
Nadir Boza Fogaça, 74 anos, é uma das personagens da reportagem produzida por estudantes da Unisatc. (Foto: Divulgação/Unisat)
A matéria “Elas sempre estiveram lá: A presença feminina no arroz de Meleiro” é importante por dar visibilidade à participação feminina na rizicultura de Meleiro, no Sul de Santa Catarina, região conhecida pela presença marcante do grão que molda a economia e a cultura da comunidade local.
O trabalho busca reconhecer o papel de mulheres que, por gerações, contribuíram para uma das principais atividades do município. Ao reunir relatos e experiências de diferentes gerações, a reportagem resgata memórias, valoriza trajetórias que muitas vezes permanecem fora dos registros oficiais e amplia a compreensão sobre o trabalho no campo.
A matéria explora um recorte diferente da rizicultura tradicionalmente associada ao agricultor. Ela remonta à história de quem também esteve por trás dessa produção e contribui para preservar a memória e a identidade da comunidade, colocando a agricultora como figura central.
Foi por meio de uma conversa com a avó da autora da matéria que surgiu a ideia de escrever sobre as mulheres na agricultura. Nadir Boza Fogaça, uma das personagens do texto, nasceu, cresceu e vive ainda hoje, com 74 anos, tendo sua história atrelada à rizicultura. Ela inspirou a construção da matéria e instigou a autora a ir atrás de outras mulheres que compartilhassem dessa mesma trajetória. O objetivo era encontrar personagens em diferentes momentos da vida, mas com um fator em comum: o arroz.
O único desafio ao construir a pauta e, por fim, o texto foi transmitir todas essas grandes histórias por meio de palavras e fotos. “Resumir” as trajetórias delas foi muitas vezes necessário e difícil, já que elas carregam consigo muitas inspirações, momentos e enredos.
Fazer a conexão entre elas foi o mais fácil, já que elas têm histórias diferentes, mas muito em comum: a origem no campo, pessoas que influenciaram a sua vida na rizicultura e um caminho por vezes marcado pelo preconceito e pela invisibilidade, apenas por serem mulheres em uma área socialmente associada a homens.
Mergulhar na pauta e conhecer as personagens foi um processo enriquecedor, cheio de cultura e inspirações. A autora cresceu vendo a sua família trabalhar na roça, mas entender esse contexto por meio da visão de agricultoras ampliou o olhar sobre uma área já fortemente explorada pela imprensa, e esse é justamente o intuito da matéria.
A reportagem foi produzida na disciplina de Texto Jornalístico +, que faz parte da matriz curricular da 2ª fase de Jornalismo da Unisatc. A supervisão foi da professora Marli Vitali.
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Marli Vitali é jornalista há 30 anos, doutora em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), professora da Unisatc há 18 anos atuando nas áreas de Teoria do Jornalismo, Técnicas de Reportagem e Entrevistas e Projetos Integradores.
