que sem uma informação livre e plural, a democracia entra em colapso [04:29].
  • Ataque sistêmico: O debate apontou que lideranças autoritárias utilizam a descredibilização da imprensa como estratégia eleitoral, transformando o ataque a jornalistas em capital político [52:36].
  1. Sustentabilidade e modelos de negócio
  • O fim da era da massa: Flávio Moreira (Infomoney) explicou que o modelo baseado exclusivamente em grandes audiências e publicidade programática faliu. O público agora está fragmentado e a atenção é disputada com gigantes como TikTok e Netflix [26:09].
  • Dependência de plataformas: O jornalismo tornou-se refém da “plataformização”. Publishers construíram seus negócios em “terrenos alugados” (Google, Meta), e agora sofrem com mudanças súbitas nos algoritmos que reduzem o alcance orgânico [30:53].
  • Mídia independente: Denise Mota (Rede JP) trouxe dados sobre veículos independentes que, embora mais conectados às suas comunidades, enfrentam escassez de financiamento filantrópico e concentração de recursos no Sudeste [17:44].
  1. Conexão com a audiência e humildade profissional
  • Abandono da arrogância: Houve um consenso de que o jornalista precisa abandonar a postura de “dono da verdade” e passar a ouvir ativamente o público. Veículos independentes levam vantagem por já terem nascido para resolver dores específicas de comunidades [27:05].
  • Exemplo “Felca”: O caso do influenciador Felca foi citado como exemplo de como a linguagem e a conexão direta podem pautar temas sérios (como algoritmos e proteção infantil) de forma mais eficaz que o jornalismo tradicional [20:42].
  1. Tecnologia e Inteligência Artificial
  • Ferramenta, não substituta: A IA foi vista como uma aliada para a “cozinha” da redação – automatizando tarefas burocráticas e análise de grandes volumes de dados – permitindo que o humano foque na apuração sensível e na curadoria [01:06:52].
  • Conselho para profissionais: A recomendação é a especialização em nichos e a compreensão total do negócio (como o veículo se banca e como a informação é distribuída), indo além da simples escrita [01:10:28].
  1. Liberdade de imprensa no Brasil
  • Melhora no Ranking: O Brasil subiu no ranking de liberdade de imprensa da RSF (de 82º para 63º), refletindo uma normalização das relações institucionais após o governo Bolsonaro [57:33].
  • Violência silenciosa: Apesar da melhora, o país continua perigoso, especialmente para comunicadores no interior e em áreas periféricas, onde a autocensura é uma estratégia de sobrevivência contra o crime organizado e milícias [01:01:40].

Veja o debate na íntegra:

https://www.youtube.com/watch?v=iMqSZR72o7g