Segunda-feira, 6 de julho de 2026 ISSN 1519-7670 - Ano 2026 - nº 1395

Jornalismo

A autocensura como método: quando o risco redefine o que vira notícia

A autocensura deixou de ser exceção e passou a integrar, de forma difusa, as rotinas do jornalismo. Ela não se manifesta apenas por meio de proibições explícitas, mas também como prática incorporada ao cotidiano das redações. O que não é investigado muitas vezes sequer chega a se constituir como pauta. Entre os fatores que explicam […]

A imprensa precisa cobrir melhor a saúde no trabalho

Enquanto empresas aceleram investimentos em inteligência artificial, transformação digital e automação, uma crise de outra natureza avança dentro das organizações com muito menos visibilidade: o esgotamento humano. Burnout, absenteísmo, presenteísmo, desengajamento e adoecimento emocional comprometem produtividade, inovação e competitividade. E, ao contrário do que a cobertura midiática costuma sugerir, não se trata de um problema […]

Quando a origem substitui a biografia

Quando o Fantástico exibiu a reportagem “Surto de ebola preocupa o mundo”, exibida no dia 23/05, o público brasileiro foi novamente apresentado à República Democrática do Congo por meio de uma narrativa marcada pela emergência sanitária, pelo medo da contaminação e pela insegurança vivida pela população diante da disseminação do vírus. A reportagem cumpria uma […]

Quando o valor “escândalo” substitui a prudência jornalística: o “caso Bulhões”

Acusações geram cliques. Manchetes condenatórias circulam rapidamente porque ativam indignação imediata. Já o desmentido posterior, o arquivamento ou a ausência de provas raramente despertam interesse semelhante. Em julho de 2022, vi meu nome estampado numa manchete da revista Fórum: “Professor da Unesp usava iniciação científica para abusar de estudantes calouras”. O título apresentava a acusação […]

Mistérios do telejornalismo brasileiro

Mesmo com mais de 40 anos de jornalismo, continuo aprendendo ou desaprendendo a todo momento no ofício de informar, analisar e opinar em veículos de imprensa. Um dos assuntos que mais têm me intrigado há tempos são algumas atitudes e práticas no telejornalismo que contrariam muitas vezes o bom senso e a difusão fluida da […]

A imprensa e o paradoxo da polarização

Há uma contradição que atravessa sistematicamente o discurso editorial da grande imprensa e que raramente se torna objeto de análise explícita, uma vez que os mesmos veículos que diagnosticam, com frequência, os efeitos corrosivos da polarização política sobre o espaço público democrático são, em larga medida, agentes constitutivos do fenômeno que denunciam. Essa contradição não […]

Do especialista ao influenciador: a nova hierarquia da autoridade pública

Os critérios que definem quem possui autoridade passam por uma mudança silenciosa. Durante muito tempo, a legitimidade de um especialista esteve associada ao conhecimento acumulado, à formação e à experiência. Hoje, esse critério convive e muitas vezes disputa espaço com outro: a visibilidade. Nesse contexto, a autoridade deixa de depender apenas da competência e passa […]

Sustentabilidade do jornalismo independente, plural e responsável: o grande desafio do nosso tempo

O debate sobre as liberdades de imprensa e de expressão, infelizmente, não costuma movimentar grande audiência, engajamento, interação, cliques ou compartilhamentos. Aliás, conteúdos jornalísticos, alguns deles produzidos com custo elevado e comprometidos com aquilo que chamamos de jornalismo profissional, baseado em método e técnicas muito específicas, capazes de oferecer fatos e histórias o mais perto […]

O guardião da memória que se esquece

Existe uma formulação que circula com relativa naturalidade nos discursos de legitimação do jornalismo, a de que ele seria o “guardião da memória”, a imagem, porém, é sedutora em sua simplicidade, uma vez que sugere neutralidade, permanência, responsabilidade custodial, apelando a um imaginário arquivístico no qual o jornalismo compareceria como instância de preservação, registro fiel […]

Repórter-espectador: o jornalismo de prints e o recuo da apuração de rua

Entre a necessidade real de segurança em zonas de conflito e a rotina cada vez mais mediada das redações, o jornalismo atravessa uma mudança menos visível do que parece: a substituição progressiva da experiência direta pela curadoria de fragmentos digitais. A preservação da integridade física do repórter é condição inegociável. A apuração baseada na presença, […]

IA não ameaça o jornalismo. A submissão às plataformas, sim

A discussão séria sobre inteligência artificial no jornalismo começa quando se abandona um falso dilema: nem tecnofobia, nem deslumbramento. A IA já entrou nas redações faz tempo. Está em transcrições, análise de dados, organização de documentos, sugestões de títulos, resumos, tradução, monitoramento de tendências e apoio a tarefas repetitivas. O salto recente não foi a […]

Informação ou indução?

Nem sempre percebemos de onde vêm as nossas opiniões. À primeira vista, elas parecem nascer de uma reflexão própria, mas, com algum distanciamento, fica claro que foram sendo construídas aos poucos, quase sem ruído. É justamente nesse terreno que a mídia atua: não impõe ideias de forma explícita, mas sugere, repete, enquadra. Escolhe palavras, define […]

As histórias da The New Yorker

Textos jornalísticos curtos: mil palavras e até menos, divertidos e informativos. O resultado: várias e várias páginas por semana dedicadas à cobertura das coisas e pessoas pinçadas do mais interessante e prosaico do que acontece pela cidade. Importante incluir fatos interessantes e humor. Prioridades de um trabalho que, se era do repórter, tinha o dedo […]

A perna sem corpo e o poder simbólico do fragmento

Existe uma prática interpretativa recorrente no estudo das relações entre imprensa e autoritarismo, a de supor que, diante da censura, o jornalismo simplesmente emudece, que o silêncio se instala, compulsório e total, e que a produção de sentido sobre o mundo se suspende até que a repressão ceda. A história da Perna Cabeluda, lenda urbana […]