
Tela de arame delimita a praça e impede o acesso público. (Foto: Lara Superti / LabJ)
O acesso à informação pública é um dos pilares da democracia, pois permite à sociedade fiscalizar o Estado. Nesse contexto, o jornalismo atua como mediador, traduzindo dados em narrativas compreensíveis. Em um ambiente de ensino da profissão, o trabalho com a Lei de Acesso à Informação (LAI) cumpre, portanto, dupla função: proporciona aos jornalistas em formação um exemplo didático do papel social da profissão e os habilita a desenvolver reportagens que esclarecem cidadãos (e os próprios estudantes) sobre a máquina pública.
Daí a importância da investigação desenvolvida por estudantes do Laboratório de Jornalismo – LabJ, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), na reportagem “Sem nome e sem acesso, praças adotadas não podem ser usufruídas pela comunidade local”. Conduzida pelos repórteres Pedro Stahnke, Olívia Geyer e Lara Superti ao longo de um semestre letivo, a reportagem utilizou a LAI como ponto de partida para esclarecer o programa de adoção de espaços públicos da prefeitura de Porto Alegre.
Os dados permitiram verificar as contrapartidas oferecidas aos adotantes, como a publicidade de suas marcas e a realização de eventos. À análise dos documentos somou-se uma minuciosa investigação in loco. Ao visitarem praças adotadas por entes privados, os estudantes identificaram áreas de mata nativa inacessíveis à população, cercadas por alambrados e trancadas com cadeados, funcionando, na prática, como áreas exclusivas e subutilizadas – entre outros problemas de gestão de espaços públicos.
Realizada como parte do Observatório da Transparência de Porto Alegre (OT-POA) – iniciativa que reúne três cursos de jornalismo da capital gaúcha para monitorar políticas públicas por meio do uso de leis de transparência –, essa jornada investigativa destaca a importância de o estudante de jornalismo aprender, ainda na graduação, a manejar dados públicos para transformá-los em ferramentas de fiscalização das ações do Estado.
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Andrei Rossetto é jornalista, doutor em Comunicação e professor de jornalismo na PUCRS, onde integra a comissão coordenadora e o Laboratório de Jornalismo – LabJ.
Moreno Osório é jornalista, doutor em Comunicação e professor de jornalismo na PUCRS. No LabJ, orienta investigação baseada em dados públicos.
