
(Foto: CESAR A RAMIREZ VALLEJO TRAPHITHO/Pexels)
O artigo “A eleição presidencial é a chance para a imprensa desmontar de vez os mitos de Augusto Cury”, de autoria do jornalista Rafael Simi, tem direito de criticar minhas ideias e minha atuação pública. O exercício da crítica, contudo, não autoriza a substituição da apuração jornalística por insinuações, nem permite converter dúvidas em imputações de fraude, charlatanismo ou exploração do sofrimento humano. A liberdade de imprensa pressupõe responsabilidade para com os fatos. É justamente para restabelecê-los que apresento os esclarecimentos a seguir.
Minha formação não é secreta. Sou graduado em Medicina. Meu Currículo Lattes registra Doctor of Business Administration pela Florida Christian University, concluído em 2013, com trabalho tema sobre o Programa FreeMind. Não apresento esse título como doutorado acadêmico em Psicologia. Na PUC-SP, cursei disciplinas de mestrado em Psicologia Social, em 1986; na Universitat de les Illes Balears, cursei disciplinas stricto sensu. Esses fatos devem ser narrados segundo sua natureza objetiva, e não convertidos, sem consulta prévia ou apuração adequada, em supostas “histórias contadas pela metade” conforme palavras do jornalista.
A Teoria da Inteligência Multifocal e a expressão Síndrome do Pensamento Acelerado são construções teóricas próprias. Não afirmo que a SPA seja diagnóstico autônomo catalogado no DSM ou na CID. A validade, os limites e a nomenclatura de qualquer formulação podem e devem ser debatidos. Discordância científica, porém, não prova desonestidade, e a ausência de catalogação não autoriza concluir que alguém “brinca (e lucra)” com saúde mental.
Também não afirmo que o autismo tenha cura, nem considero pessoas autistas um problema a ser “resolvido”. A passagem citada no artigo pode ser criticada quanto à terminologia, mas foi usada para me atribuir, por perguntas retóricas, uma posição que rejeito. Defendo tratamento, acompanhamento, inclusão, respeito e estímulo ao desenvolvimento, jamais a estigmatização.
Minha produção intelectual originou e inspira projetos educacionais, preventivos e comunitários, entre eles Escola da Inteligência, FreeMind, Você é Insubstituível, TouchPeace, School of Thinkers, Walking Together e programas de Gestão da Emoção. A Escola da Inteligência foi implantada em mais de mil escolas, segundo registros disponíveis e há avaliações institucionais de sua aplicação, inclusive em rede municipal de ensino.
Essa produção também alcançou ambientes acadêmicos e instituições públicas. Uma disciplina de Gestão da Emoção integrou a pós-graduação da USP em Ribeirão Preto e deu origem, com ensaios dos alunos, a obra coletiva publicada em 2023 pela Editora Método, do Grupo GEN. Durante a pandemia, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Academia Nacional da Polícia Federal participaram da oferta de curso on-line por mim ministrado. Há, ainda, cursos de pós-graduação e MBA estruturados sobre essa produção.
Esses fatos não tornam qualquer teoria imune à revisão crítica nem substituem comprovação científica específica. Demonstram, contudo, que é inexato apresentar minha obra como referendada exclusivamente por mim ou alheia a universidades, escolas, órgãos públicos, professores, pesquisadores e projetos nacionais e internacionais.
Quanto à vendagem de livros, o artigo não apresenta dados de editoras ou levantamento de mercado capaz de demonstrar a falsidade dos números que contesta. Em lugar de apuração, recorre ao adjetivo “matreiro”. Perguntar e verificar é dever do jornalismo; insinuar ardil sem apresentar contraprova não é método de verificação.
O texto ignora, ainda, fatos públicos e amplamente documentados. Fui reconhecido pela Folha de S.Paulo como o autor brasileiro mais lido da década e sou apresentado por algumas editoras como o psiquiatra mais lido do mundo, com obras traduzidas para mais de 70 países e dezenas de milhões de exemplares vendidos. Diante desse histórico editorial, qualquer contestação acerca de minha relevância comercial exigiria prova objetiva, e não mera insinuação.
Aceito o debate público e a crítica contundente. O que reivindico é a distinção entre opinião e fato, apresentação das fontes, contextualização das citações e oportunidade de resposta. Também não aceito expressões ofensivas e reputacionais à minha trajetória acadêmica e pública. A liberdade de imprensa se fortalece, e não se enfraquece, quando o leitor recebe elementos suficientes para formar seu próprio juízo.
