Domingo, 15 de março de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1379

Pensamento positivo e esperança no futuro

O Financial Times encontra-se atualmente em meio a uma crise decorrente da acelerada queda das vendas e lucros. Consta, no último levantamento de circulação, que o jornal tem mantido as vendas abaixo de 100 mil cópias diárias ao preço de capa na Grã-Bretanha, quando em outubro de 1999 esse número chegava a 160 mil. Paralelamente aos baixos índices de venda, encontram-se também resultados financeiros negativos. No ano passado, o jornal sofreu uma perda de 32 milhões de libras e estima-se que este ano esta perda seja de 12 milhões. Mas, de acordo com a Pearson, corporação proprietária do jornal, a questão não é tão desanimadora, pois a companhia espera que o FT volte a apresentar lucro significativo nos próximos 12 meses.

Segundo Roy Greenslade [The Guardian, 6/12/04], por hora, tem-se como contraponto positivo o fato de o FT ser um jornal global, e a circulação internacional estar subindo. As vendas no exterior alcançaram, no mês passado, um total de 409 mil cópias diárias, um pouco menos do que em outubro de 2003. Este número expressa, inclusive, um crescimento constante de vendas nos EUA, que chegou a 130 mil exemplares por dia. A Ásia segue o mesmo caminho e a Austrália, onde o jornal começou a circular em setembro, já conta com cerca de 3 mil leitores.

O editor Andrew Gowers diz que o FT sofreu com a recessão que atacou os ganhos através da queda na receita publicitária. Ele também cita dois outros problemas paralelos: os conflitos pós 9/11/01 e o surto da Sars. ‘Nós passamos por uma verdadeira tempestade’, disse, ‘mas mantivemos a fé e uma equipe de jornalistas talentosos, o que gerou resultados muito positivos. Muitas pessoas em Wall Street, em bancos e em corporações globais nos lêem primeiro, porque nós somos mais abrangentes, concisos e inteligentes’.

Conteúdo e integração de meios

Para sair da crise, o editor e a Pearson continuam apostando na produção jornalística e, mais ainda, na integração entre as versões impressa e online. A importância dada a essa integração pode ser notada pelo fato de os primeiros assuntos, discutidos na principal reunião de pauta, serem as matérias do FT.com. Segundo Gowers, todo mundo já sabe que o jornal é pautado com notícias que já estão circulando na rede. Isso é positivo para o jornal, porque a edição online já conta com 72 mil assinantes e mais de 3,8 milhões de usuários únicos, por mês, lendo as notícias disponibilizadas gratuitamente. Em vista disso, o FT vem fazendo um esforço contínuo para vender assinaturas casadas das versões impressa e online. Gowers aponta que ambos são complementares.

As demissões ainda não chegaram às redações do FT. Até agora, somente a parte comercial foi afetada com 200 mil cortes na folha de pagamento. As demissões compulsórias entre os seus 550 jornalistas não agradariam a Gowers, mas já existem rumores sobre um esquema de demissões voluntárias que ainda não foi decidido. Ainda assim, uma paralisação no recrutamento editorial causou reestruturações que desestabilizaram alguns funcionários e deram boas oportunidades a outros.

Por fim, Gowers declarou que o jornal vai continuar sendo impresso em formato standard e em papel cor-de-rosa, pois. ‘Queremos atrair pessoas para um produto sofisticado e não podemos abrir mão disso’, enfatiza. Referindo-se aos demais jornais britânicos que adotaram o formato tablóide, o editor declarou que ‘não vamos ter sucesso competindo com notícias que se misturam com entretenimento’.