Segunda-feira, 18 de maio de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1388

Imagem do Mês – Fevereiro/2026

(Foto do mês. Crédito: Eduardo Anizelli)

A imagem do mês de fevereiro eleita pela ARFOC-SP é do associado Eduardo Anizelli, repórter fotográfico da Folha de S.Paulo, atualmente baseado no Rio de Janeiro. Ele acompanhou o resgate e vivenciou a rotina de quem perdeu tudo em Juiz de Fora, Minas Gerais. A cidade entrou em estado de calamidade pública e decretou luto oficial depois do temporal que provocou deslizamentos e desmoronamentos, deixando mortos, desaparecidos e muitos desabrigados.

Anizelli contou sobre a dificuldade que teve para fazer a foto. “Eu passei o dia inteiro de plantão no mesmo lugar e isso me corroeu por um bom tempo, mas me posicionei em uma laje e fiquei aguardando. Quando conseguiram resgatar o corpo, foi bem impactante. Esse tipo de ação sempre gera uma expectativa grande e muita emoção. Na hora que estou fotografando, é tanta concentração que entro em uma realidade paralela, e a câmera vira um escudo. Procuro separar a emoção, mas é difícil não sentir. Estive em Brumadinho, Petrópolis, cada cidade com suas histórias e características ambientais distintas. Há quem ache que com o tempo nos habituamos a isso, mas não!”

Esse tipo de cobertura exige do fotógrafo, além do profissionalismo, resistência física e controle emocional. Desastres naturais têm ocorrido com maior frequência e intensidade em razão das mudanças climáticas. Tragédias se repetem em diferentes regiões, algumas anunciadas, deixando cidades devastadas. Para o profissional, além da dimensão da tragédia, outro aspecto difícil de lidar é a revolta da população, que pode ser bem agressiva e muitas vezes acaba descontando na imprensa. “Perder a casa, entes queridos ou amigos deixa as pessoas muito revoltadas, e com razão, mas é um dos desafios que temos que driblar nessas situações. Na verdade, a imprensa está ali pra mostrar ao mundo o que aconteceu e, de alguma forma, pressionar o poder público.”